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| Lisboa-Madrid-Lisboa via easyJet, por 34,98 euros! E agora Fernando Pinto? |
A greve, pelo mês em que ocorre (fim da época alta) e pelos dias e voos criteriosamente escolhidos, não pretende prejudicar a companhia. Pelo contrário: visa aliviá-la de mais prejuízos?
Mário Lino — “Apelo ao Sindicato [Nacional dos Pilotos de Aviação Civil (SPAC)] para que tenha bom senso suficiente, para que pare com a situação grevista, que é extremamente prejudicial para a TAP, para a economia portuguesa, para a imagem do país e para a qual não encontro razões neste momento”, declarou o Mário Lino, à margem da Conferência “Auto-estradas do Mar e Logística”, a decorrer em Lisboa no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia (UE).
Sol, 24-10-2007.Fernando Pinto — “Rezo p’ra ela (a Ota) todos os dias.” O objectivo da TAP em 2007 é obter lucros no montante de 34 milhões de euros, parte dos quais serão distribuídos pelos trabalhadores. SIC NOTÍCIAS, 12-03-2007.
DINHEIRO — As chamadas companhias low-cost estão prosperando. Elas são uma ameaça às grandes?
FERNANDO PINTO — Não tanto. Eu diria que elas ajudaram as empresas tradicionais a serem mais competitivas. As empresas tradicionais já começam a absorver grande parte do contingente de passageiros das empresas menores. Estamos sabendo usar melhor a nossa rede de agências, que é maior e passa a ser mais interessante para o passageiro. Se ele, além de ter um serviço de bordo, ainda conta com tarifas competitivas, então não tem discussão: opta por nós. Eu diria mais. Hoje, nós é que estamos ameaçando as low-cost. — Isto é Dinheiro, 16-02-2007.
Vamos por partes:
- Os pilotos, tal como muita gente portuguesa e dos demais países europeus, descontou ao longo de uma vida de trabalho esperando reformar-se aos 55, aos 60 ou aos 65 anos, com uma reforma equivalente à média das melhores remunerações obtidas ao longo dos últimos 10 anos da respectiva carreira contributiva (ou coisa semelhante.) Entretanto, o Estado Providência faliu nos poucos países onde existia, isto é, no norte da Europa Ocidental. As causas de tal falência são basicamente três: o aumento da esperança de vida das pessoas, a transferência massiva da capacidade produtiva de bens materiais dos países desenvolvidos da América e da Europa para a Ásia e, coisa sempre escamoteada, a inflacção real derivada do Pico Petrolífero e da depreciação capitalista sistemática do valor do trabalho (por mais especializado que este seja.)
- Neste contexto, a reivindicação dos pilotos é justa e inatendível ao mesmo tempo, como inviável é o resto da estrutura empresarial da TAP, que tem actualmente tantos trabalhadores, mordomos e boys ao seu serviço quanto a Air Berlin, a easyJet e a Ryanair juntas! Os pilotos, em vez de fazer esta greve, deveriam analisar friamente a situação e negociar um acordo de cavalheiros razoável com o governo, tendo nomeadamente em conta as reais dificuldades do país e, por outro lado, a sua capacidade profissional e corporativa de compensar por meios próprios a quebra de expectativas que o actual e os futuros governos irão irremediavelmente impor-nos.
- A greve, pelo mês em que ocorre (fim da época alta) e pelos dias e voos criteriosamente escolhidos, não pretende prejudicar a companhia. Pelo contrário: visa aliviá-la de mais prejuízos? De facto, os dias escolhidos para a paralização (Terças, Quintas e Sábados), as rotas canceladas (todas as que coincidem com a mole esmagadora das Low Cost, e praticamente nenhuma de Longo Curso) significa uma real poupança de euros para a TAP. Nestas datas, nestas rotas e neste iniciar da época fria, a taxa de ocupação dos voos da TAP-PGA passa rapidamente dos 80% para pouco mais de 60%, sendo que desta vez, o aumento em flecha do preço do petróleo e o incremento de novas rotas a inaugurar pelas Low Cost, tanto em Lisboa como no Porto e no Funchal, agravarão ainda mais dramaticamente a situação económica da companhia. Ou seja, fica mais barato manter em terra os aviões de médio curso não imprescindíveis aos voos de ligação intercontinentais do que mantê-los no ar! Portanto, obrigado Sindicato!
- Doutra forma, não se compreenderia como foi possível escutar, como temos vindo a escutar, as Relações Públicas da TAP a propagandearem literalmente a greve dos pilotos, convidando os seus clientes a dirigirem-se a outras companhias para garantir os seus voos sem mais incómodos!
- O Governo e o gaúcho que bem pago mal-dirige actualmente o funeral agendado da TAP preparam-se, estranhamaente, para responsabilizar os pilotos como mais prováveis responsáveis pelos prejuízos da companhia. É um erro! Pois será fácil demonstrar que os prejuízos actuais e futuros da TAP derivam exclusivamente da falta de visão dos políticos imbecis que temos, da teimosia em prosseguir com o embuste da Ota e da cegueira perante a mudança radical do paradigma da fileira do transporte aéreo, causada pelo pico petrolífero, pela penalização crescente das actividades poluentes (sobretudo se contribuem para o sobreaquecimento do planeta), pela política de céu aberta instaurada na Europa e que em breve cruzará o Atlântico…e pelas Low Cost. As Low Cost, burro!
- Por este caminho a TAP terá tantas ou mais dificuldades que a Alitália em encontrar um noivo decente para a cerimónia da privatização. Só se for… a filha do José Eduardo dos Santos, depois de comprar a carcaça do BCP!
- A TAP, como está, não tem nenhuma solução. O seu futuro não deve, por isso, ter qualquer influência na decisão que vier a ser tomada sobre a política aeroportuária nacional. Quanto ao Menezes-Santana, que se cuide e estude mesmo bem o dossiê da Ota antes de dizer disparates.
OAM 267, 24-10-2007, 15:28

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