Fogos 2003

A economia (e a política) do fogo

Para além dos pirómanos de serviço, que são uma excelente diversão para quem manobra a economia dos incêndios, a verdade que parece indelevelmente colada ao inferno de chamas que tem consumido milhares de hectares de floresta ( e mais de uma dezena de vidas humanas) é, uma vez mais, a criminalidade organizada. Directa ou indirectamente, esta criminalidade serve a concentração do capital florestal nas multinacionais da celulose e da pasta de papel, serve os especuladores imobiliários, e até parece servir as debilitadas finanças públicas do País (pois, como referiu uma ilustre comissária europeia, se os prejuízos atingirem 0,6% do PIB, dispara automaticamente um mecanismo de ajuda europeia no valor de muitos milhões de Euros, disponíveis já em Outubro…). Não sei se a avaliação dos estragos já estava feita quando a Senhora burocrata grega disse levianamente o que disse, mas presumo que alguém se encarregará desta aritmética maquiavélica!

Tal como noutros domínios, onde reina a lei da maquinação e o crime, este é um caso que merece uma investigação pública sem precedentes. A cidadania pode e deve criar um Observatório do Fogo, capaz de mapear a complexidade do fenómeno e de detectar as possíveis redes criminosas a ele associadas.
PS – Esta teoria, algo conspirativa, sobre a catástrofe deste Verão, não pretende ocultar duas outras realidades igualmente causadoras dos milhares de incêndios que anualmente afligem as povoações atingidas: a falta de ordenamento do território florestal (onde deve caber a legislação, a dotação de meios técnicos e humanos, a vigilância e a informação pública) e o aquecimento global, responsável por um número crescente de grandes incêndios, dificilmente controláveis, em todo o mundo. Num País densamente florestado como Portugal, mas que por outro lado se encontra pressionado pela desertificação que avança do Norte de África sobre a Península Ibérica e o Sul da Europa em geral, teremos que perspectivar urgentemente todo este problema de uma forma estratégica: com relatórios científicos apropriados, e com um Programa Estratégico Contra a Desertificação, politicamente assumido, não apenas pelos Partidos políticos, mas por toda a Sociedade Civil. — ACP [actualizado em 17.08.2003]

O-A-M
blog #4
Segunda-feira, Agosto 11, 2003

¶ 1:44 AM

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