Discussão da tanga

Os jogos da sedução erótica tendem para uma transparência cada vez maior.

SirenssecretsO-A-M

blog #15

Sábado, Outubro 04, 2003

 

Até em França se vai tornando problemático gerir a erotização global em curso – fruto de uma socialização daquilo a que Anthony Giddens chama a “sexualidade plástica” -, hiper estimulada pelos omnipresentes e capilares canais mediáticos e por uma cultura a que eu chamaria, ora de consumo imaginário, ora de consumo criativo.

A polémica rebentou entre as direcções de algumas escolas secundárias, alunas, pais e Ministério da Educação, em volta da tanga: uma cuequinha minimal (o famoso fio dental), que deixa as nádegas completamente à vista. Sucede que entre as jovens francesas, seguramente estimuladas pelas equações televisivas do género “o que é bonito é para se ver e além disso quem sabe se não seremos catapultadas um dia destes para a fama num qualquer ambicionado Big Brother”, usar uma tanga, “une string”, “a thong”, e uns Jeans pelas ancas (deixando apreciar o que a dita cuequinha exibe provocadoramente) é o máximo!

Para alguns, socialistas moralistas incluídos, este entusiasmo feminil conduz a reduzir a mulher a um traseiro, o que não deixa de ser uma imagem desmiolada da nova fêmea do séc.21. Para outros, mais institucionalmente vigilantes e preocupados, há o dever de avisar as moças para as consequências potenciais deste género de exibicionismo erótico (provocações verbais, assédio sexual e violações). Recomenda-se, pois, uma conversa franca e esclarecedora com as raparigas sobre a necessidade de contextualizar o uso da moda, por exemplo, de modo a evitar desestabilizar sexualmemte os ambientes supostamente frios da concentração intelectual inerentes aos perímetros académicos.

Eu tenho, porém, uma teoria sobre estes exibicionismos: homens e mulheres de carne e osso têm cada vez mais que competir com os modelos mediáticos e digitais que afluem massivamente contra cada um de nós. Numa sociedade em que a sexualidade não reprodutiva ganha uma prevalência definitiva sobre a sexualidade reprodutiva e os seus tabus, os jogos da sedução erótica tendem inevitavelmente para uma transparência textual e iconográfica cada vez maior. O problema é, uma vez mais, o de saber gerir a Complexidade. E também, o de saber gerir a transição de uma sociedade sexualmente reprimida e obscurantista para o reino da sexualidade plástica, socialmente assumida como um jogo entre iguais. — ACP

Referências:

+01: a sugestão deste artigo veio dum mail de Nilo Casares s/ o artigo do Le Parisien, de 03/10/ 2003, ” Pas de string à l’école”, assinado por Stéphane Sellami.

+02: aconselho vivamente a leitura de “The Transformation of Intimacy”, de Anthony Giddens.

sexy string

¶ 1:01 PM

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