Voto europeu 1

Sousa Franco? Gosto deste alien!

O Rapto de EuropaO-A-M
#26
3 Junho 2004

A profunda decepção provocada pelo caso de pedofilia, cujo andamento continua a ensombrar o Partido Socialista, tem-me levado a pensar na possibilidade de votar em branco nas eleições do dia 13 de Junho. As alternativas ultra-minoritárias — a incorrigível estalinista e a bloquista —, são inconsistentes e demagógicas, nada oferecendo de, política ou intelectualmente, relevante. No meu caso, nunca esteve em causa a possibilidade de votar na “Força Portugal”. E o PS, com a direcção actual, assusta qualquer pessoa decente.

Cheguei, confesso (como ex-trotskysta), a colocar a hipótese de votar no Bloco de Esquerda, sobretudo pelas boas prestações parlamentares de Francisco Louçã. Mas depois de ouvir o vazio de generalidades e a assustadora incompetência basista de Miguel Portas no primeiro (e felizmente único!) debate a 4 sobre as Europeias, desisti imediatamente. O trotskysmo da IV Internacional, ou o que dele sobrevive, não foi ainda capaz de escrever um novo programa de acção política ajustado ao Capitalismo global. Para isso, ser-lhe-ia necessário repensar seriamente a teoria das organizações e classes sociais, bem como toda a teoria sobre a natureza do poder. O que até hoje foi incapaz de fazer. Ora sem teorias verosímeis (por exemplo, Anthony Giddens desenvovleu uma revisão teórica verosímil dos pressupostos marxistas…), não pode haver método credível na acção e na propaganda política…

Resumindo: não quero votar no PS actual. Não voto, obviamente, na coligação de direita (apesar da simpatia que João de Deus Pinheiro consegue irradiar). Nunca votaria em estalinistas. E o pequeno Bloco de Esquerda também não me convence. Que fazer?!

Depois de escutar a resposta dada por Sousa Franco à catilinária boçal dum deputadozinho PP, decidi-me: vou votar no candidato do Partido Socialista! Sim, não vou votar no PS. Vou votar no Sousa Franco: uma personalidade política que em nenhum caso deixará de defender astutamente os nossos interesses nacionais no Parlamento Europeu. O modo sagaz como aproveitou a imbecilidade do adversário no episódio sobre as desvantagens da calvície, revelou uma força anímica e frieza táctica notáveis. A sua resposta ao sem-abrigo Paulo Portas ficará certamente no pequeno historial da decadência e fim da actual coligação governamental.

Que com isto acabe por ajudar a potenciar uma vitória do Partido Socialista mais folgada do que o respectivo aparelho, e sobretudo a sua Direcção, merecem, é um preço que, apesar de tudo, estou disposto a pagar neste momento. — AC-P

IMG: “O Rapto de Europa”, fresco em Pompeia. Foto: Bildarchiv Preußischer Kulturbesitz

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