Socrates 1

Manuel Alegre protagoniza fim do soarismo. Partido Socialista clarifica tendências: social-democratas e socialistas.

O-A-M
#34
22 Julho 2004

Toque de finados no soarismo: depois de Manuel Alegre, grande poeta e símbolo fortíssimo da identidade PS, ter aceite protagonizar a tendência socialista que se oporá ao social-democrata José Sócrates no próximo congresso do Partido Socialista, João Soares passará irremediavelmente à história como ex-putativo herdeiro da dinastia soarista. A ideia de um Partido Socialista encavalitado entre a Social-Democracia e o Socialismo, sob a batuta de um líder bonapartista, chegou ao fim. Mais uma consequência imprevista da decisão presidencial sobre a actual crise política. De facto, como escrevi antes de Sampaio se decidir pela nomeação de Santana Lopes para o cargo de Primeiro-Ministro do recém empossado Governo, a metamorfose à vista do PSD (na direcção de um partido de Direita populista, liberal, católico e totalmente enfeudado aos interesses do que resta da exangue burguesia nacional) terá um efeito dominó sobre todo o espectro partidário.

Não sabemos o que nos reserva o futuro imediato destes ajustamentos tectónicos na estrutura partidária do País. No PS, parece todavia evidente que a sua inadiável clarificação interna, no sentido de uma divisão de forças entre as tendências social-democrata e socialista, fechará de vez o grande ciclo soarista que presidiu (às claras ou na sombra) aos destinos deste vector essencial do regime democrático português. Se nos próximos dois anos Santana Lopes fizer tantos disparates quantos são esperados (pela Oposição e por Paulo Portas), e por conseguinte se puder prever com alguma razoabilidade a vitória da Esquerda nas próximas Legislativas, seria bom para todos que fosse José Sócrates, e não Manuel Alegre, a vencê-las.

Dito isto, parece-me igualmente crucial, para o novo ciclo que hoje começa na vida do Partido Socialista, que a tendência liderada por Manuel Alegre e protagonizada, entre outros, por Maria de Belém Roseira, João Cravinho, Augusto Santos Silva e Jorge Lacão, andasse rapidamente na invenção de um discurso socialista inovador, capaz de forçar os social-democratas do PS a exercitarem um pragamatismo político à altura dos frágeis equilíbrios e carências da sociedade portuguesa. Para isso servem os poetas!
— AC-P

One response to “Socrates 1

  1. Lamento, mas escreve-se SOCIAL-DEMOCRATAS E NÃO SOCIAIS-DEMOCRATAS.

    Nas palavras separadas com hifen apenas a ultima fica no plural.

    Fica a correção, deste erro comum nos media e nos blogs!

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