Democracia Digital

A solução é simples, Dr. João Soares: proponha ao PS uma votação electrónica

15 mnOAM
#36
2 Agosto 2004

A extraordinária afirmação de João Soares sobre os salteadores do voto perdido que espreitam a próxima eleição do Secretário-Geral do PS (ver cacha ao fundo deste txt) merece, mais do que uma sonora gargalhada, alguma ponderação. De facto, não foi assim há tanto tempo que ouvimos falar da limpeza dos cadernos eleitorais do Partido Socialista. Podemos, por outro lado, imaginar a dificuldade de garantir uma total transparência eleitoral, se entretanto não houver uma definição e uma publicitação claras das novas regras do jogo. Se, como parece ter afirmado Sérgio Sousa Pinto, João Soares não tem gente suficiente para acompanhar as centenas de mesas de voto previstas, a coisa começa a ficar mesmo feia (para ele claro!)

Para este pequeno grande problema creio, porém, haver remédio seguro. Seja porque faltam militantes nas mesas eleitorais previstas, seja porque faltam mesas de voto e sedes partidárias (não sendo nada conveniente improvisar soluções mais ou menos clandestinas para este género de acto democático), seja, em suma, porque existem militantes irremediavelmente longe de qualquer mesa eleitoral, a solução mais segura e transparente para resolver este problema técnico (sejamos benevolentes…) reside na montagem dum sistema electrónico de votação. Podemos mesmo ir mais longe nesta ideia, propondo que tal sistema se alargue ao campo do debate político, nomeadamente através do lançamento dum Wikiki geral sobre o processo eleitoral e um Blog por cada um dos candidatos. Manuel Alegre, apesar do comentário rasteiro proferido no Domingo pelo tira-nódoas da actual maioria (o Professor Marcelo), adiantou-se na modernização das suas ferramentas de comunicação, lançando a tempo e horas o seu Blog.

Um tal sistema terá todavia que dar as garantias que a actual pseudo-sondagem enxertada na página de João Soares não garante. Podendo qualquer um de nós responder repetidamente (ainda que de 12 em 12 horas!) a esta sondagem, tamanha azelhice técnica permite uma óbvia manipulação de resultados. Quando participei no dito joguinho, os números foram os seguintes: 40.48% para Manuel Alegre, 17.86% para João Soares e 41.67% para José Sócrates. Somando as duas primeiras parcelas teríamos obviamente o fim das aspirações de José Sócrates. Temos que ser mais sérios, não acha Dr. João Soares?

Eu creio que Manuel Alegre, tal como Sousa Franco, nos surpreendeu e gerou uma imediata empatia, junto do eleitorado de esquerda, mas também junto daquele outro eleitorado a que gosto de chamar inteligente. Não há apenas uma Direita dos interesses. Há também, como todos sabemos, uma Esquerda dos interesses, tão ávida quanto a primeira na partilha dos bolos orçamentais, e tão ou mais irresponsável que a exangue burguesia portuguesa no abandono sistemático de uma ideia de vida e de futuro. Estamos todos demasiado desconfiados dos políticos. Não lhes damos, de facto, nenhum crédito. Aturamo-los, procurando apenas errar o menos possível nas escolhas, cada vez mais medíocres, que nos saiem na lotaria. Talvez por isso, uma personalidade como Manuel Alegre tenha surgido diante de nós como uma alternativa, no que poderíamos chamar o campo da dignidade e do compromisso desinteressado com a causa pública. Vamos ver se será capaz de levar a esperança a bom termo.

Para dizer a verdade, de momento, o meu coração inclina-se para Alegre, mas a minha cabeça, para Sócrates. Tudo vai depender do mês de Setembro. Assistimos a uma metamorfose do nosso sistema partidário. Mas assistimos também a uma reforma positiva nas dinâmicas organizacionais dos próprios partidos. O passo seguinte será o de incorporar a grande massa dos simpatizantes, consistentes ou ocasionais, na lógica formativa das maiorias que democraticamente se sucedem no interior das próprias formações partidárias. — AC-P

Transparência.

A eleição do Secretário Geral do PS pode, e deve, ser um processo profundamente “revolucionário” em Portugal. E pedagógico também. Pela primeira vez um líder partidário será escolhido em sufrágio directo. Voto livre e directo de todos os militantes do PS. Uma mulher ou um homem um voto. Importa pois garantir transparência, limpidez e cumprimento das regras legais de voto e escrutineo. Só assim teremos verdade e democracia. São cada vez mais precisas na nossa, tão desacreditada, vida politica. Este é um objectivo por que me baterei com todas as minhas forças. Até para evitar a previsão que o S.S. Pinto me fez aqui há pouco mais de um mês:”tu vais ser roubado”. [8/2/2004]

in site de João Soares

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