Women on Waves 7

Bluff de Paulinho Portas vence Santana Lopes por K.O. ao primeiro assalto!

OAM
#47
03 Setembro 2004
Depois de levar um puxãozinho de orelhas do Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Santana Lopes proclamou (à laia de retaliação contra o excesso de zelo provocatório do Sr Portas) que o debate sobre a lei do aborto regressaria à agenda política já no próximo período legislativo. Anunciou que não gostava de coisas estáticas e que a inflamação pública em volta do aborto poderia acalmar muito em breve. A postura denotava uma óbvia confrontação com o chefe do partido minoritário da actual coligação. Iria resistir ao confronto?
Vimos, ao final da tarde de ontem, que não! O Paulinho bateu o pé; ameaçou rebentar com a coligação; e o Santana Lopes amochou que nem um cordeirinho manso antes do sacrifício. Que mau passe! Pensou que o seu amigo de tantas confidências iria tramá-lo? Pensou que ele estaria disposto a romper a coligação? Mau jogador de Póker este Primeiro-Ministro.
Paulo Portas jamais romperia a coligação, por que no dia em que o fizer, se o fizer antes de quebrar de vez a espinal-medula do PSD, perderá qualquer possibilidade de voltar ao poder em muito tempo, perdendo de seguida o PP (que naturalmente se revoltaria contra ele). Por outra parte, talvez seja mais fácil a Santana Lopes levar um Governo minoritário até ao fim da Legislatura, negociando habilmente com um PR tolerante e com um PS ainda em crise, do que prosseguir o Calvário da convivência com o actual líder do PP. Não ver o tabuleiro do actual xadrez político-partidário desta forma vai-lhe sair muito caro.
Quanto ao Presidente da República, perante o verdadeiro caos que reina na Administração Pública e a instabilidade psicológica que grassa na sociedade civil, a continuar o ambiente de confronto entre a ambição desproporcionada de Paulo Portas e a própria estabilidade institucional, o melhor será tirar as devidas ilações da filosofia que presidiu à decisão de empossar o actual governo de opereta. O chefe de um governo democrático não pode ser condicionado pelo seu Ministro da Defesa, sujeitando-se ciclicamente à chantagem do fim da coligação, sob pena de assistirmos a um aviltamento ainda maior do actual sistema político.

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