Bárbaros de Beslán

Petróleo, Guerras Assimétricas e Terrorismo

Sobreviventes de Beslan. Photo: Sky NewsO-A-M

#48

04 Setembro 2004

Depois de assistirmos a um Primeiro-Ministro de gatas perante o seu obstinado e calculista Ministro da Defesa, vimo-lo hoje babar-se de pena diante da tragédia de Beslán. Podia ter enviado uma mensagem de repúdio da acção terrorista. Podia ter enviado um fax de solidariedade com o povo Russo à pessoa (sinistra) de Vladimir Putin. Mas não, o importante foi desmultiplicar-se em poses televisivas lacrimejantes sobre o sucedido, fazendo alusões soezes à embrulhada em que se viu envolvido por causa das Women on Waves e da qual saíu completamente ridicularizado por Paulo Portas. Não vomitei, porque me ri.

Como se isto não bastasse, tive ainda a infelicidade de escutar o pomposo Ângelo Correia, armado em especialista do Médio Oriente e dos Assuntos Árabes, dizendo disparates de monta sobre a Chechenia. Para ele, o terrorismo não passa de uma fúria anti-civilizacional; as forças de intervenção militar não provocaram o terrível desfecho que os pais e mães das crianças temiam (e à semelhança do que sucedera em Moscovo); a Chechenia não tem interesse económico nenhum, muito menos que justifique aquele inferno; em suma, há que malhar nos turras, mesmo matando uns milhares de compatriotas pelo caminho, e pronto. Sempre gostaria de saber por quem corre este condottieri

A minha posição de princípio sobre o terrorismo é a mesma que a defendida sobre o uso da guerra na resolução de conflitos de interesses: por mais sérios que estes sejam, nada os justifica numa sociedade tecnológica e informacionalmente aberta. Mas isto não significa alimentar a ingenuidade de pensar que o terrorismo (acções de sabotagem, assassinatos selectivos ou em massa, bombas humanas, raptos e sequestros, sobretudo dirigidos a alvos indefesos) seja uma invenção do Diabo. Ou que seja o resultado de mentes doentiamente saturnianas. Ou ainda uma praga, denominada agora com o pomposo nome de Choque de Civilizações. O TERRORISMO, como escrevi noutra ocasião [Vontade e Terror], TAMBÉM É A CONTINUAÇÃO DA POLÍTICA POR OUTROS MEIOS. Sem compreender as causas dos conflitos, não poderemos pois fazer qualquer juízo de valor sério sobre as suas consequências trágicas. Repudiamo-las como provas da barbárie humana, mas não devemos, por respeito à nossa faculdade de julgar, valorizar como intolerável uma acção terrorista, e como justificado o bombardeio massivo de cidades, vilas e aldeias por Forças Armadas de um qualquer Estado. As vítimas são as mesmas, e o seu horror também!

Sugiro, em suma, que nesta como noutras matérias da vida actual, busquemos activamente a informação para lá dos esquemas de contra-informação veiculados por uma imprensa de massas cada vez mais estupidificada, corrompida e directamente ligada aos interesses dos respectivos donos. Neste caso, recomendo vivamente a leitura do relatório sobre a Chechenia elaborado pela Radio Nederland.

Petroleo y terrorismo: una relacion explosiva

El diario holandés Het Financieele Dagblad, especializado en temas económicos, publica un artículo titulado: “El hambre de petróleo alimenta el terrorismo”, de Heiko Jessayan.  El articulista constata que la ingerencia estadounidense convierte al Cáucaso en un verdadero polvorín. Detrás del drama del secuestro en Moscú, consecuencia del conflicto entre Rusia y Chechenia, están los intereses financieros de empresas petrolíferas transnacionales como Chevron, Exxon Mobil y Unocal. Según Jessayan la guerra fría está lejos de haber terminado.

artigo completo

Importante relatório sobre Chechenia

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