2006 crise mundial 2

Stock Market crash in Saudi Arabia

A acumulação dos factores de risco

“ The plain truth is, if anything happens to upset the current management and allocation system of the the global oil markets, the industrial economies of the world will collapse, and America’s will collapse hardest and worst because of the way we have arranged things for ourselves. The global oil markets currently revolve around Middle East oil production. If the region is overcome by instability, than it’s simply GAME OVER.” — James Howard Kunstler in Clusterfuck Nation.

1. A suspensão da publicação do agregado estatístico M3 por parte do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve System (Fed), com efeitos desde 23 de Março último, serve, segundo alguns analistas, para esconder uma possível monetarização da gigantesca dívida dos Estados Unidos (pública e privada.) Qualquer coisa como $42.000.000.000.000, i.e. 42 biliões de dólares, 18 vezes o orçamento federal de 2006, e 3 vezes o PNB dos EU em 2005 (segundo os cálculos da conservadora Heritage Foundation.)

2. Apesar de não ter sido concretizada, a ameaça de cotizar o petróleo iraniano em euros continua a pairar sobre a presente crise mundial, assim como o efeito de contágio que uma tal decisão poderia desencadear noutras bolsas mundiais cada vez mais incomodadas com a persistente instabilidade da moeda americana e a galopante dívida dos EU. Na própria Noruega há já quem defenda a cotização do petróleo do Mar do Norte em euros…

“Não utilizaremos a arma do petróleo por agora porque não queremos enfrentar outros países. Porém, se a situação mudar, ver-nos-emos obrigados a modificar a nossa atitude e a nossa política”

— declarou Javad Vaidi, vice-presidente do Conselho Superior de Segurança Iraniano, à AFP.

3. A chamada crise nuclear iraniana (há muito inscrita na agenda geo-estratégica dos EU) entrou num compasso de espera, dados os múltiplos factores adversos às intenções agressivas da Administração Bush: falta óbvia de uma ameaça credível por parte do Irão (este país não dispõe de nenhuma bomba atómica, nem sequer da tecnologia para a desenvolver, ao contrário de Israel, que detem em seu poder 200 cabeças nucleares prontas a disparar…); a China e a Rússia já disseram que não querem aventuras militares perigosas no Irão; os inquéritos de opinião mostram que os povos Europeus estão absolutamente contra tal perspectiva; parece ainda que sectores importantes do Pentágono têm vindo a minar paulatinamente o desencadeamento, para já, de um novo e imprevisível teatro de guerra.

4. No dia 14 de Março as bolsas do Qatar e Emiratos Árabes Unidos perderam 15% em apenas 24 horas. A bolsa da Arábia Saudita perdeu 1/3 do seu valor ao longo no mês passado e continuava a cair a pique este Sábado, 26 de Março. Dada a invisibilidade mediática desta ocorrência, vale a pena acompanhar os números na Gulf Base e no site da Bahrain Tribune

5. O governo dos EU encontra-se em situação de falha técnica (technical default) desde meados de Fevereiro do corrente ano, por ter ultrapassado o tecto do endividamento público fixado pelo Congresso, sem que o mesmo Congresso, avisado pelo Secretário de Estado do Tesouro, John Snow, mas receoso dos resultados eleitorais de Novembro, tenha decidido subir o referido tecto em 10% da actual dívida pública, i.e. 800 mil milhões de dólares (a dívida publica dos EU dólares, em 22 de Março, era de $8.347.486.113.319,40).

6. O Vice-Presidente do Fed, Roger Ferguson, abandonou em Fevereiro passado as suas funções, 8 anos antes de terminar a sua comissão de serviço e algumas semanas depois de o novo governador indicado por Bush, Ben Bernanke, assumir a presidência.

7. A subida das taxas de juros por parte do Banco Central Europeu e o Banco Central do Japão pôs fim à sua política de facilidades no acesso ao dinheiro.

8. O Fed comprou 1/3 dos Títulos de Tesouro por si lançados no último trimestre de 2005. Os restantes títulos foram comprados por bancos centrais estrangeiros.

9. Dúvidas crescentes sobre a credibilidade dos números anunciados pelo governo americano (em linha com o hábito de mentir instalado na Casa Branca desde a crise iraniana), temem que se venha a reconhecer, depois das eleições de Novembro, que o país entrou efectivamente em recessão em 2005, e que só sairá dela, na melhor das hipóteses, em 2007! Para mais detalhe: John Williams’ Shadow Government Statistics

10. O Fed pediu discretamente aos negociantes de Wall Street para desenvolverem um banco de recurso (stand-by bank) que entraria em acção se algum dos dois principais bancos responsáveis pelo clearing das operações do Fed com títulos de tesouro (JP Morgan Chase e Bank of New York) vierem a ter problemas. in Finantial Times – 28/02/2006

11. O euro parece ser a única divisa capaz de resistir a um eventual colapso do EU dólar. Não se prevê qualquer abandono da moeda europeia por parte dos actuais aderentes, não sendo de descartar a hipótese de países como o Reino Unido, a Dinamarca e a Suécia acabarem por antecipar a sua entrada no clube monetário Europeu.

A conjunção destes factores agravantes da presente crise mundial não deu até agora origem à anunciada catástrofe financeira global. Mas que a rolha da garrafa de champanhe está prestes a saltar, ninguém duvida. Chineses, Britânicos, Japoneses e Árabes, entre outros detentores de trilionárias quantidades de notas verdes, suplicam para que não seja já, pois não estão nada interessados em perder dinheiro precioso para o lançamento de grandes investimentos (como o futuro pipeline que levará petróleo da Sibéria directamente à sequiosa China). A pandilha de Bush, gorada ao que parece a hipótese de uma nova aventura militar imediata no Irão, tenta evitar a todo o custo estatísticas adversas aos resultados eleitorais de Novembro próximo. O Irão, por sua vez, procura estancar os planos dos ultra-liberais americanos, ameaçando com o uso da arma petrolífera, mas sabendo abrandar habilmente esta ameaça quando obtem os resultados pretendidos — neste caso, uma unanimidade mundial contra os planos belicistas de Bush.

Se os mercados não entrarem em pânico com os trambolhões das bolsas do Médio Oriente (silenciados prudentemente pela generalidade dos média de todo o mundo); se se mantiver a pressão da opinião pública europeia contra qualquer tipo de envolvimento ou apoio a uma acção militar contra o Irão; e se a popularidade de Bush e Blair continuarem a pique em consequência das suas aventuras iraquianas e faltas de carácter, talvez possamos esperar por um adiamento do deflagrar da crise mundial. Teremos, nesta hipótese, a emergência de sucessivos epifenómenos, que a activa contra-informação com sede nas principais agências e informações mundiais (controladas, como se sabe, por grandes conglomerados económicos nada interessados em tornar público o que é bom manter como informação privilegiada) procurará ocultar. O Big Brother chegou!

Agradecimento: GlobalEurope Anticipation Bulletin Nr3 — March 16, 2006

Para uma circunstanciada selecção de links, que foi sendo actualizada ao longo da semana passada, ver a primeira parte deste artigo.

OAM #114 27 MAR 2006

One response to “2006 crise mundial 2

  1. parabéns pelo seu blogue… gosto de encontrar outros observadores atentos, dia-a-dia alerta, à procura dos possíveis desfechos desta novelatambém gsotei de ver o oGE e as propostas de acção.está adicionado à minha lista de observações diárias…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s