Petroleo 3

Evo Morales

Estado de emergência energética


“Producing regions tend to peak and then decline when they have used about 50% of their total recoverable conventional oil reserves (Qt). Kenneth Deffeyes, using a method called Hubbert Linearization (HL), estimated that the world crossed the 50% of (conventional crude + condensate) Qt mark in December, 2005. According to the EIA, December 2005 was the all time record high for world crude + condensate production. The latest data, for January, 2006, show a decline of about 500,000 bpd — Jeffrey J. Brown in Energy Bulletin, 20 Apr 2006” LINK


A crise iraniana e as posições da China e da Rússia sobre a mesma (nada de sanções!), o alarme franco-alemão (quer dizer, Europeu) face à imprevisibilidade de Teerão, a libertação das reservas estratégicas estado-unidenses por parte de George W. Bush, o pandemónio que vai na Nigéria e no Chade, o Tratado comercial assinado no dia 22 de Abril último entre a Bolívia, Cuba e Venezuela (demarcando-se do GATT, patrocinado em 1994 pelos EUA, Canadá e México), a eminência do surgimento de um mercado oficial de Petro-Euros sediado em Teerão, e agora o anúncio da nacionalização das reservas petrolíferas e de gás natural da Bolívia pela voz do presidente democraticamente eleito Evo Morales, tudo isto, e o mais que ainda veremos neste vertiginoso mês de Maio, promete-nos um Verão tórrido, com o dólar a cair a pique, o petróleo e o gás natural a subir sem parar (talvez mesmo até aos US$105 antes de chegarmos ao Outono, segundo a Goldman Sachs), e uma crise militar global, para cujo deflagrar basta puxar uma das muitas espoletas disponíveis: Teerão, La Paz-Caracas, Abuja, N’Djamena e Cartum, entre outras. Apesar do esforço de contenção verbal, é cada vez mais indisfarçável o nervosismo mundial e o gigantesco braço de ferro em curso pelos recursos energéticos indispensáveis ao crescimento das principais economias do planeta: petróleo, gás natural, carvão e… urânio.
Como refere Kenneth Deffeyes, o pico mundial da produção petrolífera foi atingido, muito provavelmente, em Dezembro de 2005. Coincidindo com a subida sustentada do preço do barril de petróleo, que ontem (02 maio 2006) atingiu um novo máximo de US$74,97, as importações de petróleo por parte dos EUA descresceram 15% desde o dia 10 de Fevereiro passado (i.e. cerca de 2 milhões de barris/dia), ou 8% (i.e. 1 Mbpd) se contarmos a partir de 24 do mesmo mês. No correspondente período de 2005 a queda nas importações líquidas de petróleo foi de 2%. O recurso às reservas estratégicas decorre pois da impossibilidade de aumentar as importações de um bem activamente disputado por todos… (1)
Perante esta crise tendencialmente catastrófica, apenas resta aos Estados inteligentes e corajosos fazer uma coisa: declarar o estado de emergência energética! Desta declaração deverão sair medidas tão radicais como o aumento considerável dos impostos sobre combustíveis; um programa radical de eficiência energética tendo como meta diminuir no prazo de 1-2 anos 20% dos custos com energia derivada do petróleo e do gás natural; desenhar um programa inteiramente novo de transporte de pessoas e de mercadorias; rever os programas de construção de novas refinarias; abandonar todos os devaneios sobre novos aeroportos internacionais; rever criteriosamente os programas ferroviários de alta velocidade e… reabrir seriamente o dossiê nuclear? (2).
Menos do que isto será deixarmos os países resvalarem para o abismo de uma grande estagnação económica, grande instabilidade social e perigosas derivas securitárias. Recomendo vivamente ao meu país (Portugal) que crie um Conselho Nacional da Energia, independente dos jogos políticos de conjuntura, com a capacidade científica e política de analisar e fazer recomendações técnicas de curto e médio prazo, sobre o período de longa emergência energética em que visivelmente acabámos de entrar à escala global. E antes mesmo de este Conselho ver a luz do dia, as cidades podem e devem fazer uma travagem energética imediata, tal como o estão fazendo 227 cidades estado-unidenses, apesar de Bush não ter ratificado até agora o Protocolo de Quioto. (3)


1 — “Sadad al-Husseini, recently retired as head of exploration and production at Aramco, the Saudi national oil company, notes that new oil output coming on-line had to be sufficient to cover both annual growth in world demand of at least 2 million barrels a day and the annual decline in production from existing fields of over 4 million barrels a day. ‘That’s like a whole new Saudi Arabia every couple of years,’ Husseini said. ‘It’s not sustainable.’ (…)
While some CEOs sound very bullish about the growth of future production, their actions suggest a less confident outlook. One bit of evidence of this is the decision by leading oil companies to invest heavily in buying up their own stocks. ExxonMobil, for example, with the largest quarterly profit of any company on record—$8.4 billion in the last quarter of 2004—invested nearly $10 billion in buying back its own stock. ChevronTexaco used $2.5 billion of its profits to buy back stock. With little new oil to be discovered and world oil demand growing fast, companies appear to be realizing that their reserves will become even more valuable in the future. (…)
The influence on oil production in the years immediately ahead that is most difficult to measure is the emergence of what I call a ‘depletion psychology.’ Once oil companies or oil-exporting countries realize that output is about to peak, they will begin to think seriously about how to stretch out their remaining reserves. As it becomes clear that even a moderate cut in production may double world oil prices, the long-term value of their oil will become much clearer.
” — Lester R. Brown, in THE COMING DECLINE OF OIL. VOLTAR
2 — Recebi a propósito deste dossiê um mail muito oportuno, onde o Comissário Europeu da Energia, Andris Pielbags, escreve o seguinte alerta: “Since the 1970’s, improved energy efficiency has contributed more to our energy balance than any other single energy source except oil. More than coal, more than gas, and more than nuclear energy or renewables. These ‘negawatts’ have been every bit as valuable in economic terms as the ‘produced watts’ of energy they replaced. With today’s energy prices a negawatt of energy savings costs about half of what it costs to produce the same amount of energy. The cheapest, most competitive, cleanest and most secure form of energy for the European Union thus remains saved energy.”
[actualização: 30 Maio 2006] Vale ainda a pena ler a entrevista de Aníbal Fernandes ao JN de 25 de Maio sobre o ‘embuste’ nuclear proposto por Patrick Monteiro de Barros (ver PDF, 592KB) VOLTAR
3 — “Reconhecendo que o aquecimento global pode estar a aproximar-se rapidamente do ponto de não retorno e que o mundo não pode esperar pelo governo dos Estados Unidos, centenas de presidentes de câmara de cidades estado-unidenses apelaram ao corte nas emissões de gases com efeito de estufa. Ao assinarem o U.S. Mayors Climate Protection Agreement, estes presidentes de câmara — representando cerca de 44 milhões de americanos — comprometeram-se com as suas cidades a atingir ou ultrapassar o objectivo de redução das emissões previsto no Protocolo de Quioto, apesar da recusa do governo federal de ratificar o tratado. — Janet Larsen, in Earth Policy Institute (03 maio 2006)”. Um exemplo para as restantes cidades do mundo, mesmo aquelas que pertencem a países que assinaram o protocolo… LINK TOPO

Actualização [06 Ago 2006]: Explosive Oil Consumption Growth in the Top Oil Exporting States by Randy Kirk

OAM #120 03 MAI 2006

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