Israel-Libano 1

Aeroporto de Beirute sob fogo israelita

Estado e Terrorismo

[21 Jul 2006] “Would you not agree that Muslim clerics in the Middle East (Sunnis and Shi`ites alike) expressed more outrage over Danish cartoons than over the destruction of Lebanon?” — As’ad AbuKhalil in The Angry Arab News Service

[25 Jul 2006] “[A] soldier is abducted from the army of a state that frequently abducts civilians from their homes and locks them up for years with or without a trial—but only we’re allowed to do that. And only we’re allowed to bomb civilian population centers . . . The concept that we have totally forgotten is proportionality. While we’re in no hurry to get to the negotiating table, we’re eager to get to the battlefield and the killing without delay.” — in Operation Peace for IDF, by Gideon Levy, HAARETZ.com

Apesar da antiguidade milenar do povo judeu, o moderno Estado de Israel é uma estranha novidade histórica. Na verdade, pode dizer-se que foi um invento recente da Federação Sionista, estrategicamente estimulada pelos súbditos bem avisados de sua magestade britânica (que não queriam judeus russos em Londres, mas queriam assegurar o controlo de uma zona rica em petróleo), com um primeiro grande impulso em 1917 e outro decisivo em 1948. A sua proto-história tem por conseguinte menos de um século, e a sua história uns escassos 54 anos de vida agitada e violenta. Percebe-se, pois, o remoque do senhor de Teerão quando diz aos ingleses e americanos, principais responsáveis do problema chamado Israel, que o resolvam.

Israel mostrou-se uma realidade difícil de digerir desde o primeiro minuto que pôs o pé nas areias áridas e pouco produtivas da Palestina. Os árabes começaram por lhe fazer a guerra assim que o novo Estado foi declarado. Diga-se, em abono da verdade, que Israel não contou nem com o apoio norte-americano, nem com os ingleses (que apoiaram tacitamente a frente árabe) para ganhar esta primeira guerra. As que se lhe sucederam, que também ganhou, fortalecendo sucessivamente a sua capacidade militar ofensiva e defensiva, foram contando progressivamente com o apoio cada vez mais explícito e prático do lobby judeu estado-unidense. Hoje é uma respeitável potência nuclear (com mais de 200 ogivas prontas a disparar!) O resultado destas vitórias foi, porém, um calvário para os povos árabes da Palestina. Divididos, desapoiados e humilhados, acabariam por enveredar pelas acções terroristas como principal táctica de oposição bélica ao novo país legalmente constituído. Israel decidiu responder com a táctica “olho por olho, dente por dente”… até que, mais recentemente, resolveu considerar que um judeu vale mais do que um árabe… e que dois soldados israelitas valem dez ministros do Hamas, a invasão e destruição de um país estrangeiro, centenas de vítimas civis e o terror de milhões de pessoas!

Israel deixou arrogantemente de respeitar a ONU, tal como o fazem todas as grandes potências quando lhes convém. Humilha sistematicamente as populações árabes da Palestina e os seus desgraçados e corruptos dirigentes. Invade os territórios e Estados vizinhos como se fossem casa sua. Por fim, perante a ameaça iraniana (estabelecer uma paridade nuclear naquela zona geo-estratégica), decidiu que chegara a hora de esclarecer militarmente um abcesso que ameaça, supostamente, a sua sobrevivência. A verdade é que a supremacia militar convencional, termo-nuclear, biológica e química de Israel e do seu principal patrocinador (os EUA) conduziu à expoliação e humilhação permanentes dos povos da Palestina, Irão e Iraque, não só ao longo de todo o século 20, mas sobretudo agora, quando a luta pelo controlo do petróleo e gás natural ameaça lançar o planeta numa tragédia inimaginável.

Esta é a primeira grande guerra entre judeus e muçulmanos no século 21. Devemos contudo olhar para ela como um episódio sangrento da guerra sem quartel que aí vem.

Não sabemos ainda se foram os Estados Unidos que envolveram Israel numa manobra de provocação contra o Irão. Se foi Israel quem programou subtilmente o envolvimento dos Estados Unidos numa confrontação próxima com o Irão. Ou se foi este último, como afirma o actual governo israelita, que preparou toda esta diversão e carnificina, com o objectivo de prosseguir a sua equiparação nuclear ao Estado de Israel, promovendo pelo caminho um afastamento mais decidido da China e da Rússia, dos Estados Unidos e da Europa.

Uma coisa é certa: a escassez anunciada do petróleo comandará os jogos de guerra mais próximos, tendo por teatro de operações privilegiado toda a zona compreendia entre o Irão, o Mar Cáspio e o Golfo Pérsico. Uma zona irresistível para os grandes especuladores, aventureiros, traficantes e assassinos.



Actualizações
[25 Ago 2006] Amnistia Internacional acusa Israel de cometer crimes de guerra e de terrorismo de Estado. In BBC online e Global Research.
[25 Jul 2006] É agora evidente para todos, depois das recentes declarações de Shimon Peres sobre o aniquilamento da Palestina (‘ou eles ou nós!’), da destruição sistemática das principais infra-estruturas do Líbano, dos bombardeamentos sucessivos contra alvos civis e do assassínio premeditado de quatro observadores das Nações Unidas (da China, Áustria, Canadá e Finlândia) estacionados no Sul do Líbano, que Israel se tornou, de facto, num Estado fora-da-lei. A situação é muitíssimo perigosa! A reacção da China perante a provocação assassina de Israel e dos Estados Unidos (que financia, arma e apoia descaradamente a fúria desesperada do estado Sionista) pode muito bem acelerar toda a actual conjuntura de pré-guerra global para o seu desencadear a curto prazo. Será que é mesmo isto que os Estados Unidos querem: antecipar uma guerra global, antes de a China poder chegar à paridade económica com a militarizada mas falida potência yankee? Vale a pena ler, entre outras referências, a entrevista a Noam Chomsky por Amy Goodman & Juan Gonzalez, no Democracy Now, bem como o artigo de Ken Silverstein no Harper’s Magazine, We Fight Why? Israel’s raid on common sense.

LINK 1 — A III GUERRA MUNDIAL JÁ COMEÇOU? — [13 Jul 2006] “Did World War III start yesterday morning? The great thing about predicting human events is that you are so often wrong. In this case, nothing would make me happier than to be in error. But, G-d help us all, I think the odds aren’t that bad that I’ m right. It is possible that yesterday morning, we started World War III.” In Sharon Astyk, Casaubon’s Book.

LINK 2 — “The bombings of Lebanon are part of a carefully planned military agenda. They are not spontaneous acts of reprisal by Israel. They are acts of provocation.” In Global Research, Israeli Bombings could lead to Escalation of Middle East War, by Michel Chossudovsky.

LINK 3 — “Much of the United States policy in the Middle East and Central Asia is guided by acquiring strategic depths before Russia, China and Iran acquire strength. Iran wants to build nuclear weapons before the US and Russia are able to dominate the region. China is quietly making inroads in much of Asia and Africa before the US firmly establishes its global dominance. It’s not just the United States that is following a doctrine of pre-emption. China and Iran are playing the same game. Can some calculations go wrong when investors are most confident of global economic growth and political stability as they were in the years leading to the First World War?” In Strategic Foresight Group; The Big Questions of Our Time, Part 8: Ferguson’s Fears

LINK 4 — “NOAM CHOMSKY: Well, of course, I have no inside information, other than what’s available to you and listeners. What’s happening in Gaza, to start with that — well, basically the current stage of what’s going on — there’s a lot more — begins with the Hamas election, back the end of January. Israel and the United States at once announced that they were going to punish the people of Palestine for voting the wrong way in a free election. And the punishment has been severe.

At the same time, it’s partly in Gaza, and sort of hidden in a way, but even more extreme in the West Bank, where Olmert announced his annexation program, what’s euphemistically called ‘convergence’ and described here often as a ‘withdrawal,’ but in fact it’s a formalization of the program of annexing the valuable lands, most of the resources, including water, of the West Bank and cantonizing the rest and imprisoning it, since he also announced that Israel would take over the Jordan Valley. Well, that proceeds without extreme violence or nothing much said about it.

Gaza, itself, the latest phase, began on June 24. It was when Israel abducted two Gaza civilians, a doctor and his brother. We don’t know their names. You don’t know the names of victims. They were taken to Israel, presumably, and nobody knows their fate. The next day, something happened, which we do know about, a lot. Militants in Gaza, probably Islamic Jihad, abducted an Israeli soldier across the border. That’s Corporal Gilad Shalit. And that’s well known; first abduction is not. Then followed the escalation of Israeli attacks on Gaza, which I don’t have to repeat. It’s reported on adequately.” In Noam Chomsky Website [U.S.- Backed Israeli Policies Pursuing ‘End of Palestine’; Noam Chomsky interviewed by Amy Goodman & Juan Gonzalez, in Democracy Now, July 14, 2006]

LINK 5 — “We can never allow an (alien) nation to live in the land (of Israel) as he will always make a claim to the land. The concept of transfer is the only future for the State of Israel. Transfer provides the solution for survival.” In Israel’s Demographic and Security Challenge, Is Transfer the Only Rational Answer? By Bernard J. Shapiro

LINK 6 — “All of those people — millions in Ecuador, billions around the planet — are potential terrorists. Not because they believe in communism or anarchism or are intrisincally evil, but simply because they are desperate. Looking at this dam [Pastaza River, Ecuador], I wondered — as I have so often in so many places around the world — when these people would take action, like the Americans against England in the 1770s or Latin Americans against Spain in the early 1800s.” In John Perkins, ‘Confessions of an Economic Hit Man’

LINK 7 — “The wargame started with a crisis involving Iran which quickly escalated when the Tehran regime attacked shipping in the Persian Gulf; this in turn provoked a massive US naval response. As this conflict was developing, China attacked Taiwan, leading the US to split its forces in order to be able to respond to this additional challenge”. In Paul Rogers, The United States vs China: the war for oil, Open Democracy, 15 Jun 2006.

LINK 8 — “Is there a relationship between the bombing of Lebanon and the inauguration of the World’s largest strategic pipeline, which will channel more than a million barrels of oil a day to Western markets?
Virtually unnoticed, the inauguration of the Ceyhan-Tblisi-Baku (BTC) oil pipeline, which links the Caspian sea to the Eastern Mediterranean, took place on the 13th of July, at the very outset of the Israeli sponsored bombings of Lebanon.
” In Michel Chossudovsky, The War on Lebanon and the Battle for Oil, Global Research, 26 Jul 2006.

LINK 9 — “The failure of the Rome summit on 26 July 2006 and the unwillingness of the United States to press for anything more than a minor pause in Israel’s air offensive after the Qana tragedy on 30 July has not stilled the view in many western circles that the George W Bush administration will soon ensure a ceasefire in the Lebanon war. This ignores a key fact: Washington sees the war as a central part of the evolving global war on terror, with Israel as an absolutely vital part of that wider conflict.” In Paul Rogers, Lebanon: war takes root — The combination of United States global strategy, Israeli determination and Hizbollah resilience mean only one thing: a long war., Open Democracy, 03 Ago 2006.

Imagem: AP

Comentários não publicados: não darei seguimento a comentários acompanhados de links associados à guerra psicológica que acompanha a actual invasão do Líbano pelas tropas de Israel. Temos que impedir os falcões humanos de voar, mas sem cair na tentação de usar a pornografia do horror como arma de arremesso. AC-P

APELO DA AMNISTIA INTERNACIONAL

OAM #129 19 JUL 2006

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