Israel-Libano 3

Caixoes Libano
O seguidismo europeu face ao trio Bush-Olmert-Blair só pode conduzir a Europa ao desastre.

Europa sem vergonha

Se todos sabíamos que Israel é há muito o cavalo de Tróia dos EUA no Médio Oriente (1), na realidade uma verdadeira extensão armada até aos dentes da América, ficámos agora a saber que o Reino Unido é o cavalo de Tróia dos EUA na União Europeia. A inacção desoladora da ONU, que nenhum dos grandes países e respectivos afilhados respeita, foi escandalosamente secundada pela mais humilhante derrota sofrida pela União Europeia naquela que teria sido a sua grande oportunidade para: 1) afirmar uma política externa comum — pelo menos no que se refere à assunção das leis humanitárias da guerra —, e 2) dar um passo de gigante na contenção do egoísmo expansionista dos EUA nas próprias fronteiras geo-estratégicas da Europa. Um Solana patético balbuciando coisas sem nexo foi tudo o que os Europeus obtiveram de uma cimeira uma vez mais obstaculizada pelo veto britânico do Sr Blair — a verdadeira besta actual da política externa europeia.

Como no Afeganistão e no Iraque, os burros do Atlântico (que se vêm pedantemente como estrategos atlantistas), temerosos de perder os despojos da vitória criminosa de Israel (que só terminará, nos planos estado-unidense e sionista, depois de um confronto militar com a Síria e com o Irão), e por outro lado em pânico com as possíveis interrupções dos fornecimenos do petróeo iraniano e do gás russo, já decidiram juntar-se todos na anunciada zona tampão entre o Norte de Israel e o Sul do Líbano. Vai ser um desastre para a Europa e um passo certo na direcção de uma prolongada guerra terrorista mundial entre o Eixo da Corrupção e o chamado Eixo do Mal.

Ou muito me engano, ou os democratas de todo o mundo passarão, mais cedo ou mais tarde, à clandestinidade, como única possibilidade de organizar um levantamento mundial contra o rapto das democracias — não pelo dito Eixo do Mal, mas pela Máfia Global que tomou conta dos governos ocidentais e dos principais canais de comunicação de massas.
Não será em meu nome que a barbárie montada pelo triunvirato da corrupção formado pelos EUA, Israel e Reino Unido continuará a assassinar centenas, milhares, milhões de mulheres e crianças por esse mundo fora!


NOTAS

1 — Esta hipótese, a que Noam Chomsky poderia facilmente aderir, foi recentemente contrariada num polémico, para não dizer incendiário, paper universitário de dois importantes académicos norte-americanos, John J. Mearsheimer e Stephen M. Walt, e cujo argumento principal é a perda de autonomia estratégica da política externa dos Estados Unidos por efeito da influência que sobre ela exerce o lobby judeu liderado pelo American Israel Public Affairs Committee (AIPAC). A ser demonstrada esta tese, a América estaria confrontada com uma incerteza preocupante sobre o que tem determinado nas últimas décadas a prossecução dos seus interesses: se a sua democracia, ou se os interesses insinuados de outro país: Israel. Apesar das críticas sofridas a propósito de algumas inconsistências factuais, The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy é um documento de leitura obrigatória para quem quiser perceber o poder da direita judia americana na política dos Estados Unidos no Médio Oriente. A publicação da versão inicial deste estudo (10 Mar 2006) foi rejeitada pela revista que inicialmente o encomendou. Uma versão sem notas seria posteriormente publicada (23 Mar 2006) pelo London Review of Books, com o título The Israel Lobby

REFERÊNCIAS

14 AGO 2006 — Huge Buffer Zone Protects Us From Islamohordes, by Ted Rall.

“NEW YORK–Whether by military occupation or political cooption, powerful nations create buffer zones to protect their core homelands. In 1823 the Monroe Doctrine declared the Western Hemisphere, including all of Latin America, off limits to interference by other nations–a policy enforced, for example, during the 1962 Cuban missile crisis. Pointing to the carnage they suffered during World War II, leaders of the Soviet Union said they required a “sphere of influence” in Eastern Europe in order to protect themselves from another German attack.
Currently Israel, a regional mini-superpower with nukes, is fighting to reoccupy its 15-mile-wide “security zone” in southern Lebanon to shield its population from Hezbollah rocket attacks. “We have no other option,” said Israeli Defense Minister Amir Peretz.
Can invading or exerting political influence over another country ever be morally justifiable? If it can, how big a buffer zone is reasonable? The Bush Administration answered the latter question during an August 3rd hearing of the Senate Armed Services Committee. His answer was: 3,000 miles.
”

13 AGO 2006 — Triple Alliance: The US, Turkey, Israel and the War on Lebanon, by Michel Chossudovsky.

“Those Western heads of State and heads of government who overtly support Israel’s air raids and illegal occupation of Lebanon, are complicit in “war crimes” and “crimes against humanity.” This pertains specifically to those Western political leaders who, at the outset of the war, turned down the “cease fire” proposal, which would have led to a halt to the Israeli aerial bombardments, largely directed against the civilian population.”

06 AGO 2006 — Sempre é o petróleo! Embora inaugurado no passado dia 13 de Julho, o oleoduto que liga Baku (no Azerbeijão) a Ceyhan (na Turquia), passando por Tblisi (na Geórgia), só estará pronto, quer dizer, a debitar 1 milhão de barris de petróleo por dia, em 2009. Este oleoduto, conhecido por BTC, é uma operação liderada pela BP (British Petroleum), a qual detém 30,1% do negócio, contra 25% da AzBTC Co. (empresa petrolífera privada do Azerbeijão, na qual o Estado detem uma participação de 80%). Os restantes 45% repartem-se por algumas empresas bem conhecidas: Chevron (EUA, 2ª do respectivo ranking petrolífero), a cujo conselho de administração pertenceu Condolezza Rice, STATOIL (Noruega), TP (Turkiye Petrolleri), Eni (Itália), Total (França), ITOCHU e INPEX (Japão), ConocoPhillips (EUA, 3ª do respectivo ranking petrolífero) e Amerada Hess (EUA, 7ª do respectivo ranking petrolífero), dominada pela importante Hess Corporation, cujas relações com a Arábia Saudita e a própria família Bin Laden, nomeadamente na formação do consórcio Delta-Hess, foi objecto de conjecturas várias depois do 11 de Setembro. Percebe-se, agora, o afã do Sr. Blair em toda a conjuntura bélica do Médio Oriente. É a BP burro! E percebemos também a aliança guerreira entre os EUA e Israel, sobretudo se tivermos em conta que o novo pipeline (e o futuro gasoduto que corrererá paralelamente ao oleoduto) servirá sobretudo os mercados petrolíferos ocidentais: a Europa, os Estados Unidos e Israel! O Azerbeijão e a Geórgia, repúblicas ex-soviéticas do Mar Cáspio, autoritárias e corruptas, estão hoje sob protectorado dos EUA, e é pelos respectivos territórios que o oleoduto passa, antes de entrar na Turquia, país onde igualmente não existem quaisquer garantias democráticas, sendo conhecidas as perseguições desencadeadas contra os opositores turcos à iniciativa da BP.
Sobre esta vertente, até agora passada em claro, da guerra contra o Hezbollah e da destruição parcial do Líbano, vale a pena estudar esta passagem do oportuno artigo de Michel Chossudovsky, The War on Lebanon and the Battle for Oil:

“The bombing of Lebanon is part of a carefully planned and coordinated military road map. The extension of the war into Syria and Iran has already been contemplated by US and Israeli military planners. This broader military agenda is intimately related to strategic oil and oil pipelines. It is supported by the Western oil giants which control the pipeline corridors. In the context of the war on Lebanon, it seeks Israeli territorial control over the East Mediterranean coastline. In this context, the BTC pipeline dominated by British Petroleum, has dramatically changed the geopolitics of the Eastern Mediterranean, which is now linked , through an energy corridor, to the Caspian sea basin:

“[The BTC pipeline] considerably changes the status of the region’s countries and cements a new pro-West alliance. Having taken the pipeline to the Mediterranean, Washington has practically set up a new bloc with Azerbaijan, Georgia, Turkey and Israel, ” (Komerzant, Moscow, 14 July 2006)

Israel is now part of the Anglo-American military axis, which serves the interests of the Western oil giants in the Middle East and Central Asia

Ver também o mapa do oleoduto, para perceber a verdadeira origem da actual guerra e do comportamento lamentavelmente hipócrita e oportunista da maioria dos países europeus.

03 AGO 2006 — Líbano: A Batalha da Percepção. Enquanto Israel (com o apoio activo de Bush e de Blair) prossegue a sua campanha terrorista no Líbano, um antigo negociador israelita e actual director do Reut Institute — Gidi Grinstein — fala do ’paradoxo 90-10’, segundo o qual, mesmo que Israel destrua 90% da capacidade militar do Hezbollah, os 10% restantes surgirão aos olhos da opinião pública mundial, e em particular dos mil milhões de muçulmanos que a formam, como uma vitória da resistência palestiniana ao sub-imperialismo israelita. Sem caças bombardeiros, nem helicópteros, nem navios, nem tanques, o Hezbollah surgirá aos olhos dos seguidores de Alá e de Maomé, sobretudo depois desta guerra, como o David que anuncia o fim de um intolerável Golias. O mundo cristão e o mundo ateu, tal como qualquer democrata civilizado onde exista, estão chocados com a destruição ilegal de um país por parte de uma potência nuclear impune, estão chocados com a extrema fragilidade da ONU, estão indignados com a arrogância dos EUA e do boneco inglês, estão horrorizados com as bombas de fragmentação e as bombas químicas lançadas por Israel contra os civis (sobretudo velhos, mulheres e crianças) do Líbano. Mais do que um conflito de civilizações (onde os corruptos de todo o mundo gostariam de meter cristãos e judeus de um lado, e muçulmanos do outro) o que realmente alastra nas consciências humanistas deste planeta é a rejeição da insustentável e criminosa geo-estratégia dos EUA e dos seus cavalos de Tróia: Israel e Reino Unido. Israel tem direito ao seu Estado, na condição de respeitar o território e o direito do anunciado, mas sempre boicotado, Estado da Palestina. Para acompanhar com independência de espírito a tragédia libanesa vale a pena seguir o artigo, em permanente actualização, que o Wikipedia vem publicando em vários idiomas sobre este tema. Ref.: NYT 03AGO2006

02 AGO 2006 — Quem atira a primeira pedra? Num comentário amigo a este post, cujo autor pretendeu manter o anonimato, pergunta-se: “Será que vamos arrastar esta guerra cruel das bombas e do entulho a todo o mundo antes de haver uma clarificação das alternativas? E quais são? Quem atira a primeira pedra?”
Gostaria de dizer, em primeiro lugar, que a primeira condição para actuar justamente é ver claro. Para ver claro, temos que procurar a informação e deixar de lado a guerra psicológica que actualmente controla a maioria dos grandes meios de comunicação de massas, entre os quais, a maioria dos miseráveis jornais e canais de televisão portugueses (que papagueiam toda a contra-informação que as ‘agências de comunicação’ e as chamadas fontes bem informadas lhes metem pelas goelas falidas abaixo). A outra condição é abandonarmos o complexo de culpa relativamente ao Holocausto, que fomos absorvendo acriticamente, ao ponto de temermos criticar o Sionismo criminoso que domina os destinos do Estado de Israel. Os holocaustos existiram e continuam a existir. Os judeus, mas também os arménios, os sérvios, os ciganos, os homossexuais, os mendigos e os declarados doentes mentais, entre outros, foram vítimas dos programas eugénicos de apuramento da raça humana praticados na Alemanha, mas também nos Estados Unidos, onde mais de 60 mil pessoas foram involuntariamente esterilizadas ao abrigo de uma cientologia racista e economicista, entre 1907 e meados da década de 70! A história da barbárie humana é um conto de terror sem fim. Os judeus não foram as únicas vítimas. E mesmo que tivessem sido, nada justificaria que alguns deles, hoje, autoproclamassem o direito de exterminar todos os vizinhos muçulmanos e árabes que atrapalhem a sede de espaço vital de um estado chamado Israel. Basta ler Noam Chomsky para perceber que denunciar o terrorismo de estado praticado fria e arrogantemente por Israel não pode ser confundido com anti-semitismo. Faz parte da propaganda Sionista de Israel confundir qualquer crítica ao seu comportamento criminoso com anti-semitismo. Mas a nossa obrigação é, como disse, ver claro…

“A primeira pedra” — 1) impôr o fim imediato das hostilidades no Líbano; 2) julgar e condenar o Estado de Israel pela sua conduta ilegal, reincidente, desproporcionada e terrorista durante a invasão e destruição do estado do Líbano; 3) julgar e condenar os Estados Unidos pela sua colaboração efectiva nesta operação brutal; 4) censurar o Reino Unido pela sua conivência com a política unilateralista e belicista dos Estados Unidos e de Israel; 5) restabelecer as fronteiras da Palestina e de Israel desenhadas pela ONU em 1948; 6) permitir a imediata constituição do Estado da Palestina no âmbito das definições essenciais de 1948; 7) envolver uma força militar e humanitária internacional independente na consolidação do novo Estado da Palestina. Qualquer solução passiva de compromisso, ou pior do que isso, diplomaticamente cobarde, não levará nenhuma solução estável e duradoura à Palestina israelo-árabe. Mas poderá fazer explodir o que resta dos barris de petróleo do Médio Oriente.

PS: A Espanha regressou a uma posição geo-estratégica inteligente, ao adoptar um distanciamento crítico perante a aliança corrupta entre Bush, Blair e Olmert. Esperemos que o recauchutado atlantismo lusitano não se venha a revelar como um imprudente baixar dos calções e como um oportunismo injustificável face à influência anglo-saxónica e texana sobre as nossas elites mais ignorantes. Olhem para o Brasil!

OAM #131 01 AGO 2006

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