Aeroportos 23

Lisboa, risco sismico
OTA
ao fundo!

A Ota e o Seixal são zonas de alto risco em caso de sismo

25-05-2007 10:24/16:56.

Um alto quadro da Autoridade de Protecção Civil (APC), responsável pela análise de riscos, conferencista no seminário sobre protecção civil que está a decorrer esta manhã em Lisboa, na Escola Prática da GNR, não tem dúvidas que a Ota e o Seixal seriam as zonas mais afectadas caso um sismo atingisse Lisboa. -Valentina Marcelino c/ Pedro Chaveca, in Expresso online

O erro da Ota não pára de aumentar à medida que esmiuçamos o problema: a Portela não vai saturar nunca, sabendo-se o que se sabe, de há uns dois anos para cá, sobre o impacto das Low Cost e da futura rede ferroviária ibérica de Alta Velocidade no transporte aéreo europeu e peninsular; sabendo-se o que de há um ano a esta parte se sabe a respeito das futuras políticas europeias sobre as imposições e restrições ao transporte aéreo nos céus comunitários; sabendo-se o que hoje se sabe sobre os dramáticos impactos nas economias mundiais, com particular incidência nas economias fracas e dependentes, da subida imparável dos preços do petróleo, decorrente do pico petrolífero e da concomitante instabilidade social, política e militar mundial. Hoje o Brent ultrapassou os 71 dólares/barril. Ao mesmo tempo, no passado ano de 2006, o preço da alimentação aumentou em média 10% no mundo inteiro devido à subida em flecha dos preços dos principais cereais (milho, trigo e soja), que agora são disputados pelas indústrias de combustíveis que entraram no vagão do biodiesel (1). Estas tendências irão, como é sabido, agravar-se, e muito!

Por outro lado, Portugal tem hoje cerca de 10,5 milhões de habitantes. Oitenta por cento desta população reside ao longo da faixa litoral. A correspondente taxa anual de crescimento é da ordem dos 0,5% (0,1% de crescimento natural e 0,4% de crescimento migratório). As previsões demográficas da ONU (revistas em 2004) apontam para 10.723.000 pessoas em 2050 — quer dizer, um acréscimo que não chega aos 300 mil habitantes. Menos do que a população que saíu de Lisboa nos últimos vinte anos! Como se isto não fosse já demasiado alarmante, boa parte da população residente (2) estará então muito mais envelhecida, sem reformas, parcos rendimentos alternativos e infindáveis contas para pagar: alimentação, saúde, transportes, impostos, água, luz, taxas municipais cada vez mais numerosas e pesadas e ainda… as facturas por pagar que entretanto forem sendo deixadas no caminho pela irresponsabilidade e ganância criminosas de boa parte dos governantes e políticos que temos. De momento, anda muita gente inocente a pagar a Expo 98 (os lisboetas), os estádios do Euro (Faro, Braga, Leiria) e as SCUD; no futuro imediato, iremos pagar a PGA ao grupo BES e alienar as receitas da ANA, cuja privatização servirá para alimentar o embuste da Ota, se for para a frente. A quimera da Baixa-Chiado e sobretudo o embuste da Ota, se vierem a concretizar-se, serão outras tantas facturas pesadíssimas que sobrarão para o Zé Povinho pagar, enquanto a nomenclatura nacional se deliciará com os frutos do novo paraíso mafioso à beira-mar plantado.

As luminárias do actual governo estão a tentar convencer o pagode lusitano de que precisamos de um novo aeroporto internacional para movimentar qualquer coisa como 20 milhões de passageiros/ano em 2020 (só no aeroporto de Lisboa), o dobro, por conseguinte, da população do país! Como não serão seguramente os depenados portugueses que se darão ao luxo de viajar com os preços que então custarão os bilhetes de avião e em geral a vida nas principais cidades europeias, teremos que imaginar uma invasão turística sem precendentes do nosso país. Acontece, porém, que a queda do turismo de massas será geral no mundo e na Europa à medida que as crises energética e ambiental se agravarem, o que já está a acontecer e se verá de forma cada vez mais evidente ao longo desta década e da próxima. Os 20 milhões de passageiros em 2020, previstos pelos Aéroports de Paris, ou os 15 milhões em 2015, anunciados pela Parsons, duas consultoras contratadas pelos governos portugueses, são puras quimeras encomendadas. Nenhuma das previsões se verificará e, mesmo que se verificassem, Jean Chevalier, dos mesmos Aérports de Paris, no estudo que entregou ao governo (em 1998) escreveu, preto no branco, que a Portela aguentaria até aos vinte milhões de passageiros! Ora se é assim, qual seria o potencial de uma solução do tipo Portela+Montijo, aumentando de dois para quatro o número de pistas operacionais? Seguramente um potencial muito para além das necessidades que Lisboa alguma vez terá no futuro incerto que se aproxima. Caminhamos para uma mutação do actual paradigma energético, a qual arrastará no seu encalce profundíssimas rupturas noutros paradigmas de excesso a que nos habituámos. A sociedade do consumo, embora não pareça, está à beira do fim, e com o seu fim, o fim virá do desperdício constante e sistemático que caracterizou a vida nos países ricos do planeta ao longo dos últimos 50 anos. Voltaremos, por a isso sermos forçados, a sociedades mais humildes, racionais e sustentáveis.

A revelação dos impactos prováveis do grande terramoto, ou maremoto, que as previsões sismológicas dizem poder ocorrer a qualquer momento, i.e. no mês que vem, ou daqui a cinco, vinte ou trinta anos, é tão só mais um dado do problema e uma prova mais de que os governos envolvidos no embuste da Ota são irresponsáveis e trapalhões. A verdade é que Lisboa entrou numa crista de sismicidade iminente, e por esse motivo, todas as decisões urbanas e metropolitanas devem ter em conta este dado, evitando incorrer em riscos desnecessários, e preparando-se activamente para o pior. Os tsunami e os ciclones não acontecem só aos outros! Só os bêbados, os dementes e os imbecis crónicos não reparam na evidência. Os criminosos, sim vêem, mas são criminosos…

Estamos em campanha eleitoral para a CM de Lisboa. O tema da Ota vai ser um tema crucial do debate, para além, já se vê, do envelhecimento e empobrecimento da população residente, o despovoamento da cidade, os problemas de transporte e mobilidade e a escandalosa taina que tomou conta do aparelho municipal. Como a bocarra de Mário Lino diz que é preciso mover milhões de portugueses para a nova cidade aeroportuária –uma quimera que a vácua sumidade Augusto Mateus (3) assenta e acarinha do fundo da sua manifesta miopia e interesse pessoal na coisa–, talvez os candidatos devessem todos ter uma palavra a dizer sobre o assunto! À laia de TPC recomendo a todos a leitura da Carta de Leipzig e documentos conexos recentemente publicados pela presidência alemã da UE sobre a Cidade Europeia ideal (4).

Deixo-lhes aqui um pequeno inquérito a que encarecidamente peço que respondam.

AOS CANDIDATOS À CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA
ELEIÇÕES INTERCALARES DE 15 DE JULHO 2007
INQUÉRITO Nº 1

Da manutenção e actualização do aeroporto da Portela à vontade de construir um Novo Aeroporto de Lisboa (NAL)

HIPÓTESES

A) A FAVOR DO ENCERRAMENTO DO AEROPORTO DA PORTELA E A FAVOR DO NAL NA OTA

B) A FAVOR DO ENCERRAMENTO DO AEROPORTO DA PORTELA E A FAVOR DO NAL NA MARGEM SUL

C) CONTRA O ENCERRAMENTO DO AEROPORTO DA PORTELA E A FAVOR DA SOLUÇÃO PORTELA+1

D) A FAVOR DE MAIS ESTUDOS

* São possíveis respostas múltiplas, desde que não contraditórias.

Senhores candidatos, quais são as vossas opções?

01 — PS / António Costa (EurSon* – 26,2%) =

02 — Carmona Rodrigues (EurSon 14,0%) =

03 — Cidadãos Por Lisboa / Helena Roseta (EurSon 13,2%) =

04 — PSD / Fernando Negrão (EurSon 12,3%) =

05 — PCP / Ruben de Carvalho (EurSon 5,2%) =

06 — BE / José Sá Fernandes (EurSon 4,1%) =

07 — CDS-PP / Telmo Correia (EurSon 4,0%) =

08 — MPT / Paulo Trancoso =

09 — Manuel Monteiro / PND =

10 — PCTP/MRPP / Garcia Pereira =

11 — PPM/Gonçalo da Câmara Pereira =

12 — PNR / José Pinto Coelho =

* EuSo: resultados Eurosondagem de 25-05-2007


Notas

1 – THE chaos that derives from the so-called international order can be painful if you are on the receiving end of the power that determines that order’s structure. Even tortillas come into play in the ungrand scheme of things. Recently, in many regions of Mexico, tortilla prices jumped by more than 50 per cent.

In January, in Mexico City, tens of thousands of workers and farmers rallied in the Zocalo, the city’s central square, to protest the skyrocketing cost of tortillas. – “Starving the poor”, BY NOAM CHOMSKY, 15 May 2007. in Khaleejtimes online.

2 – A pobreza em Portugal: 20% do que somos vive abaixo do limiar da dignidade. Expresso online, 25-05-2007.

3 – A entrevista dada por Augusto Mateus ao Diário Económico de hoje é um chorrilho de baboseiras. Já que cobra e bem, ao menos que trabalhe e diga coisas fundamentadas! Não sabe este senhor economista que Tires já é um aeroporto de Corporate Jets, tal como a Portela? Alguém lhe explicou já que não existe nenhum estudo sobre como ligar a Ota a Lisboa por ferrovia, e que portanto ninguém quantificou os respectivos custos potenciais, que o Estado, i.e. nós, teríamos que pagar se tal estupidez fosse para a frente? Não sabe este senhor que o AV Madrid-Lisboa tem que chegar necessariamente à cidade de Lisboa, e que para tal, faz mesmo falta uma nova ponte, paralela e próxima da actual Vasco da Gama (precisamente para economizar impactes vários)? A sua imaginação é assim tão insuficente que não chega para perceber que, passando a AV pelo Pinhal Novo a caminho da cidade de Lisboa, faz todo o sentido activar o Montijo como um prolongamento da Portela? Ou será que Augusto Mateus também pretende deslocar o resto da população activa de Lisboa para a Ota?! Se esta entrevista é um tirocínio para substituir o inenarrável Mário Lino, pois fique sabendo, que chumbou!

4 – EU ministers outline ‘European City’ ideal
Published: Thursday 24 May 2007 | Updated: Friday 25 May 2007

The Leipzig Charter on Sustainable European Cities, signed by European ministers on 24 May, lays the foundation for a new integrated urban policy in Europe, focusing on helping cities tackle problems of social exclusion, structural change, ageing, climate change and mobility. (…)

* Strengthening the inner city

According to the charter, the primary aim should be to attract people, activities and investment back to the city centres – which are the engines research, innovation and economic development in Europe – and to put an end to the urban sprawl phenomenon, as this simply increases urban traffic, energy consumption and land use.

Focus should be on regeneration of existing residential and business areas in inner cities, with a greater mixture of living, working and leisure areas, making cities more exciting and vibrant, but also more socially and economically stable. in EurActiv.

OAM #207 25 MAI 2007

One response to “Aeroportos 23

  1. A primeira questão que devia ser colocada aos políticos é: «quem são os mecenas que os financiam e qual é o retorno do investimento esperado».

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