Petroleo 9

Iraque: o colapso da estratégia americana

De cada vez que o Euro sobe, sobe também o petróleo. Os Estados Unidos deixaram de controlar a economia mundial. A Europa tem que agir, para seu próprio bem e em nome de uma nova estabilidade global, ou se não o fizer, os Novos Balcãs –do Canal do Suez à região de Xinjiang (1)– ficarão sob uma influência Sino-Russa decisiva até ao fim da era petrolífera… ou até que alguma catástrofe bélica mundial baralhe e dê de novo!

“Fifteen years after its coronation as global leader, America is becoming a fearful and lonely democracy in a politically antagonistic world.” — Zbigniew Brzezinski, Second Chance, 2007.

O petróleo está a um passo dos oitenta dólares (2). George Bush, face ao desastre evidente da sua política histérica e agressora, nomeadamente no Iraque, teve de anunciar publicamente uma retirada gradual das tropas destacadas no país que invadiu, ocupou e massacra em nome de um pretexto inexistente –Armas de Destruição Maciça (WMD)– e de uma retórica fabricada –a cruzada contra o terrorismo. A Rússia acaba de publicitar a sua Dad of All Bombs (em resposta à Mother of all Bombs americana), depois de, em Dezembro de 2006, ter anunciado o novo e muito convincente sistema de mísseis intercontinentais do complexo Topol-M, esclarecendo os Estados Unidos, a Europa, Israel e o Japão que o eixo Moscovo-Pequim (que se vem consolidando rapidamente através do trabalho intenso da Shanghai Cooperation Organization) está cada vez melhor equipado económica, política e militarmente para determinar o destino dos Novos Balcãs (Global Balkans.) Só faltava mesmo que a conspiração jurídico-legal montada para roubar o petróleo iraquiano e curdo antes da retirada das tropas ocupantes, pelo consórcio Bush-Cheney-Blair, fosse finalmente desmascarada e posta em causa. É o que está precisamente a acontecer neste momento, para pânico da Shell, da BP e de outras multinacionais petrolíferas anglo-norte-americanas.

BAGHDAD, Sept. 12 — A carefully constructed compromise on a draft law governing Iraq’s rich oil fields, agreed to in February after months of arduous talks among Iraqi political groups, appears to have collapsed. The apparent breakdown comes just as Congress and the White House are struggling to find evidence that there is progress toward reconciliation and a functioning government here.

The New York Times
Compromise on Oil Law in Iraq Seems to Be Collapsing
By JAMES GLANZ
Published: September 13, 2007

O curioso da notícia do NYT e outros média convencionais, é que ninguém fica a saber que raio de acordos estavam a ser cozinhados entre Bush e os governantes iraquianos de sua confiança. Vale a pena saber o que está realmente em causa…

The NY Times reports that “[a] carefully constructed compromise on a draft law governing Iraq’s rich oil fields, agreed to in February after months of arduous talks among Iraqi political groups, appears to have collapsed.”

What the Times mentions no where in its report is this: the United States orchestrated the law. According to The (London) Guardian, it would open up the oil fields to foreign corporations — oil fields which were nationalized (ie, put off-limits to foreigners) in 1972. Moreover, the law would remove contract authority from the the Parliament and place it in the hands of an unelected board consisting of oil industry executives.

About.com
From Kathy Gill,
Your Guide to U.S. Politics: Current Events.
FREE Newsletter.
Published: Thursday September 13, 2007

Para uma percepção mais ampla desta e doutras questões que afectam gravemente a credibilidade dos EUA, vale a pena conhecer um dos últimos trabalhos de Naomi Klein…

In December 2006, the bipartisan Iraq Study Group fronted by James Baker issued its long-awaited report. It called for the US to “assist Iraqi leaders to reorganise the national oil industry as a commercial enterprise” and to “encourage investment in Iraq’s oil sector by the international community and by international energy companies.”

Most of the Iraq Study Group’s recommendations were ignored by the White House, but not this one: the Bush administration immediately pushed ahead by helping to draft a radical new oil law for Iraq, which would allow companies such as Shell and BP to sign 30-year contracts in which they could keep a large share of Iraq’s oil profits, amounting to tens or even hundreds of billions of dollars – unheard of in countries with as much easily accessible oil as Iraq, and a sentence to perpetual poverty in a country where 95% of government revenues come from oil. This was a proposal so wildly unpopular that even Bremer had not dared make it in the first year of occupation. Yet it was coming up now, thanks to deepening chaos. Explaining why it was justified for such a large percentage of the profits to leave Iraq, the oil companies cited the security risks. In other words, it was the disaster that made the proposed radical law possible.

Naomi Klein
Shock Doctrine – The Rise of Disaster Capitalism (book) (video)

Para que não se pense que esta é uma visão enviesada e esquerdista, leiam-se dois excelentes livros de Zbigniew Brzezinski: The Grande Chessboard (1997) e Second Chance (2007).


Notas
1 – A obediência do governo português às pressões de Pequim na questão da visita do Dalai Lama a Portugal, não o recebendo como estadista que é, além de líder religioso, mostra bem o peso crescente da diplomacia chinesa em Portugal, na Europa e no mundo. Se formos por este caminho, sem pestanejar perante os valores democráticos que a Europa defende, mau assunto!
2 – O petróleo chegou horas depois deste post aos 80,20 USD, e o Euro aos 1,3927 USD.

OAM #239 12:07, 13 SET 2007 (UTC)

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