Aeroportos 37

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TAP faz autocrítica sobre Madeira e Açores

Fernando Pinto: “TAP está pronta para a liberalização do transporte aéreo”

Intervindo no seminário sobre Transporte Aéreo e Regiões Insulares, por ocasião das comemorações oficiais do Dia Mundial do Turismo que ontem decorreram no Funchal, o CEO da TAP, Fernando Pinto, afirmou que a companhia está pronta para a liberalização do transporte aéreo, mas pediu ao Governo para que seja garantida igualdade condições de concorrência entre os interessados.
Por “competição entende-se igualdade de condições e é isso que espero das nossas autoridades, igualdade de condições de concorrência, é isso que nós queremos, só isso”, afirmou o responsável da TAP.
Aliás, Fernando Pinto afirmou mesmo aplaudir de pé a liberalização do transporte aéreo adiantando não temer a concorrência das companhias aéreas low cost. A propósito sublinhou que nas rotas onde companhias low cost entram em concorrência directa com a TAP, a transportadora aérea portuguesa tem conseguido “aumentar as suas vendas, participação em novos mercados e acesso a um novo tipo de mercado”, afirmou.
O CEO da TAP afirmou ainda que as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores constituem “mercados de importância fundamental para a TAP, significam hoje 17 por cento dos seus passageiros transportados”. Considerando que a TAP sempre tem tido respeito por estes mercados, reconheceu, no entanto, que talvez nem sempre tenha conseguido “atendê-lo da forma como desejaria”. — 28/09/2007, Turisver.

No entanto…

Portugália (TAP) rompe convénio por 3 anos assinado em 2006 com o governo da Navarra e suspende voos entre Lisboa e Pamplona, alegadamente por falta de aviões e por a ocupação média dos voos não ultrapassar os 30% (embora o governo da Navarra tenha dados que apontam para uma taxa de ocupção de 70%). — 28-09-2007, Diario de Navarra.

E entretanto… vamos outra vez a caminho dos 100 voos cancelados mensalmente, isto é, slots disponíveis (se não houver batota na Secretaria) para a easyJet e demais Low Cost responsáveis pelo acréscimo de passageiros na Portela, Sá Carneiro e Faro, e em geral pelos bons resultados turísticos do país em 2006 e 2007.

Hoje, por exemplo, foram cancelados 6 voos!

27/09 07:45 TP 190 TAP Portugal Porto T2 Cancelado
27/09 07:50 TP 834 TAP Portugal Rome T1 Cancelado
27/09 13:55 TP 784 TAP Portugal Pamplona T1 Cancelado
27/09 15:40 TP 3964 TAP Portugal Porto T1 Cancelado
27/09 22:00 TP 833 TAP Portugal Madeira T2 Cancelado
27/09 22:05 TP 768 TAP Portugal Sevilla T1 Cancelado

De tudo isto resultam algumas conclusões que o governo e o Estado portugueses têm muita dificuldade em entender, ou não fosse a ruinosa companhia uma vaquinha leiteira para muitos:

  1. sobram objectivamente slots na Portela e, por conseguinte, a Portela está longe de saturar, mesmo sem as reformas e ampliações possíveis e desejáveis, para deixar de ser a tal espelunca terceiro-mundista que actualmente é;
  2. se se corrigir o Taxiway, a Portela poderá aumentar tranquilamente o número de movimentos actuais em hora de ponta;
  3. a estatal TAP, tendo tantos trabalhadores ao seu cuidado quanto as três maiores Low Cost europeias juntas, está objectivamente condenada a morrer ao colo da easyJet (ou outra Low Cost qualquer), ou então, a uma completa revolução da sua filosofia, estratégia e procedimentos — é isso mesmo que acontecerá assim que for privatizada;
  4. o Sr. Fernando Pinto não é pago para pensar no futuro da TAP — muito menos para tergiversar sobre aeroportos! –, mas sim para gerir o que tem, o melhor que puder e souber;
  5. a política de transportes aéreos do país não pode depender do futuro da TAP, pois este é incerto e, em todo o caso, será sempre na direcção da sua privatização, a qual poderá acabar numa operação de saldos vergonhosa, se o país das obras públicas e dos transportes continuar a ser dirigido por dromedários de cachimbo;
  6. independentemente de se vir a construir um hub intercontinental em Alcochete — a localização que melhor serve o Norte e o Sul do país — deverá apostar-se claramente na operacionalização de pequenos aeroportos para as companhias Low Cost, dando liberdade de acção aos actores locais, seja no Montijo, em Évora, Beja, Portimão ou Fátima! Aliás, nos próximos dois a quatro anos, assistiremos à invasão dos voos intercontinentais pela lógica e pelas companhias de Low Cost.
  7. é do interesse geral que as autonomias regionais e as principais e mais dinâmicas regiões metropolitanas e turísticas do país reivindiquem, pressionem e consigam, à semelhança do que vem ocorrendo na Madeira (o autonomista-mor do arquipélago sabe o que faz), legitimidade de acção e poder de iniciativa e decisão em matéria de optimização das soluções de transportes que melhor lhes convêm (pois no caso, o que lhes convem, convem a todos.)
  8. o cínico da agricultura não deveria andar a fazer fretes ao lóbi da Ota, mas deveria, ao invés, preocupar-se com o gravíssimo problema dos transgénicos, propondo, por exemplo, agora que está a governar a Europa, uma moratória de salvaguarda e segurança relativamente à biotecnologia com o mesmo grau de precaução, vigilância e controlo atribuído ao uso da energia nuclear. Os potenciais criativos, mas também os perigos descomunais de ambas as tecno-ciências, são equivalentes!
  9. o petróleo acaba de bater o máximo de 83,59USD, chegará aos 85USD antes do fim do ano, e antes das próximas eleições legislativas talvez paire nos 95 ou mesmo 100USD. Onde estará a pobre TAP nessa altura?

OAM 249, 28.09-2007, 15:23

5 responses to “Aeroportos 37

  1. «independentemente de se vir a construir um hub intercontinental em Alcochete — a localização que melhor serve o Norte e o Sul do país»Qual hub intercontinental? Mesmo considerando a grande Lisboa (de Vila Franca a Cascais), continua a ser uma pequena urbe. Lisboa nunca será um hub, nem continental, nem intercontinental.

  2. Diogo, num certo sentido tens razão. Mas também podemos ver um hub como algo mais tecnicamente definido, que não depende tanto da sua escala, como da sua natureza e geometria. Neste caso, poderíamos olhar para o NAL, se chegar a ser, como mais um (o extremo ocidental) distribuidor de tráfego aéreo entre a Europa e os outros continentes: América, África e Ásia. Não é por acaso q os estrategas espanhóis estão com tanta pressa em chegar a Lisboa!

  3. «como mais um (o extremo ocidental) distribuidor de tráfego aéreo entre a Europa e os outros continentes: América, África e Ásia»Valores aproximados tirados no Google Earth:Da Ponta Leste do BrasilA Lisboa = 5700A Madrid = 6000+ 300 km (20 minutos) para MadridDe Nova Iorque – 5100 – 5400A Lisboa = 5100A Madrid = 5400+ 300 km (20 minutos) para MadridDa Ponta Sul de África – 8700 – 8600A Lisboa = 8700A Madrid = 8600– 100 km (- 7 minutos) para MadridToda a Europa, toda a Ásia e a maior parte de África estão mais próximas de Madrid.António, por apenas 300 km (20 minutos), apenas para o continente americano, vale a pena um avião escalar em Lisboa em vez de Madrid?

  4. Diogo,Se nada fizermos, claro q o Hub de Madrid, q vai até Ciudad Real…, servirá a procura internacional, sem q Lisboa faça uma grande diferença. No entanto, a obrigação de Lisboa, tal como a de Barcelona (q está cumprindo muito bem), é competir seriamente com Madrid, por forma a equilibrar as oportunidades e os riscos. Resumindo, a península ibérica, deve comportar e desenvolver três hubs de transporte aéreo: Madrid, Lisboa e Barcelona.

  5. ora oara ora…três? e porque não quatro? o aeroporto do Porto tem uma área de influência populacional superior ao de Lisboa. Se calhar até tem razão- três: madrid, barcelona e Porto.

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