Aeroportos 41

Aeroporto Campo Real, Madrid
Aeroporto de carga e Hub de passageiros, 780 ha. Inaugura até 2025.

Alcochete inevitável

Una empresa pública desarrollará los dos nuevos aeropuertos madrileños

“El consejero de Transportes e Infraestructuras, Manuel Lamela, ha presentado hoy el Plan de Infraestructuras Aeroportuarias de la Comunidad de Madrid 2007-2025, en cuyo marco se construirán los dos nuevos aeropuertos de la región, situados en Campo Real y en los municipios de El Álamo-Navalcarnero, este último con el fin de sustituir al actual aeródromo de Cuatro Vientos, que el Gobierno regional quiere desmantelar. Para desarrollar los aeródromos y participar en la gestión de Barajas, el Ejecutivo autonómico creará una nueva empresa pública, denominada Aeropuertos de Madrid, S.A. y dependiente de Lamela. El primero en construirse será el aeropuerto del suroeste en El Alamo-Navalcarnero, previsto para 2016.”

ELPAIS.com – Madrid – 12/11/2007

O dromedário do MOPTC (que pena não ser um burro mesmo, teimoso, mas inteligente e sério) procura manifestamente emprego, atropelando pelo caminho o próprio governo, numa manobra tão desesperada que até o Sócratintas se viu forçado a explicar que o que “é bom para o País” não deve estar sujeito a pressões… do seu ministro! Posso estar enganado, mas a calinada do dromedário, desta vez foi fatal, embora deva esperar alguma contrapartida do lóbi da Ota, por bom comportamento.

O sniper encarregue das operações especiais destinadas a resgatar in extremis o embuste da Ota, é o mesmo imbecil, Carlos Fernandes (1), que vendeu ao ingénuo Cravinho a miraculosa solução das SCUT, que supostamente elevaria o PIB lusitano às alturas celestiais da Europa desenvolvida, garantindo que as novas autovias, à semelhança das espanholas sem portagens, se pagariam pela riqueza induzida no país. Não foi assim, temos que pagar, só em 2008, 704 milhões de euros pelas ditas autoestradas sem custos para o utilizador, parte dos quais vai afinal transitar, sob a forma de portagens, para os automobilistas, e lá se vai assim o crescimento induzido do PIB, e o gajo que inventou a aldrabice e a vendeu ao despistado ministro de Guterres deveria estar preso, e não ao serviço da RAVE, armado em comando especial do dromedário-mor do reino!

O País não pode com uma gata pelo rabo (gasta 95% das receitas fiscais em salários e prestações de serviços de funcionários públicos e contratados, mordomias para o pessoal político-partidário, segurança social e juros à banca), e a prova disto mesmo é que o Governo quer vender o Estado a patacas. Quer privatizar as estradas, quer privatizar as águas, quer privatizar a energia, quer privatizar os aeroportos, quer privatizar os portos, anda a rebentar com Reserva Ecológica Nacional (apesar dos salamaleques beija-empresários do ministro do ambiente), tem deixado os espanhóis comprar meio Alentejo (boa parte da zona de regadio do Alqueva), em suma, só falta fazer um Parceria Público Privada com o Rei de Espanha para gerir as nossas tropas!

Numa altura em que já se percebeu que a globalização vai fazer marcha-atrás em aspectos que ferem especialmente as soberanias nacionais (Bush impediu o controlo dos portos norte-americanos pelos árabes em 2006), e quando crescem os sintomas de proteccionismo nos sectores estratégicos da economia, com especial ênfase na energia, na segurança alimentar, nas infraestruturas sensíveis dos transportes (portos, aeroportos, etc.) e, muito em breve, no dinheiro, depois de controlado o maremoto de especulação e corrupção que atingiu as finanças norte-americanas e europeias (ver declarações proferidas ontem por Bern Bernanke; “Fed Plans to Increase Forecasts to Once a Quarter“, Last update November 14, 2007 14:41 EST, Bloomberg), a classe política portuguesa com assento parlamentar, sem excepção, anda a brincar ao monopólio com o país. A forma é de um ridículo crescentemente atroz, mas a substância, isto é, a eminente perda de autonomia económica do país, raia a traição.

Para financiar o novo aeroporto (2), de que não precisamos, mas que a precisarmos, deveria ser na Margem Sul do Tejo e nunca na Ota, o governo propõe-se alienar terrenos que não são seus (os da Portela) e privatizar um monopólio estatal, entregando-o a um monopólio privado! Para privatizar a ANA, no entanto, terá que se proceder a uma aprovação por maioria de 2/3 na Assembleia da República, a qual só será possível com a conivência de Filipe Menezes-Santana Lopes. Será a isto que se refere o autarca da falida Gaia quando propôs um pacto de empreiteiros a José Sócrates?

Enquanto aguardamos pelo douto parecer do LNEC (não é o dromedário que lhe paga?) Madrid soma e segue na sua estratégia aeroportuária: o novo aeroporto, privado, de Ciudad Real, “Madrid Sur”, inaugura em 2008, e os dois novos aeroportos daquela Comunidad Autónoma, agora decididos, deverão inaugurar entre 2016 e 2025. Em 2009, por sua vez, o ampliado e modernizado aeroporto de Badajoz afundará de vez o aeromoscas de Beja. E o AVE (3) chega ao Caia em 2015. Que lindo serviço!

Há quem diga que a cimeira espanhola que aí vem, vai ser um peditório português, do género, querem o AVE em Lisboa? Então paguem! Quando pensa o Sr. Cavaco Silva dar um murro na mesa? Não se atrase! Não se atrase!!


NOTAS
  1. Carlos Fernandes (o sniper da RAVE), “eleito” ou “nomeado”? Um lapso sintomático na sua melodramática pose no Fórum dos Transportes e Mobilidade, promovido pelo Diário Económico (15/11/2007). Vale a pena espreitar o vídeo-SAPO.

  2. Manuela Ferreira Leite diz que não há dinheiro para tais folias.
    15-11-2007. “A antiga ministra da Finanças, Manuela Ferreira Leite, duvidou ontem em Coimbra que os projectos do novo aeroporto e da linha ferroviária de alta velocidade se venham a concretizar.
    Para a social-democrata, ‘não há recursos financeiros para concretizar os dois projectos’. Manuela Ferreira Leite reconheceu que, a serem feitas as duas obras, serão as piores soluções para o futuro do país, podendo levar a que nos próximos anos ‘não haja margem para a diminuição da carga fiscal’. ‘A curto prazo, o país vai crescer, mas não tenho dúvidas que daqui a 10 anos estaremos pior do que estamos agora’, afirmou. A economista recordou que, em Espanha, o crescimento da economia está a ser feito com base na construção e no investimento público, o que leva alguns analistas a considerá-lo bastante ‘frágil'”. — Diário das Beiras.

  3. E como se chamarão os comboios internacionais que ligam Espanha a Portugal? AVE? Mas AVE quer dizer Alta Velocidade Espanhola! Eu chamar-lhe-ia TRANSIBÉRICO (não precisa de sigla.)

OAM 277, 14-11-2007, 01:25

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