Crise Global 6

Marta Stewart
Bancarrota da Enron. Martha Stewart, 64: Culpada.
Associated Press file photo by Louis Lanzano.

Subprime a caminho de Portugal

O presidente da CMVM avisou há uns meses que seria bom pormos as barbas de molho em relação à crise do crédito imobiliário de risco mal-parado.

Tinha razão: o subprime chegou à Alemanha, à Suiça, ao Reino Unido, a França, a Espanha… e está prestes a rebentar no reino porreiro de Portugal, onde aparentemente nada acontece.

Pode a Caixa Geral de Depósitos assegurar ao país que não tem nenhuma ligação à crise do subprime ?


O veredicto da Enron
Do colarinho branco à sarja azul
Ken Lay, 64 | Fundador e Presidente da Enron | CULPADO

— O caso: o gigante da indústria energética Enron passou da sétima empresa mais valiosa dos Estados Unidos a uma colossal bancarrota no final de 2001. O Ministério Público alegou que Lay e outros executivos da empresa organizaram esquemas de encobrimento das dívidas da Enron e empolamento dos lucros, enganando os investidores sobre a fragilidade real do castelo de cartas em que se transformara a companhia, por forma a obter lucros milionários com a venda de acções inflaccionadas.

— Veredicto: culpado em seis acusações, incluindo conspiração, fraude electrónica (wire fraud) e investimento fraudulento (securities fraud). Culpado ainda em mais acusações julgadas num outro caso de fraude bancária.

— Situação actual: Em liberdade até 11 de Setembro. Enfrenta uma pena que pode ir até 165 anos de prisão.

Versão original integral in San Francisco Chronicle, Friday, May, 26, 2006.

O imperceptível Prof. Saldanha Sanches anda há anos obcecado com os crimes futebolísticos e autárquicos, pretendendo fazer-nos crer que se conseguíssemos eliminar estas mazelas, tudo iria melhor no país dos gajos porreiros. E no entanto, vemos que há outros crimes bem mais pesados para o erário público e para a credibilidade lusitana que, ou não são vistos como tais, ou quando são, passam a meros delitos sem importância, ou prescrevem!

Os exemplos aí estão:

  • não há ladrões na UGT (nem as empresas de sondagens fazem fretes);
  • não há políticos pedófilos;
  • desbaratar 100 milhões de euros dos contribuintes em aventuras brasileiras, como o fez a Águas de Portugal, administrada aquando da prática dos tresloucados actos, pelo grande dromedário Mário Lino, não merece sequer uma investigação, quanto mais sanção;
  • o Metro de Lisboa tem um passivo que daria para mandar construir o novo aeroporto de Alcochete (3 mil milhões de euros!), isto é, duas vezes a dívida da capital do país, e ninguém vai preso;
  • em suma, estamos a presenciar como bovinos à implosão do maior banco privado português (o BCP), e as notícias parecem unicamente interessadas na transferência do presidente da Caixa Geral de Depósitos para o que sobrar do banco de Jardim Gonçalves, como se fosse um jogador de futebol!

O caso Enron mostrou que mesmo no país dos novos piratas, de vez em quando, os piratinhas vão mesmo parar à prisão, com penas de centenas de anos! Só que lá como cá, quando tal acontece, quase sempre significa que coisa bem maior e grave ficou longe dos olhares indiscretos da populaça. No caso da América de Bush, foi toda a tramóia da invasão do Afeganistão e do Iraque, destinada, pura e simplesmente, a roubar o petróleo do Médio Oriente, e cujos principais beneficiários directos são os gangsters petrolíferos do Texas, capitaneados pelos Bush, por Dick Cheney, e secretariados por Condolezza Rice.

E por cá, que poderá existir escondido atrás da queda do BCP?

Pode não passar de uma especulação, mas fonte confiável e discreta assegurou-me que… a Caixa Geral de Depósitos mordeu mesmo o bolo dos subprime! Se for verdade, não deixaremos de ouvir falar disto no princípio do ano que vem. Se for verdade, então as verosímeis fraudes aparentemente cometidas por donos e administradores do BCP não passarão de uma novela irrelevante quando comparada com a verdadeira aflição que a iminente chegada do tsunami financeiro mundial a Portugal certamente causará a muita gente, começando naturalmente pelo governo do Sr. José Sócrates.

Nem a corrupção futebolística pode ser vista fora do contexto de promiscuidade existente entre os partidos do arco governativo e a malta do futebol (dirigentes, futebolistas, claques, construtores civis e bancos), nem a corrupção autárquica pode ser desligada dos angariadores locais e regionais da massa que alimenta os partidos e os candidatos a primeiro ministro.

Por maioria de razão, quando toca ao sistema bancário e financeiro, de quem o Estado cada vez mais depende no dia a dia da sua infinita tesouraria, tudo o que ocorrer terá que ser analisado com distância, pois o que nos oferecerem no altar da mutilação mediática pode não passar de uma cortina de fogo de artifício e fumo, atrás da qual a verdadeira carnificina terá lugar.

Para já, uma pergunta inocente, legítima e democrática, visando a tranquilidade dos clientes da Caixa Geral de Depósitos:

— Estimável Presidente da CGD, está o Senhor em condições de assegurar ao país e aos clientes desse banco público, que o mesmo não realizou operações de securitização de dívidas contraídas junto dessa instituição na sequência de operações de crédito imobiliário? Há ou não operações em curso entre a Caixa Geral de Depósitos e entidades financeiras internacionais envolvidas ou potencialmente envolvidas no chamada crise do crédito imobiliário de risco mal parado, conhecida por “crise do subprime“?

Post scriptum: a pergunta dirigida ao presidente da CGD é extensível, naturalmente, aos máximos responsáveis do Banco de Portugal e da Comissão de Mercados de Valores Mobiliários.

OAM 298 22-12-2007, 18:42

4 responses to “Crise Global 6

  1. Desta vez você anda próximo da verdade. 1. Efectivamente o somatório da corrupção autarquica e futebolística é 10% da corrupção de colarinho branco praticada em Lisboa. Sanches, JPP e outros são apenas bobos que tentam distrair os pré-blogosféricos e insultar a inteligência dos blogosféricos.2. Provavelmente não foi a CGD que comprou subprime. Provavelmente foi o BCP que se encheu de subprime e a instabilidade accionista resulte do medo de falência… Veja aqui este cardápio:http://www.bcpinvestimento.pt/sub/sub.asp?pagina_id=254JSilva

  2. <>Fui ler e fiquei esclarecido. Haverá alguma rede para segurar a implosão em curso do BCP?<>“O Millennium investment banking tem mantido uma participação activa em operações de securitização em Portugal e no estrangeiro.“Em Novembro de 2006, o Millennium investment banking foi Lead Manager, conjuntamente com a UBS Limited e o Deusche Bank, daKion Mortgage Finance plc, a primeira operação de securitização de crédito hipotecário (Residential mortgage-backed securities) lançada pelo Millennium Bank, na Grécia (então NovaBank). A operação, no montante de 600 milhões de euros, constituiu a primeira operação do género realizada por uma subsidiária de um banco português na Grécia.“Em Julho de 2006, o Millennium investment banking liderou, conjuntamente com o ABN AMRO e a Merrill Lynch International, aMagellan Mortgages No4, uma operação de securitização de crédito hipotecário, no montante de 1500 milhões de euros.“Em 2005, o Millennium investment banking (então Millennium bcp investimento) foi Líder Conjunto da Magellan Mortgages nº 3, a terceira securitização de créditos hipotecários originados pelo Millennium bcp.“Em 2004, o Millennium investment banking (então Millennium bcp investimento) foi responsável por duas operações inovadoras: Explorer 2004, a primeira titularização do Estado Português, e Promise Caravela 2004, a primeira titularização sintética realizada em Portugal.“Em 2003, prosseguindo e consolidando a sua presença neste mercado, foi líder conjunto de duas operações de titularização de créditos para o Grupo Banco Comercial Português. Em Junho, concretizou-se a Silk Finance No.2 uma transacção com base em créditos para compra de automóvel originados pelo Interbanco. Em Outubro de 2003, foi efectuada a Magellan Mortgages No.2 uma titularização de créditos hipotecários residenciais originados pelo Banco Comercial Português e pelo Banco de Investimento Imobiliário. Em Dezembro de 2003, foi líder conjunto de uma titularização de trade receivables originados pela Inapa – Investimentos, Participações e Gestão, S.A. e provenientes de diferentes jurisdições, incluindo a portuguesa.“Salienta-se ainda, no ano de 2002, a intervenção do Millennium investment banking (então Millennium bcp investimento) em operações de securitização, através da participação na colocação das emissões Atlantes Finance 2, B More 3, Navigator 1 e Rural Hipotecário IV, e também na liderança, estruturação e colocação da Nova Finance Nº 3, uma operação de titularização de créditos ao consumo originados pela rede Atlântico do BCP.“Em 2001, foi Líder Conjunto da maior transacção feita por uma entidade portuguesa, a CBO – Tagus Global Bond Nº1, a única a possuir um portofólio obrigacionista como colateral e Líder Conjunto da maior transacção CBO europeia à data de emissão – Tagus Global Bond Securitisation Nº 2 – no montante de 1.1 Mil Milhões de euros. Em Dezembro de 2001, liderou, conjuntamente com duas instituições financeiras internacionais, a emissão da Magellan Mortgages No.1, a primeira operação de titularização de crédito hipotecário originado em Portugal.”in < HREF="http://www.bcpinvestimento.pt/sub/sub.asp?pagina_id=254" REL="nofollow">sítio web do Millennium BCP<>

  3. Daí a «OPA» da CGD…JSilva

  4. Caixa Geral de Depósitos e BCP: é Natal!O BCP foi apanhado na crise do “subprime”! E a CGD? Zune, cada vez mais, que também!!Entretanto, os estados-maiores do País (quer dizer, a Opus Dei, a Maçonaria e a Tríade de Macau), parecem uma matilha de “Bull-Terriers” prestes a saltar para um ringue da Musgueira!! O Menezes e o PSD andam aos bonés. É muita areia para aquelas camionetas (e os anões não ajudam).Pergunta: quem irá travar o “tsunami” e impedir que boa parte da massa “à guarda” do sistema financeiro seja fatalmente atraída para o buraco negro do “subprime”, dando lugar a uma dívida infinita?Os donos do mundo financeiro (EUA, Japão e China) decidiram dar uma prenda de Natal a si próprios e fizeram umas tréguas temporárias.A China não valoriza tanto o Yuan Renmimbi, como queriam os americanos, deixando de pressionar o Japão, ao restringir os fluxos Ienes em direcção aos cofres de Pequim, e permitindo assim que a moeda japonesa volte a desvalorizar, como pretendem os japoneses, os americanos, os europeus e todos os especuladores do mundo! O Japão, que vive numa depressão interna escabrosa há quase dez anos, agradecido, promete descer em breve os juros facilitados à exportação dos seus produtos e aos empréstimos ao exterior, para taxas na ordem 0,25% (agora estão a 0,50%!). Isto já está a provocar nos mercados especulativos uma sensação de alívio verdadeiramente natalícia!Os americanos prometem continuar a endividar-se como doidos!A Alemanha, perdão a União Europeia, decidiu criar uma linha de crédito barato infinita (só para banqueiros falidos!!) a fim de que a banca europeia não feche as portas com bichas quilométricas às suas portas.Árabes e Russos continuarão a encher os cofres de dólares e de euros, aproveitando a bonança para se armarem até aos dentes.O pior, quer dizer a mais que provável depressão americana, continua no horizonte. Mas já que os donos do mundo resolveram fazer uma trégua de Natal, aproveitemo-la enquanto é tempo!Boas saídas!! E melhores entradas !!

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