Crise Global 10

Jerome Kerviel, hacker genial ou bode expiatório dos piratas da Societe General?
Jérôme Kerviel, hacker genial ou bode expiatório
dos piratas da Société Generale.

O colapso de um grande casino

Na minha opinião, quem deveria estar preso são os seus patrões e empregadores.” — Sylviane Le Goff, Tia de Jérôme Kerviel. — BBC News.

SocGen Failed to Notice Kerviel’s $73 Billion in Bets
French bank Societe Generale has admitted that its internal controls failed to catch bets worth over $73 billion — far more than the bank was worth. It is now being accused of contributing to the European market crash last week when it offloaded the bad bets. — Der Spiegel.

La crise mondiale est pour demain
La financiarisation, la prise du pouvoir sur l’activité économique par l’actionnaire ont entrainé une diminution des revenus du travail, un chômage et une précarisation généralisés qui remettent en cause l’équilibre du système en étranglant la demande, et en privilégiant la spéculation à court terme sur l’investissement productif. Jusqu’à présent, ce déséquilibre structurel a été compensé par un recours au crédit de plus en plus massif par les états et les ménages . Mais tout le monde sait que cette pyramide de dettes ne sera jamais remboursée. L’heure – douloureuse – de régler les comptes a-t-elle sonné ? — Michel Rocard, Le Nouvel Observateur.

O colapso anunciado da Société Generale (Soc Generale) conta-se em duas penadas, mas como é uma história dramática, houve que dá-la a conhecer a conta-gotas e exibindo à opinião pública um bode expiatório que arcasse com a responsabilidade por um buraco financeiro de 4,9 mil milhões de euros (um aeroporto em Alcochete!), em resultado de uma parada programada de investimentos especulativos, entretanto interrompida, na ordem dos 50 MIL MILHÕES DE EUROS! Este valor, posto em jogo pela Soc Generale, é superior ao próprio valor daquele que é o segundo maior banco francês, 35 mil milhões de euros, e equivale ao deficit orçamental anual da França!!

Sabe-se já que o discreto e muito apreciado corretor, apressadamente responsabilizado pelo maior prejuízo alguma vez ocorrido numa instituição financeira, desde que há registos oficiais, em resultado de um esquema de apostas automáticas no mercado altamente especulativo dos chamados “derivados” e “futuros”, não meteu um cêntimo ao bolso. Imagina-se que, por outro lado, dada a sua posição técnica, os 100 mil euros que auferia por ano na sociedade corretora que trabalha para a Société Generale (Soc Generale), e como em qualquer casino de Las Vegas, Jérôme Kerviel não teria qualquer possibilidade de realizar tamanhas apostas especulativas sem o pleno conhecimento, autorização e supervisão permanente do banco. Fontes bem informadas adiantam que o dito corretor não teria porventura liberdade de acção para lá dos 2 milhões de euros. Assim, quando este “Einstein” pôs em movimento, no início de Janeiro, um carrocel informático de 140 mil apostas (“puts”), na Bolsa de Frankfurt, com base em informação privilegiada, a qual apontaria para uma subida do DAX, tal operação foi inexoravelmente supervisionada, hora a hora, pelos donos do casino, perdão, da Bolsa de Frankfurt, e da Soc Generale, como refere a Der Spiegel em crónica sobre este filme de ficção tornado realidade. Em qualquer casa de jogo, para se obterem fichas, alguém tem que confirmar a solvabilidade do jogador. No money, no play!

Por cada ponto que o DAX subisse, a Soc Generale (não o pobre corretor) ganharia 25 euros por aposta (“put”). Mas como o índice não subiu, e pelo contrário desceu 600 pontos entre 1 e 18 de Janeiro, o banco francês perdeu nesse período 140.000 x 600 x 25 = 2.100.000.000 euros. Daqui aos 4,9 mil milhões de perdas vai todo um rosário ainda por contar. Da compra de crédito de risco americano (Subprime) ao que ainda falta saber, o retrato do ultra-liberalismo não poderia ser mais sugestivo. De momento, lá como cá, temos os piratas que dirigem os bancos e os piratas da política a mentir com todos os dentes sobre as verdadeiras causa do tsunami financeiro mundial. Não acreditem em nada do que vos dizem! Serão quase sempre mentiras ou meia-verdades. E sobretudo muito cuidado com o dinheiro que deixam à guarda dos bancos em acções ou quaisquer planos de poupança, seguros de saúde, etc.) Um autêntico perigo!

Vamos saber, até ao final de Março, quais as repercussões de tudo isto na economia portuguesa (parece que a Jerónimo Martins era um bom cliente da Société Generale…), e sobretudo na banca portuguesa, nomeadamente na Caixa Geral de Depósitos, que alguns suspeitam estar envolvida no fiasco do Subprime.

Actual crise financeira global resulta da combinação explosiva entre o endividamento generalizado das economias americana e europeia e os múltiplos esquemas artificiais de superação e encobrimento da mesma, entre os quais se encontram os mercados virtuais de derivados, os jogos especulativos com divisas (FOREX), de que há a destacar o chamado carry trade japonês, e produção sistemática de dívida especulativa, como forma de estimular o consumo. A entrevista dada por Michel Rocard em Dezembro do ano passado ao Nouvel Observateur é, a este propósito, muito reveladora.

(OAM/ FBC)


ÚLTIMA HORA
30-01-2008. Apesar de Sarkozy ter defendido, contra os avisos de Bruxelas (a 4 ou a 27?), a protecção francesa da Soc Generale, face aos predadores que circulam à volta do gigante ferido (mercado livre, liberalismo, quem disse?!), a verdade é que os seus melhores quadros (incluindo os hackers financeiros) estão a ser assediados pela concorrência. O Capitalismo já não é o que era!

29-01-2008. Lá como cá, a dança da concentração bancária europeia entrou numa nova vaga. O segundo maior banco francês, a Société Génerale (Soc Generale), está com o cio, perdão está “opável”! Entretanto, Jérôme Kerviel foi libertado e Sarkozy pede a cabeça do PDG da Société Generale. Deveria também pedir a cabeça do presidente do Banco de França! (OAM/FBC)

29-01-2008. La presse financière spécule sur la faiblesse de la Société générale, dont le cours a atteint son plus bas niveau depuis trois ans. Selon le Wall Street Journal, la BNP Paribas aurait commencé à discuter, en interne, sur l’opportunité d’une OPA sur sa rivale. Le Financial Times constate qu’outre BNP Paribas, le Crédit agricole s’est invité au bal des prétendants, qui pourrait se dénouer d’ici plusieurs mois. Le New York Times souligne, quant à lui, que les analystes de Citigroup, dans une note à leurs clients, indiquent que HSBC et Barclays pourraient également faire partie des banques tentées par une OPA sur la Société générale. — Le Monde.

OAM 302 28-01-2008, 13:13

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