Crise Global 12

Sarkozy e Blair
Sarkozy e Blair: nova Entente Cordiale?

Para onde vai Barroso?

Petição contra Blair

Nós, cidadãos europeus de todas as origens e inclinações políticas, desejamos expressar a nossa oposiçao total à nomeação de Tony Blair para a Presidência do Conselho da União Europeia.

O Tratado de Lisboa prevê a criação do cargo de Presidente do Conselho da União Europeia, a ser eleito pelo Conselho para um mandato de dois anos e meio, renovável uma vez. Nos termos do Tratado: “O Presidente assegura a preparação e continuidade dos trabalhos do Conselho Europeu” e “O Presidente preside aos trabalhos do Conselho Europeu e dinamiza esses trabalhos”. Além disso, “O Presidente do Conselho Europeu assegura, ao seu nível e nessa qualidade, a representação externa da União nas matérias do âmbito da política externa e de segurança comum”.

O futuro presidente terá portanto um papel chave na definição das políticas da União Europeia e nas relações desta com o resto do mundo. A primeira presidência possuirá ainda um peso simbólico particular, quer para os cidadãos da União Europeia, quer para a imagem da União no resto do mundo. Nesta perspectiva, cremos ser essencial que o primeiro presidente incarne o espírito e os valores do projecto europeu. (Ler texto completo da petição e assinar!)

Petição online contra a nomeação de Tony Blair para Presidente do Conselho da União Europeia

Sarkozy, o garnisé de Paris, espécie de críptico-Napoleão ridículo com perigosas simpatias pelos meandros mais sinistros do Sionismo, parece apostado em criar um novo entendimento especial com o poodle dos falcões americanos (Tony Blair), no preciso momento em que a América está a braços com a sua maior crise económica, política e cultural desde a sua Guerra Civil.

Aprendizes medíocres de Zbigniew Brzezinski, pretendem agora (tarde demais!) jogar The Grand Chessboard (1997), em vez de lerem e tirarem as devidas conclusões do último livro do politólogo polaco-americano, Second Chance (2007). Os Estados Unidos da América precisam da Europa, mas a Europa precisa ainda mais dos declinantes Estados Unidos da América, ou melhor, de toda a América, se ambos quiserem evitar simultaneamente uma perigosa fuga em frente dos WASP (defendida pelos criminosos que ocupam a Casa Branca há quase oito anos), e novas inquietações e crises no velho continente; nomeadamente no processo de avanço da União Europeia, na estabilização das tensões nacionalistas no Kosovo, Chipre e País Basco, no atraso do processo de integração europeia da Turquia, ou no indesejável isolamento da Rússia, com os consequentes perigos de colisão na Ucrânia, na Polónia, na República Checa, na Geórgia, etc.

Uma possível vitória de Barak Obama nas presidenciais americanas de 2009, alteraria certamente a favor da paz mundial as tenebrosas perspectivas de guerra que continuam a pairar de forma dantesca sobre o planeta. Votemos nela!

Vale a pena meditar nalgumas das palavras de Brzezinski, no momento em que tantos falcões por esse mundo fora conspiram a favor da aniquilação nuclear de uma parte substancial da humanidade.


How Has America Led?
In a word, badly. Though in some dimensions, such as the military, American power may be greater in 2006 than in 1991, the country’s capacity to mobilize, inspire, point in a shared direction and thus shape global realities has significantly declined. Fifteen years after its coronation as global leader, America is becoming a fearful and lonely democracy in a politically antagonistic world. (…)

Will America Have a Second Chance?
Certainly. In large measure that is so because no other power is capable of playing the role that America potencially can and should play. (…)

But make no mistake: it will take years of deliberate effort and genuine skill to restore America’s political credibility and legitimacy. The next president should draw strategic lessons from America’s recent mistakes as well as its past sucesses. (…)

… the only way to exercise leadership is through subtle indirection and consensual rule. America’s model is neither the Roman nor the British empire; perhaps in the future the Chinese may draw a more relevant lesson from their imperial past of how a deferential tributary system can work. (…)

At the onset of the global era, a dominant power has therefore no choice but to pursue a foreign policy that is truly globalist in spirit, content, and scope. Nothing could be worse for America, and eventually the world, that if American policiy were universally viewed as arrogantly imperial in a postimperial age, mired in a colonial relapse in a postcolonial time, selfishly indifferent in the face of unprecedented global interdependence, and culturally self-righteous in a religiously diverse world. The crisis of American superpower would then become terminal.

A dupla franco-britânica terá pouco futuro no cenário de uma eventual vitória de Barak Obama nas próximas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Se tal ocorrer, a América terá uma oportunidade única para se auto-reconduzir no papel de potência credível e determinante do sistema-mundial. Não já como actor hegemónico, que deixou definitivamente de ser, mas como um dos nós construtivos da futura rede multipolar de poderes que terá que preparar a humanidade para um longo e dramático ajustamento aos novos paradigmas energéticos que vierem a suceder ao término da era petrolífera e do consumismo alienado.

Para onde vai Barroso?
Entretanto, a renovação do mandato presidencial-europeu de José Manuel Durão Barroso tornou-se improvável. Primeiro, porque não haverá lugar a renovação, mas sim a alteração de estatuto e de mandato. Em vez de um Presidente da Comissão Europeia, será escolhido no final de 2009 um primeiro Presidente do Conselho da União Europeia, com nova definição de poderes, à luz do Tratado de Lisboa. Ora esta eleição, pelo seu significado simbólico, vai ser disputada entre os grandes da Europa: Alemanha, França e Reino Unido.
Segundo, porque Sarkozy e Blair já deram a conhecer os seus planos nesta matéria.
Terceiro, porque mesmo boicotando, como proponho que se boicote, esta aliança de piratas, a alternativa será, muito provavelmente, alguém oriundo de um dos três países mencionados, sendo a hipótese, também já sugerida, do antigo ministro do ambiente alemão, Joschka Fischer, uma excelente alternativa.

Isto significa que Durão Barroso terá que alinhar as suas estratégias até ao fim deste ano, ou quanto muito até à Primavera de 2009. Que opções tem diante de si? No panorama internacional, não vejo nenhuma que faça juz ao seu histórico fulgurante e à sua ainda relativa juventude. Pelo contrário, se e em caso de um regresso táctico à política portuguesa, numa altura em que o governo socratintas estará de rastos, e o PPD/PSD também, ele terá todas as possibilidades de agendar uma entrada triunfal em Roma (perdão em Lisboa.) O cenário é tanto mais interessante de seguir quanto Portugal, num contexto ibérico mais equilibrado, tem muitíssimo que fazer no intenso trabalho de religação estratégica entre os Estados Unidos (de Obama?) e uma Europa liberta do poodle inglês e do garnisé de Paris. A situação geográfica de Portugal volta a ser essencial para os jogos políticos mundiais. Os Espanhois sabem disso. Os Chineses sabem disso. Os Angolanos sabem disso. Os Americanos e Ingleses, claro está, sabem disso. E nós, saberemos?

OAM 319 14-02-2008, 14:39

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