Petroleo 15

Frigorifico Vazio
Frigorífico Vazio – por falta de energia e por falta de alimentos.
Foto: OAM

A emergência energética

O barril de petróleo poderá custar 300 dólares antes de 2015

Ouvi hoje o pesporrente ministro das polícias declarar que não faltará gasolina às viaturas dos corpos de segurança, prometendo reforçar o respectivo orçamento sempre que for necessário. Pouco antes ouvira o irresponsável governamental pela área da agricultura e pescas afirmar, com o sorriso cínico a que nos habituou, que não tenciona subsidiar os carburantes que alimentam as embarcações de pesca, invectivando os pescadores a serem mais competitivos (imbecil!)

Mas como é? Um ministro subsidia e outro não? Qual é o critério? E por que carga de água não se podem imaginar medidas de emergência para acautelar sectores produtivos estratégicos do país (como o da produção própria de alimentos, ou o da mobilidade nas grandes áreas metropolitanas) — que mitigariam, pelo menos temporariamente, as dificuldades enormes que aí vêm –, mas por outro lado é possível subsidiar a produção das energias renováveis, incluindo os biocarburantes, cujos impactos reais na economia só daqui a alguns anos serão conhecidos? Então pode subsidiar-se a REN, a EDP e a GALP, entre outros oligopólios energéticos, mas não se pode impor regras à especulação, nem acudir a situações de ruptura? E o Fuel dos aviões, não está isento de taxas e de IVA? Se os políticos viajassem de traineira para Bruxelas, certamente que se lembrariam de subsidiar o gasóleo das pescas!

Que este governo não presta, já o sabíamos. Mas não é motivo para perder completamente o juízo e a vergonha, como as duas intervenções ministeriais de hoje exibiram.

O problema que aflige os distraídos políticos que temos não é novo, mas é grave. A especulação desenfreada que fez duplicar o preço do barril de petróleo em apenas um ano, não é infelizmente um factor passageiro da actual crise energética, mas o reflexo de um pico petrolífero, ou como prefere Robert Hirsch, de um planalto petrolífero a que a produção mundial de petróleo chegou em 2004 (ou em 2006), e cujas consequências serão tremendas para todo o mundo. O petróleo barato acabou! Daqui para a frente será um sobe-e-desce sempre a subir! Em 2015 o barril do petróleo poderá custar 300 dólares ou mais. E pior do que isso, o racionamento já começou! A OPEC recusa-se a aumentar a produção, em primeiro lugar porque não pode, e em segundo, porque não deve… em nome de uma desintoxicação progressiva da nossa extrema dependência dos combustíveis fósseis, com especial destaque para o petróleo. Pelo caminho, a OPEC e todos os especuladores enchem os bolsos, com o apoio canino do republicano Bush, e da democrata Nancy Pelosi.

O problema não é grave, é gravíssimo. Na realidade, justifica, em minha modesta opinião, a criação de um Gabinete de Crise Energética, interministerial, onde tenha assento o Presidente da República, e apoiado por um painel de especialistas em domínios tão diversos como a energia, os transportes, a mobilidade, a segurança alimentar e a solidariedade social. Este gabinete deverá, além do mais, deter poderes de acção excepcional sempre que a evolução (que será muito rápida) da conjuntura o justificar.

Mas sobre este momento crítico, face ao qual é absolutamente necessário equacionar um plano de acção acima das querelas partidárias do costume, vale a pena reler o que escrevi em Outubro de 2005, e ainda o que acaba de declarar Robert Hirsch (autor de um importante relatório sobre a nossa dependência energética) à CNBC.


$12 Gas and Rationing? Possible, Says Expert

“The prices that we’re paying at the pump today are, I think, going to be ‘the good old days,’ because others who watch this very closely forecast that we’re going to be hitting $12 and $15 a gallon, and then, after that, when world oil production goes into decline, we’re going to talk about rationing,” Robert Hirsch, Management Information Services Senior Energy Advisor, said on CNBC’s “Squawk Box.” “In other words, not only are we going to be paying high prices and have considerable economic problems, but in addition to that, we’re not going to be able to get the fuel when we want it.”

Hirsch argued that the maximum in world oil production has already been hit.

“The idea is that [world oil production] would hit a sharp peak and then drop off, and what’s happened is, we’ve hit a plateau in world oil production, and that plateau has been ongoing since about the middle of 2004,” he said.

Those who argue that new technology and new types of energy will solve the problem aren’t on solid ground, Hirsch suggested.

“There’s no single thing that’s going to solve this problem, because it’s as massive as one can possibly imagine,” he said. — © 2008 CNBC.com

A antecipação criminosa da estratégia da Ota

Se as obras de terraplanagem algum dia vierem a ter início, de uma coisa deveremos desde já estar seguros: o dito Aeroporto Internacional da Ota jamais será concluído. Muito antes das datas previstas, nos cenários pró-Ota, para a sua inauguração –2017-2018–, Portugal ver-se-à na contingência de ter que redesenhar dramaticamente as suas prioridades de desenvolvimento (ou melhor dito, de sobrevivência). A brutal crise energética chegará muito mais cedo do que se prevê. E antes dela (ainda na vigência do actual governo) chegará também um mais do que provável “crash” imobiliário. Sem precisar de consultar cartas astrológicas, um número crescente de especialistas vem advertindo os governos de todo o mundo para o que se poderá passar num planeta subitamente consciente do declínio acelerado e irreversível das suas duas principais fontes energéticas: o petróleo e o gás natural. Mitigar este cenário mais do que certo exigirá avultados investimentos públicos e privados, que serão tanto maiores quanto mais próximos estivermos do colapso energético global.

A prioridade das prioridades, em Portugal, como em toda a Europa, é criar uma rede capilar de transportes rodoviários, ferroviários, marítimos e aéreos altamente sustentáveis, divergindo rapidamente da dependência exclusiva dos combustíveis fósseis. Os Estados deverão concentrar-se na construção muito dispendiosa destas infraestruturas (e no apoio à investigação científica e tecnológica apropriada), deixando aos privados o papel de explorar, em regime de concorrência vigiada, o correspondente material circulante: camiões, comboios, barcos e aviões. O transporte individual tal como o conhecemos hoje desaparecerá muito rapidamente, devido aos custos insuportáveis de veículos e combustíveis, mas também devido à insolvência de milhões famílias por essa Europa fora.

A segunda prioridade inadiável é a autonomia alimentar local. Temos que reconstruir rapidamente as cinturas verdes das cidades com mais de 100 mil habitantes, tendo como objectivo inegociável a criação de capacidades básicas de auto-abastecimento alimentar.

A terceira prioridade é parar imediatamente com a actividade imobiliária especulativa, interrompendo pura e simplesmente toda a actividade de construção civil desnecessária. Os recursos técnicos, logísticos e humanos até agora empregues nesta actividade inútil e tonta deverão ser desviados para a consecução das grandes obras de infra-estruturas prioritárias a serem lançadas imediatamente como vértice fundamental de uma estratégia de mitigação da aproximação do “crash” energético.

A quarta prioridade é reorganizar radicalmente o actual aparelho de Estado, eliminando tudo o que for dispensável. Precisamos de um Estado de Emergência. Mais vale perceber isto agora, do que esperar por uma metamorfose repentina, anárquica, tumultuosa e violenta.

A quinta prioridade é relançar a Democracia…

in O António Maria, 28-10-2005

OAM 366 23-05-2008, 03:22 (última actualização: 13:58)

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