Portugal 33

As respostas espanhola e portuguesa à crise: que diferença!


El futuro vuelve en tren en septiembre
San Vicente de Alcántara vibra estos días al ritmo de la maquinaria que retira las viejas vías y que instalará una nueva línea que lo conectará con la modernidad.

13-07-2008. Perdidos. Sudorosos y ya morenos por el sol, caminan por la vieja vía con sus chalecos amarillos. Unos jóvenes topógrafos buscaban esta semana un punto exacto en mitad de la sierra de San Pedro para realizar unas mediciones del terreno, y aunque la belleza del paisaje que les rodea era arrebatadora, hacía mucho calor, y ellos no estaban para poesía.

La zona es muy visitada por turistas y amantes de la naturaleza que quieren disfrutar del paisaje o hacerse con alguna de las mejores piezas de caza que abundan por la sierra, pero ellos tenían que medir los desniveles del terreno en la línea ferroviaria Madrid y Lisboa, en el tramo entre Herreruela-San Vicente de Alcántara, y aún les quedaba mucho trabajo por delante. Todo el verano, como mínimo.

La línea está ahora cortada. Desde el último descarrilamiento del ‘Lusitania’ (Madrid-Lisboa) que ocurrió en la zona, el 19 de enero de este año, ningún tren ha vuelto vuelto a circular por la vía.

Pero el silencio impuesto se ha roto esta semana al comenzar las obras de renovación de la línea entre las estaciones de Herreruela y Valencia de Alcántara. — Celia Herrera, Hoy.es.

Vale a pena ler na íntegra a edição número 15 de A Verdade, dedicada a sublinhar as diferenças entre as estatísticas e as respostas políticas governamentais de Portugal e Espanha. São chocantes! A administração da coisa pública espanhola revela a existência de rumo e consistência, apesar da rotação do poder se fazer em torno de dois partidos muito mais afastados ideologicamente entre si do que os manos incestuosos do nosso Bloco Central. No caso lusitano, fica claramente à mostra o cretinismo político que nos desgoverna há décadas.

Entretanto, a nossa crise, que só em parte deriva da importação dos males dos outros, soma e segue a caminho do abismo. Realço em seguida alguns tópicos mais recentes, e finalizo com um cardápio de sugestões gratuitas ao Governo.

  • Primeiro problema: os bancos privados (BPI, BCP, etc.) caminham rapidamente para uma gravíssima crise de liquidez, as quais podem facilmente terminar em falência. Os anúncios dos prejuízos de exploração vêm aí!

    A tríade de Macau prepara-se para atalhar este problema recomendado ao Executivo o mesmo embuste descortinado pelo FED para fazer desaguar os custos do buraco negro financeiro americano no resto do mundo , i.e.: “nacionalizar” os bancos em fase de implosão irreversível, por forma a transferir os buracos e as dívidas dos especuladores privados para as costas dos contribuintes!!

  • Segundo problema: estamos a caminho de uma paragem cardíaca do sistema financeiro.

    É que diminuindo drasticamente a circulação monetária, efeito da catastrófica queda do valor especulativo das empresas (incluindo os bancos) e do aumento do endividamento (provocado pela subida das taxas de juro e dos spread, bem pelo atraso acumulado dos incumprimentos financeiros das dívidas públicas e privadas), ocorre um efeito de dominó sobre toda a economia: falências empresariais e pessoais, desemprego e grave crise institucional.

    O Governo português está desesperado e procura uma solução qualquer, nomeadamente sob a pressão monumental da banca, dos donos do betão e dos especuladores profissionais, conhecidos financiadores da actividade partidária.

  • Terceiro problema: a polémica em volta das Grandes Obras e o atraso do peditório nacional chamado QREN, estão a desencadear fugas em frente avulsas e desmioladas por parte da incompetente Ana Paula Vitorino (o Dromedário-Mor já só deve estar a pensar para onde irá a seguir…)

    Em vez de modernizar criteriosamente a linha férrea convencional, nomeadamente finalizando, com pés e cabeça, a modernização da Linha do Norte(1), e interligando esta última com a Linha do Oeste, que por sua vez precisa de ser electrificada e ver modernizado o seu sistema de sinalização), enquanto a Alta Velocidade espera por melhores dias, o MOPCT decide construir novas sedes para a CP e fazer ramais, variantes e anéis ferroviários inúteis, satisfazendo os imbecis do betão e os ávidos autarcas, em plena sintonia com as estratégias da tríade para a campanha eleitoral de 2009. A SEDES teve absoluta razão no diagnóstico publicado!

10 Conselhos (gratuitos) ao Governo:

  1. forme-se um gabinete de crise (energética, económica e ambiental), encarregado de eleger e supervisionar a aplicação de um conjunto limitado e bem estudado de medidas, que os ministérios deverão executar sob vigilância apertada do PM e do Gabinete de Crise;
  2. dê-se prioridade aos projectos estruturantes e evitem-se fugas em frente, caras, irresponsáveis, e eleitoralistas;
  3. aposte-se na recuperação inteligente da rede ferroviária convencional, tendo presente que a prioridade deve ir para as linhas estruturantes da rede: Linha do Norte, Linha do Oeste e Linha do Douro;
  4. aposte-se nas ligações de Alta Velocidade/ Velocidade Elevada entre Lisboa e Madrid (turismo e negócios), entre a Galiza e o Porto (consolidação da capital nortenha como cabeça do Noroeste Peninsular) e entre Aveiro e Salamanca (exportações!)
  5. reserve-se Alcochete para melhores dias e aposte-se imediatamente na modernização efectiva da Portela (não a balbúrdia e acumulação de erros recentes), bem como na activação urgente da Base Aérea do Montijo para as companhias de Low Cost, salvando-se assim a TAP e o potencial aeroportuário estratégico de Lisboa!
  6. defina-se o transporte marítimo de longo curso e de cabotagem como prioridade estratégica nacional, com tudo o que isso implica de novos e grandes investimentos na renovação dos portos portugueses e respectivas acessibilidades, bem como no renascimento de uma indústria naval à altura das nossas necessidades e capacidades (este é um dos raros sectores onde Portugal tem uma vantagem competitiva potencial relativamente à Espanha);
  7. ataque-se sem dó nem piedade as mais nocivas corporações do país: juízes, advogados e médicos;
  8. ponham-se os sindicatos na ordem, criando-se regras claras e intransigentes de relacionamento;
  9. alargue-se o princípio da limitação de mandatos aos deputados e a todos os órgãos eleitos em entidades consideradas ou a considerar de interesse público: sindicatos, ordens, associações académicas e culturais, empresas cotadas em bolsa, etc….
  10. preparem-se medidas especiais de apoio à insolvência pessoal e das PMEs (neste caso, por exemplo, sob a forma de programas de incentivos à reconversão e eficiência energéticas).

Quem avisa…


NOTAS
  1. Ler a este propósito dois documentos oportunos de Rui Rodrigues: A Encruzilhada da Linha do Norte (2002) e Mudar Bitola na Linha do Norte (2004).


OAM 392 14-07-2008 19:13 (última actualização: 15-07-2008 10:36)

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