Crise Global 16

Madrid, Cuatro Torres Business Area
Madrid, Cuatro Torres Business Area (2008)

Derrocada ibérica!

A explicação mais plausível para o tombo financeiro do PSI20 no dia 15 de Outubro de 2008 não vem de Nova Iorque, mas de Espanha.

BCP cai 8,33% para 1,04 euros, o valor mais baixo de sempre

Expresso online (13:17 | Terça-feira, 15 de Jul de 2008)

A bolsa de Lisboa está a viver de novo uma sessão negra, com o PSI20 a desvalorizar 4,62%, e a acumular uma perda anual próxima dos 40%. Mas as quebras já foram superiores hoje: o PSI20 já esteve a perder 6% e o BCP quase 10%.

A bolsa de Lisboa está a ser fortemente penalizada, com várias empresas a perder mais de cinco por cento, pressionada pelas más notícias sobre o agravar da crise mundial e as perdas da banca devido aos problemas desencadeados pelo crédito hipotecário de alto risco e pela acentuada desvalorização dos mercados accionistas.

A intervenção do estado norte-americano para “salvar” a empresas hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac veio afectar ainda mais a confiança dos investidores, e afastá-los dos mercados de capitais.

O PSI20 estava, às 13h00, a perder 4,62%, mas já esteve a cair quase 6%, com o BCP a liderar as quebras, com uma descida que roçou os 10%. As acções do maior banco privado português estão a 1,04 euros, ou seja, próximas do valor nominal, situação que os analistas consideram preocupante.

O banco já perdeu este ano em capitalização bolsista 7 mil milhões de euros e está agora a cotar-se no valor mais baixo de sempre, com uma desvalorização anual de 60,23%.

… Entre as maiores perdas está também o BPI (-6,81%), a Galp (-7,97%), a Portucel (-6,19%), a Teixeira Duarte (5,81%) e a Altri (-6,05%).


Large construction firm is first victim of Spain’s slumping real estate market

International Herald Tribune / The Associated Press (Published: July 15, 2008)

MADRID: A crisis in Spain’s once-booming real estate market has claimed its first big victim as Martinsa-Fadesa, one of the country’s largest construction companies, filed for protection from creditors holding more than €5 billion, or $8 billion, in debt.

… Martinsa-Fadesa is one of the largest construction companies in Spain, with nearly €11 billion, or $17.4 billion, in assets.

It is now the first major victim of the crisis in Spain’s real estate sector, which had been the main engine behind more than a decade of robust economic growth but is now in a free fall because of sharply higher interest rates and tighter lending conditions from banks.

Residental home sales are down 30 percent this year and housing prices are falling in some major cities like Madrid and Barcelona.


Bankruptcy fears hit Spanish building stocks

Martinsa-Fadesa’s administration move highlights precarious state of market

MarketWatch (Last update: 6:47 a.m. EDT July 15, 2008)

LONDON (MarketWatch) – Companies connected to the Spanish property market fell sharply on Tuesday, with investors spooked by the sector’s first likely high-profile bankruptcy.

Property developer Martinsa-Fadesa said on Monday that it would seek credit protection after it couldn’t raise a 150 million euro loan.

Martinsa-Fadesa is one of the largest real estate companies in Spain, with assets of nearly 13 billion euros ($20.8 billion).

… Martinsa-Fadesa shares were suspended at 7.30 euros on Monday, after falling 48% on Friday when the firm said that it had requested more time to raise funds.

Analysts said that Martinsa-Fadesa’s statement is likely the tip of the iceberg for bad news from the Spanish construction sector and the banks that have lent to them.

The institutions that are seen as most exposed to Martinsa-Fadesa’s debt – which is around 5.2 billion euros ($8.3 billion) – are CajaMadrid, La Caixa, Banco Popular and Caixa Catalunya, Vega said.

(…) Other companies in the construction sector trading sharply lower included Sacyr-Vallehermoso, down 11.9%, Grupo Ferrovial, down 10.4%, ACS Actividades de Construccion, down 6.4%, and Inmobilia Colonial, down 7%.

(…) Martinsa’s debt accounts for around 1.7% of the approximately 310 billion euros lent to Spanish developers.

Dominic Bryant, strategist at BNP Paribas, said: “With credit markets still stressed, access to funding could create issues for highly indebted companies. Generally, debt levels of the Spanish non-financial corporate sector are well above the euro-zone average. (…) “With such a huge adjustment ongoing in the Spanish construction and real estate sector, we should not be surprised if other companies were to fold,” he added.

O abalo provocado pela falência do grande promotor espanhol é, de facto, o primeiro de uma série desconhecida mas certa de abalos financeiros que irá colocar as economias espanhola e portuguesa à beira de um ataque de nervos — ou mesmo de um grande terramoto. O Subprime desembarcou, como toda a gente atenta previa, na Europa. Começou por atingir os sectores bancários da Alemanha, Suiça, França e Reino Unido, mas agora é a vez do grande especulador imobiliário europeu: a Espanha. Por tabela, levam a Itália e Portugal, e a crise chegará também aos novos aderentes da União Europeia vindos do Leste.

Poucos sabem que a Espanha tem o segundo pior resultado mundial em termos de Balança de Transacções Correntes, imediatamente antes dos Estados Unidos (onde a situação é pura e simplesmente catastrófica). O buraco da dívida externa espanhola já ultrapassa 150% do respectivo PIB, qualquer coisa como 1,45 biliões (1 450 000 000 000) de euros.

¿Es viable un país cuyos ciudadanos deben a los bancos el 130% de su renta disponible? O dicho en otros términos: ¿Qué se puede esperar de una nación que acumula una deuda externa equivalente al 150% de su PIB? Ítem más. ¿Son solventes las empresas españolas teniendo en cuenta que deben al conjunto del sistema financiero 962.333 millones de euros, de los cuales casi la mitad corresponde a empresas del ‘ladrillo’ (constructoras e inmobiliarias)? — pergunta Carlos Sánchez – 16/07/2008 06:00h, no El Confidencial de 16-07-2008.

O dado que interessa relevar neste momento, sobretudo do ponto de vista das cautelas que deverão rodear a economia portuguesa, refere-se muito em particular ao impacto potencial da dimensão das responsabilidades contraídas pelo conjunto da indústria da construção e correspondente negócio imobiliário em Espanha. O descomunal endividamento externo espanhol pela via do betão vai ter um impacto enorme em toda a península. São 310 mil milhões de euros que estão a jogo (já meio perdido), ou seja, quase o dobro do PIB português!

O colapso da Martinsa-Fadesa significa, porém, apenas 1,7% do buraco negro em formação. Quando este começar a atrair para o seu inferno de destruição, 5%, 10%, 20%… do sector que mais construiu num só país europeu nos últimos 20 anos, que acontecerá a esta praia à beira-mar plantada, sem coqueiros, mas plena de gente leviana e políticos imbecis?

É também por esta razão que os Grandes Investimentos (sobretudo os embustes do Novo Aeroporto da Ota em Alcochete e da Ponte Chelas-Barreiro) vão ter que aguardar por melhores dias. É também por este motivo que temos que denunciar a atabalhoada decisão governamental (protagonizada pela tão ambiciosa quanto limitada e incompetente Ana Paula Vitorino) de lançar uma série de obras outrora suspensas por este mesmo governo, nomeadamente no sector ferroviário, por simples reflexo de desespero face à gravidade da situação económica actual. O pacote anunciado não contribui em nada para a melhoria, aliás urgente, da nossa rede ferroviária, onde as principais prioridades se situam na melhoria (electrificação e sinalização renovada) da Linha do Oeste e sua ligação à Linha do Norte, na finalização da modernização da Linha do Norte, na colocação de mais comboios na Ponte 25 de Abril, na modernização (consolidação, electrificação, sinalização renovada) da Linha do Douro e, finalmente, no ligação de Portugal à rede europeia de Velocidade Elevada/ Alta Velocidade.

É de prever que um ou dois bancos portugueses (BCP? e BPI?), mais alguma estrela do betão (depois da Construtora do Tâmega), venham a soçobrar no tsunami ibérico em formação. A TAP vai entrar muito rapidamente no vermelho. Mais uma razão para não dar ouvidos às sereias do Bloco Central do Betão. São o maior perigo que assola Portugal!

Post scriptum: ao contrário do que vêm sugerindo algumas araras académicas do regime, a receita Keynesiana não se aplica ao caso concreto da actual recessão das economias americana e europeia. E isto por uma única e simples razão: os países europeus (à excepção da Alemanha e poucos mais), bem como os Estados Unidos, têm vindo a endividar-se há décadas, tendo recorrido nomeadamente à privatização de fracções significativas dos respectivos recursos e activos estratégicos, como forma de garantir o afluxo de investimentos e empréstimos. Ou seja, daqui para a frente, Portugal, como muitos outros estados ocidentais já só podem refinanciar as suas dívidas e contrair novos empréstimos à custa de explosivas punções fiscais sobre a grande massa dos contribuintes, destruindo rapidamente as classes médias sobre as quais assentam as suas famosas democracias.

Não há pois alternativa à actual situação que não passe por colocar os juros acima da inflação, baixando ao mesmo tempo os impostos sobre os bens essenciais e a tributação oportunista sobre os recursos energéticos. Mas para isto dar algum resultado, será preciso proceder simultaneamente à redução drástica das despesas correntes não essenciais dos Estados, à implementação dum programa de eficiência energética radical, à metamorfose acelerada dos actuais paradigmas de transporte, mobilidade e consumo e, finalmente, à descentralização efectiva dos centros de decisão e organização social.

Do ponto de vista estratégico, temos que acabar com a globalização (i.e com a Organização Mundial de Comércio) e instaurar um Equilíbrio Global Diferenciado e Justo. Será preferível começarmos desde já a debater estes problemas sérios, do que recorrer a soluções expeditas quando, por exemplo, o Euro entrar numa crise estrutural irreversível.


ÚLTIMA HORA

Espanha: epicentro de um terramoto europeu…

A Europa pode já ter entrado na primeira recessão da era do Euro!

Alguns analistas prevêem que a coisa possa tornar-se muito feia a partir do fim deste Verão. Os mais cruéis apostam mesmo na hipótese de um colapso da moeda única antes de 2012, pois os países do Sul (nomeadamente Grécia, Itália, Espanha e Portugal), super endividados, não dispõem de margem de manobra, nem de recursos (garantias), para suportar a inevitável subida das taxas de juro que, pela mão estatutária e firme de Trichet, procurará desesperadamente impedir que a rampa inflacionista mundial (provocada sobretudo pelos EUA e pelo Japão) conduza a economia europeia à super inflação (olhem para o Zimbabwe!)

Os greenGo imprimem alegremente papel verde, deixaram de contar o montante da sua dívida infinita e caminham como zombies para a sua primeira (haverá segunda?) falência imperial. Mas a Europa não pode fazer o mesmo! Baixar os juros, como pretende o Bloco de Esquerda (que raio de economista é afinal o Louçã?!), seria precipitar um suicídio talvez evitável se aceitarmos mudar, com imaginação e tenacidade, o nosso insustentável estilo de vida.

As alternativas são infelizmente poucas e amargas: suportar uma forte recessão em 2009-2010, evitando assim a super inflação, ou deixar que o casino imprima toda a espécie de dívida para continuarmos a fingir que somos mais ricos do que os chineses, e batermos contra o muro da falência colectiva, provocando o regresso da Europa ao bordel nacionalista. A “esquerda” comunista e bloquista já fez a sua opção. A direita não existe. Falta pressionar o PS e o PSD para que comecem a trabalhar a sério pelo País e pela Europa!

European recession looms as Spain crumbles

Telegraph.co. 18-07-2008 1:08am — (By Ambrose Evans-Pritchard) The eurozone is tipping into a deeper downturn than America itself despite the tremors in the US mortgage industry, and may already be in full recession for the first time since the launch of the single currency.

Spain drops reassuring gloss as crisis deepens

Telegraph.co. 18-07-2008 1:09am — (By Ambrose Evans-Pritchard) — Spain’s finance minister Pedro Solbes has stunned the markets with an admission that his country faces the worst economic crisis in its history as the full effects of the property crash spread through the economy.

“This crisis is the most complex we have ever lived through given the plethora of factors on the table at the same time,” he told Punto Radio in Madrid, breaking with past efforts to put a reassuring gloss on events.

Mr Solbes said the Madrid bourse had suffered an “earthquake”, crashing 27pc since the start of June. He blamed the toxic cocktail of high oil prices, the global credit crisis and the sharp slowdown in the key export markets of North America and Germany.

Solbes reconoce que es la crisis “más compleja” de la historia

El Economista.es. 16-07-2008 18:21 — El vicepresidente segundo del Gobierno y ministro de Economía y Hacienda, Pedro Solbes, no descartó hoy que la economía española pueda registrar crecimientos cero en algún trimestre determinado, al tiempo que reconoció que la actual crisis económica es la “más compleja” de la historia por la cantidad de factores que influyen en la misma.

… En cuanto al empleo, reconoció que el problema del paro es “el más grave” al que tiene que hacer frente la economía española, ya que una tasa de paro del 11% es totalmente “inaceptable” aunque recordó que el último Gobierno del PP dejó el paro en el 11,5% Y que el Ejecutivo está haciendo “muchas cosas” para reinsertar a los desempleados en otros sectores de actividad.

OAM 394 17-07-2008 03:14 (última actualização: 18-07-2008 22:01)

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