Eurasia adiada – 4

Guerra Fria?

15-08-2008. “Infelizmente, depois do que aconteceu, é improvável que os ossetianos e abecazes consigam viver dentro do mesmo Estado que os georgianos” — Dmitry Medvedev (Estadao.com.br).

15-08-2008. “Esperamos que os responsáveis russos reconheçam que um futuro de cooperação e de paz será benéfico para todas as partes. A guerra fria terminou.” — George W. Bush (AFP).

15-08-2008. Poland has signed a preliminary deal with the US on plans to host part of its new missile defence shield. Under the agreement, the US will install 10 interceptor missiles at a base on the Baltic coast in return for help strengthening Polish air defences. — BBC.

A probabilidade de um isolamento internacional da Rússia é quase nula (1) e tem uma explicação simples: o próximo maior mercado do mundo não se chamará Europa, nem Estados Unidos, mas Ásia — e está a chegar!

O PIB da China, segundo Albert Keidel, ultrapassará o dos EUA em 2035 e duplicá-lo-á em 2050. Para atingir estas metas, Pequim conta naturalmente com o petróleo e o gás natural do Irão e do Mar Cáspio, para o que criou uma aliança alternativa à NATO, chamada The Shanghai Cooperation Organization (SCO), da qual fazem parte a China, a Rússia, o Cazaquistão, o Quirguistão, o Tajiquistão e o Uzbequistão. A Índia e o Irão são dois dos países observadores que em breve poderão juntar-se ao novo clube de milionários.

Entretanto, à hora que escrevo esta crónica, a orgulhosa China leva 12 medalhas de ouro olímpicas de vantagem sobre os Estados Unidos. Os símbolos contam!

Por sua vez, o preço do petróleo continuará a subir a uma média dificilmente inferior a 30% ao ano, apesar da queda pronunciada das últimas semanas (2). Isto significa que em Agosto de 2009 o barril de crude não deverá custar menos do que 144 USD, em Agosto de 2010, 187 USD, em Agosto de 2010, 243 USD, etc. Países como Portugal têm um futuro imediato bem difícil (3).

Até 2010, Estados Unidos e Europa andarão às voltas com as suas respectivas recessões, pouco dispostos a alimentar mais aventuras militares inconsequentes (4).

A probabilidade de uma paragem da globalização e subsequente divisão do mundo em dois hemisférios proteccionistas é pois mais alta do que estamos preparados para admitir neste momento. À medida que o casino dos chamados mercados de derivados começar a destruir a economia ocidental, a necessidade de um novo Tratado de Tordesilhas tornar-se-à evidente para todos.

Estados Unidos e Europa têm que mudar de vida quanto antes, tornando-se mais eficientes no uso da energia, menos consumistas e mais produtivos. Para aí chegar terão que abandonar alguns famosos instrumentos outrora cruciais ao seu exercício imperial, mas que já hoje são caros e irrelevantes, ou caminham para a falência: G8, FMI, Banco Mundial e Organização Mundial de Comércio. Para poder retomar a paridade estratégica que está a caminho de perder, Estados Unidos e Europa só dispõem de uma alternativa: voltar ao proteccionismo comercial, ainda que seguindo modelos selectivos, porventura originais.

A retórica americana e europeia sobre a Geórgia e a independência da Ossétia e da Abcácia não passa de uma terrível hipocrisia. Depois de tudo o que fizeram no Cosovo, no Afeganistão e no Iraque, e deixaram fazer na Palestina, depois do modo indecoroso como a União Europeia tolerou aos Estados Unidos toda a espécie de crimes (5), ou permitiu, sem um reparo, o acosso imperial permanente da Rússia pós-soviética, Washington e Bruxelas não têm qualquer autoridade para condenar a acção punitiva de Moscovo contra uma “democracia cor-de-rosa” que, na realidade, nada mais é do que um tentáculo dos Estados Unidos. Talvez por isto mesmo, Washington tenha tamanha dificuldade em engolir a ensaboadela que inesperadamente está a levar.

Tanto na Rússia, como na China, ou na Coreia, e não apenas, portanto, no vasto mundo muçulmano, cresce uma revolta surda contra os Estados Unidos. São sobretudo os mais jovens que protagonizam esta crescente hostilidade cultural. As suas acções de guerrilha electrónica revelam, aliás, o imenso potencial de crítica e agressividade em gestação.

Online grassroots communities have united and set up websites in Russian offering software available for download to initiate DDOS attacks. The Georgian government’s website was hacked on Monday, with the front page replaced with images of Adolf Hitler. Georgian hackers have retaliated with their own cyber attacks on Russian websites, but as in the physical world they have been largely out-gunned and bloggers who have attempted to post photos of the advance of the Russian military machine have rapidly found their own websites under counter fire. — Georgia under web fire. By Martin J Young, in Asia Times.

Numa palavra, a estratégia da supremacia imperial praticada pelos Estados Unidos faliu e só poderá dar desgostos a quem a seguir. A Europa de Leste foi entalada pela sua própria estupidez e pela falta de tino e capacidade de decisão da União Europeia. O cretinismo político dos polacos e dos checos conduziu ambos os países a um beco sem saída. Poderá Bruxelas fazer alguma coisa? Ou iremos, pelo contrário, assistir à implosão definitiva do Tratado de Lisboa? Durão Barroso, para já, está a banhos algures no Algarve. Eu também vou para lá, até ao fim do mês!

Deixo aos que me lêem, três leituras recomendáveis, a propósito da decadência irreversível dos paradigmas militares e diplomáticos da América.

Geopolitical Chess: Background to a Mini-war in the Caucasus. By Immanuel Wallerstein.

15-08-2008. It is perfectly true, as everyone observed at the time, that the Yalta rules were abrogated in 1989 and that the game between the United States and (as of 1991) Russia had changed radically. The major problem since then is that the United States misunderstood the new rules of the game. It proclaimed itself, and was proclaimed by many others, the lone superpower. In terms of chess rules, this was interpreted to mean that the United States was free to move about the chessboard as it saw fit, and in particular to transfer former Soviet pawns to its sphere of influence. Under Clinton, and even more spectacularly under George W. Bush, the United States proceeded to play the game this way.

There was only one problem with this: The United States was not the lone superpower; it was no longer even a superpower at all. The end of the Cold War meant that the United States had been demoted from being one of two superpowers to being one strong state in a truly multilateral distribution of real power in the interstate system. Many large countries were now able to play their own chess games without clearing their moves with one of the two erstwhile superpowers. And they began to do so. — in Geopolitical Chess: Background to a Mini-war in the Caucasus, by Immanuel Wallerstein.

The Limits of Power: The End of American Exceptionalism. By Andrew Bacevich.

Iraq and Afghanistan remind us that war is not subject to reinvention, whatever Bush and Pentagon proponents of the so-called Revolution in Military Affairs may contend.

War’s essential nature is fixed, permanent, intractable, and irrepressible. War’s constant companions are uncertainty and risk. “War is the realm of chance,” wrote the military theorist Carl von Clausewitz nearly two centuries ago. “No other human activity gives it greater scope: no other has such incessant and varied dealings with this intruder … ” – a judgment that the invention of the computer, the Internet, and precision-guided munitions has done nothing to overturn.

So the first lesson to be taken away from the Bush administration’s two military adventures is simply this: War remains today what it has always been – elusive, untamed, costly, difficult to control, fraught with surprise, and sure to give rise to unexpected consequences. Only the truly demented will imagine otherwise.

The second lesson of Iraq and Afghanistan derives from the first. As has been the case throughout history, the utility of armed force remains finite. Even in the information age, to the extent that force “works”, it does so with respect to a limited range of contingencies.

Although diehard supporters of the “war on terror” will insist otherwise, events in Iraq and Afghanistan have demonstrated definitively that further reliance on coercive methods will not enable the United States to achieve its objectives. Whether the actual aim is to democratize the Islamic world or subdue it, the military “option” is not the answer.

The Bush Doctrine itself provides the basis for a third lesson. For centuries, the Western moral tradition has categorically rejected the concept of preventive war. The events of 9/11 convinced some that this tradition no longer applied: old constraints had to give way. Yet our actual experience with preventive war suggests that, even setting moral considerations aside, to launch a war today to eliminate a danger that might pose a threat at some future date is just plain stupid. It doesn’t work.

History has repeatedly demonstrated the irrationality of preventive war. If the world needed a further demonstration, Bush provided it. Iraq shows us why the Bush Doctrine was a bad idea in the first place and why its abrogation has become essential. For principled guidance in determining when the use of force is appropriate, the country should conform to the just war tradition – not only because that tradition is consistent with our professed moral values, but also because its provisions provide an eminently useful guide for sound statecraft.

Finally, there is a fourth lesson, relating to the formulation of strategy. The results of US policy in Iraq and Afghanistan suggest that in the upper echelons of the government and among the senior ranks of the officer corps, this has become a lost art.

Since the end of the Cold War, the tendency among civilians – with Bush a prime example – has been to confuse strategy with ideology. The president’s freedom agenda, which supposedly provided a blueprint for how to prosecute the “war on terror”, expressed grandiose aspirations without serious effort to assess the means required to achieve them. Meanwhile, ever since the Vietnam War ended, the tendency among military officers has been to confuse strategy with operations.

Here we come face-to-face with the essential dilemma with which the United States has unsuccessfully wrestled since the Soviets deprived us of a stabilizing adversary. The political elite that ought to bear the chief responsibility for crafting grand strategy instead nurses fantasies of either achieving permanent global hegemony or remaking the world in America’s image. Meanwhile, the military elite that could puncture those fantasies and help restore a modicum of realism to US policy fixates on campaigns and battles, with generalship largely a business of organizing and coordinating materiel.

The four lessons of Iraq and Afghanistan boil down to this: Events have exposed as illusory American pretensions to having mastered war. Even today, war is hardly more subject to human control than the tides or the weather. Simply trying harder – investing ever larger sums in even more advanced technology, devising novel techniques, or even improving the quality of American generalship – will not enable the United States to evade that reality.

As measured by results achieved, the performance of the military since the end of the Cold War and especially since 9/11 has been unimpressive. This indifferent record of success leads some observers to argue that we need a bigger army or a different army.

But the problem lies less with the army that we have – a very fine one, which every citizen should wish to preserve – than with the requirements that we have imposed on our soldiers. Rather than expanding or reconfiguring that army, we need to treat it with the respect that it deserves. That means protecting it from further abuse of the sort that it has endured since 2001.

America doesn’t need a bigger army. It needs a smaller – that is, more modest – foreign policy, one that assigns soldiers missions that are consistent with their capabilities. Modesty implies giving up on the illusions of grandeur to which the end of the Cold War and then 9/11 gave rise. It also means reining in the imperial presidents who expect the army to make good on those illusions. When it comes to supporting the troops, here lies the essence of a citizen’s obligation.

— Andrew Bacevich, professor of history and international relations at Boston University, retired from the US Army with the rank of colonel. This piece is adapted from his new book, The Limits of Power: The End of American Exceptionalism (Metropolitan Books, 2008). He is also the author of The New American Militarism, among other books. In Asia Times.


Second Chance
. By Zbigniew Brzezinski (actual conselheiro de Barak Obama…)

Given America’s growing global indebtedness (it now borrows some 80 percent of the world’s savings) and huge trade deficits, a major finantial crisis, especially in an atmosphere of emotionally charged and globally anti-American feeling, could have dire consequences for America’s well-being and security. The euro is becoming a serious rival to the dollar and there is talk of an Asian counterpart to both (6). A hostile Asia and a self-absorbed Europe could at some point become less inclined to continue financing the U.S. debt.

(…)

At the onset of the global era, a dominant power has therefore no choice but to pursue a foreign policy that is truly globalist in spirit, content, and scope. Nothing could be worse for America, end eventually the world, than if American policy were universally viewed as arrogantly imperial in a postimperial age, mired in a colonial relapse in a postcolonial time, selfishly indifferent in the face of umprecendented global interdependence, and culturally self-righteous in a religiously diverse world. The crisis of American superpower would then become terminal.

— in Second Chance: Three Presidents and the Crisis of American Superpower, 2007.


NOTAS
  1. Ou será que a China também poderá estar interessada numa nova “cortina de ferro” entre a Rússia e a Europa (Alemanha)? – Ler China seeks Caucasian crisis windfall.
  2. A subida repentina do preço do crude para níveis bem superiores às previsões mais pessimistas, ao longo da primeira metade de 2008, conduziu a uma espiral inflacionista, que apressou a esperada recessão americana e europeia e provocou depois uma inevitável, embora pontual, destruição da procura dos produtos petrolíferos. Sabendo-se o peso que a especulação tem tido nesta fuga precipitada do casino imobiliário para as matérias primas industriais e alimentares, percebe-se melhor o dramatismo das oscilações. O mundo, sobretudo a Europa e os Estados Unidos, estão metidos numa camisa de sete varas: a chegada, cada vez mais evidente, do pico petrolífero, empurra os preços da energia para cima; mas a espiral inflacionista das “commodities”, por sua vez, arruína a economia, levando à quebra dezenas de bancos, milhares de empresas e milhões os orçamentos familiares. Ou seja, a primeira consequência previsível do pico petrolífero é o regresso, porventura em doses nunca sofridas, da estagflação.
    August 16 2008. “…our future affair with oil may be within an overall trend of declining supply and rising demand, with volatility of prices from the anxiety of the market in which demand surges higher over supply. But the prices will be intermittently buffeted up and down by the fluctuations of economic growth and its levels of fluctuating demand for oil. As investors vie for advantage, they too will aggravate the gyrating price trends.” — James Leigh, Rollercoaster of oil prices: between a rock and a hard place”, Energy Bulletin.

  3. O bloco central do betão, protagonizado ao mais alto nível por António Vitorino (“socialista”) e Ângelo Correia (“social-democrata”), está em guerra antecipada contra Manuela Ferreira Leite e Cavaco Silva. Mas são estes que vão ganhar a partida, sobretudo se tiverem, no momento certo, os generais com a inteligência táctica e a voz grossa necessárias para colocar nos eixos a clientela anafada que ao longo das últimas décadas se encarregou de colocar Portugal numa trajectória de falência potencial.
  4. Este meu optimismo deve ser moderado por outros pontos de vista, nomeadamente sobre a articulação entre o actual colapso da economia americana e a solução bélica proposta por alguns estrategas dos EUA (Republicanos e Democratas!) O bloqueio do Estreito de Ormuz será, segundo esta perspectiva, a fuga militar perfeita da aliança EUA-Reino Unido-França-Israel às presentes dificuldades económicas, e a resposta antecipada ao ascenso da China. Nesta perspectiva, a fabricada crise da Geórgia, serve apenas como manobra de diversão, para isolar a Rússia e preparar psicologicamente o Ocidente para o ataque em larga escala, em preparação, contra o Irão. Recomendo, a propósito, a leitura de dois artigos: Putin Walks into a Trap, de Mike Whitney, e Wag the Dog: How to Conceal Massive Economic Collapse, assinado por Ellen Brown.

    O de Mike Whitney começa assim:

    August 14, 2008. The American-armed and trained Georgian army swarmed into South Ossetia last Thursday, killing an estimated 2,000 civilians, sending 40,000 South Ossetians fleeing over the Russian border, and destroying much of the capital, Tskhinvali. The attack was unprovoked and took place a full 24 hours before even ONE Russian soldier set foot in South Ossetia. Nevertheless, the vast majority of Americans still believe that the Russian army invaded Georgian territory first. The BBC, AP, NPR, the New York Times and the rest of the establishment media has consistently and deliberately misled its readers into believing that the violence in South Ossetia was initiated by the Kremlin. Let’s be clear, it wasn’t. In truth, there is NO dispute about the facts except among the people who rely the western press for their information. Despite its steady loss of credibility, the corporate media continues to operate as the propaganda-arm of the Pentagon. — in Global Research.

    Por sua vez, Ellen Brown escreve:

    The underlying problem is little discussed but impossible to repair – a one quadrillion dollar derivatives scheme that is now imploding. Banks everywhere are facing massive writeoffs, putting the whole banking system on the brink of collapse. Only public bailouts will save it, but they could bankrupt the nation. — in Global Research.

  5. O Tribunal Penal Internacional (que os EUA não reconhecem, obviamente!) deveria ter colocado os Estados Unidos e meia Europa no banco dos réus a partir do momento em que o Iraque foi militarmente atacado, invadido e ocupado sem nenhum pretexto válido. Deveria ter emitido mandatos de captura contra o senhores Bush, Cheney e Rumsfeld, no momento em que o mundo teve conhecimento das torturas e humilhações infligidas na prisão militar americana de Abu Ghraib, no campo de concentração de Guantanamo (Cuba) ou nos recentemente divulgados campos de concentração americanos para jovens e crianças, em pleno Iraque (vídeo). No entanto, parece que o TPI não passa de mais uma instância impotente da justiça internacional, forte com os fracos, e fraca com os fortes.
  6. 17-08-2008. Mais cedo do que se esperava, aí está a internacionalização do Yuan. É a consequência directa da falência dos dois gigantes semi-estatais que seguravam os riscos bancários no casino imobiliário americano: Fannie Mae e Freddie Mac. Estes mamutes financeiros colapsaram (enquanto outros –Lehman Brothers, etc.– vão na mesma direcção) e estão agora na unidade de cuidados intensivos da Casa Branca. Uma das maneiras de impedir a falência declarada é passar a factura aos consumidores americanos sob a forma de inflação, outra, é imprimir mais umas toneladas de dólares sem valor. Mas a que terá alguma credibilidade junto dos países ricos (China, Singapura, Rússia ou Emiratos Árabes Unidos) é a troca de uma parte da imensa dívida americana por pedaços de terra que se vejam: a Formosa, o Irão, ou o Tibete, por exemplo! Apesar do latir de Sarkozy, os europeus terão que abandonar de vez as suas revoluções cor-de-rosa falidas na antiga Europa de Leste, sob pena de mergulharem numa depressão sem fim. Ler estes 3 artigos: U.S. likely to recapitalize Fannie, Freddie (Reuters); Analysts expecting large loss from Lehman (Herald Tribune), e China mulls first offshore currency market The Finantial Express).


OAM 421 15-08-2008 19:02 (última actualização: 18-08-2008 13:40)

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