Crise Global 33

O colosso alemão pode quebrar! E a UE?


Alemanha garante depósitos bancários e tenta salvar gigante hipotecário

BERLIM, 05-10-2008 19:00 (AFP) — O governo da Alemanha anunciou neste domingo que garantirá os depósitos dos clientes particulares, enquanto luta para evitar a falência do gigante hipotecário Hypo Real Estate (HRE), pelas consequências que a quebra poderia ter sobre o conjunto da economia nacional.

Ao contrário do que afirmaram os optimistas profissionais e os políticos de serviço, o que aqui se estimou a propósito da contaminação inevitável do sistema financeiro europeu está a verificar-se mais depressa do que imaginámos. Numa só semana entraram em colapso, ou sério risco de colapsar, onze grandes entidades financeiras europeias:

  1. Allied Irish (Irlanda)
  2. Bank of Ireland (Irlanda)
  3. Anglo Irish Bank (Irlanda)
  4. Irish Life and Permanent (Irlanda),
  5. Irish Nationwide Building Society (Irlanda)
  6. Educational Building Society (Irlanda)
  7. Bradford & Bingley (Reino Unido)
  8. Fortis (Holanda)
  9. Dexia (Bélgica)
  10. Glitnir Bank hf (Islândia)
  11. Hypo Real Estate (Alemanha)

O risco de uma corrida às contas aumentou exponencialmente, não já entre os grandes e médios investidores, que há pelo menos um ano têm vindo a movimentar os seus activos para pastagens e ilhas mais seguras, mas agora entre os vulgares depositantes. Daí o pânico dos políticos, as reuniões de emergência do G4 (onde está a Europa?!), e o regresso ao nacionalismo político-financeiro.

Depois da dislexia revelada na abordagem das questões de política externa mais sensíveis — Iraque, Kosovo, Irão, Geórgia, Tibete, Afeganistão, e desde ontem, a questão nuclear no Médio Oriente e a decisão americana de vender mísseis à Formosa –, assistimos agora ao regresso do intervencionismo dos Estados, e aqui contam, como se viu na convocatória do G4, os mais fortes. A Espanha, que hoje tem um PIB superior ao da Itália, é que não deve ter gostado nada da brincadeira. Eu não li a Jangada de Pedra, de José Saramago, mas adivinho que a viragem atlântica inaugurada por Aznar não pode se não fazer paulatinamente o seu caminho, com tudo o que tal implica relativamente ao posicionamento português.

Regressando aos bancos, deixo um alerta face às afirmações reiteradas de que não corremos nenhum risco, em Portugal, de ver bancos a cair. As afirmações políticas até agora difundidas são ambíguas e pouco credíveis, nomeadamente pela óbvia falta de transparência do sector bancário, e ainda pela passividade das entidades fiscalizadoras e reguladoras que temos. Para que as certezas difundidas fossem efectivamente credíveis, seria necessário que o governo português, à semelhança do que fizeram os governos irlandês, grego e alemão, afirmasse taxativamente que no caso improvável (dizem) da quebra de alguma entidades financeira sediada no nosso país, os clientes bancários teriam salvaguardados na íntegra os seus depósitos. E não apenas a garantia, por ora existente, de recuperar até 25 mil euros por cada conta!

Saiba-se que em caso de falência de um banco português, ou entidade similar, as contas conjuntas serão tratadas como contas singulares. Isto é, se eu tenho uma conta conjunta com a minha mulher, ou com a minha filha, por exemplo de 50 mil euros, e o meu banco falir (salvo seja!), eu e a minha mulher, ou eu e a minha filha, receberemos apenas 25 mil euros! Ou seja, a primeira medida de precaução a tomar, independentemente do que os políticos proclamam, é incrementar o número de contas, de preferência em bancos diferentes, com valores iguais ou inferiores a 25 mil euros. Quem tiver contas abaixo dos 25 mil euros estará, segundo a lei, automaticamente protegido. Mas estarão as autoridades portuguesas cientes do risco que correm?

Uma das consequências imediatas da aparente segurança do sector bancário português (1) tem sido a subida desigual do preço do dinheiro relativamente aos demais países da União. Para já, estamos a pagar mais do que boa parte dos parceiros europeus. E o spread, ou seja o esgarçar de pernas entre o custo do dinheiro para a banca portuguesa, que já sai mais caro do que aos demais bancos europeus, e o preço a que depois vende a quem dele precisa em Portugal (por exemplo, o Estado!), tende a ampliar. Dentro em breve teremos uma espargata nas taxas de juro entre os países da União, penalizando fortemente a dívida pública, a recessão e os crescimentos tíbios, e o grau de risco financeiro de cada país. Vai ser o diabo, sobretudo nos países cuja carga fiscal está já nos limites de tolerância, acima dos quais a explosão social se torna inevitável, assim como as apostas em alternativas populistas de esquerda e de direita.

Em Espanha, o valor de resgate em caso de falência é menor do que em Portugal: 20 mil euros. Em França. sobe para 70 mil euros. Na Irlanda, era de 100 mil euros até que o respectivo governo decidiu tomar conta das principais entidades financeiras do país, decretando que deixou de haver limites na reposição integral dos depósitos. Esta mesma decisão foi tomada pela Grécia, e este Domingo pelo governo alemão, ameaçado por uma corrida aos bancos na sequência do colapso anunciado do Hypo Real Estate.

É tempo de os cidadãos tomarem individualmente as medidas cautelares que se impõem em cada caso. Veja onde tem o dinheiro e acautele os seus depósitos. Não contraia mais dívidas! Faça um plano de emergência e reduza todos os gastos supérfluos. Faça um plano de poupança no gasto diário. Se puder, mude-se para uma casa mais pequena e próxima do trabalho, diminuindo drasticamente os encargos com hipotecas e transportes. Reveja com muito cuidado todos os investimentos, nomeadamente em seguros de saúde e PPRs! Se puder, compre algum ouro fino e guarde-o bem guardado. Se puder, compre terra fértil, de preferência com pelo menos 1 hectare de superfície e perto das grandes áreas metropolitanas e regiões de Lisboa e Porto (não se preocupe, de momento, com o saber agrícola, nem se meta a gastar dinheiro em cursos — vá espreitando a Net, onde há muitas ideias interessantes sobre a chamada Permacultura.) Não venda terras! Reveja cada uma das decisões trimestralmente, tendo como cenário de fundo todo o ano de 2009. Prepare-se para mudanças bruscas.

Post scriptum — A suspensão dos acordos de Maastricht e o fim do tecto dos 3% no endividamento dos governos da União traduz uma necessidade imperiosa — sem esta medida os governos não poderão sequer pensar em travar a corrida iminente aos bancos em toda a Europa –, e um dilema: eliminando os constrangimentos orçamentais, abrir-se-à-se uma verdadeira Caixa de Pandora se ao mesmo tempo o BCE, pressionado por uma crise sem precedentes, desatar a imprimir notas de 500 euros, como os americanos vêm fazendo há anos com o dólar, para acudir à sede monetária dos governos sem fundos para acorrer às necessidade básicas do funcionamento dos aparelhos de Estado, sem fundos para garantir os depósitos e as pensões ameaçadas de evaporação nos bancos e instituições financeiras subitamente descapitalizadas por efeito do buraco negro dos Derivativos.

A situação é gravíssima!! Cavaco Silva terá que agir rapidamente, sob pena de a situação se descontrolar. Ao menor sinal de corrida aos bancos, o Presidente da República deverá convocar imediatamente o Conselho de Estado, formar um Gabinete de Crise com poderes excepcionais excepcionalmente sancionados pela Assembleia da República e antecipar a convocatória das próximas eleições legislativas. O PS e o PSD deverão estudar sem demoras a eventualidade de formarem uma aliança temporária de poder com incidências pós-eleitorais (porra! o que estou a escrever!!) A semana que hoje começa será decisiva para percebermos o que irá restar da União Europeia depois da actual mega-crise. Os Estados europeus vão ter que se safar por si nos tempos mais próximos.

NOTAS

  1. — O economista Francisco Louçã afirma que Portugal teve maiores perdas nas bolsas do que a Lituânia e a Polónia, que os fundos de pensões dos BCP, BPI e BES terão perdido cerca de 1200 milhões de euros, que há riscos sérios nos PPRs e que duplicaram as taxas de juro da Euribor entre 2005 e 2008.

REFERÊNCIAS

  • Is there to be a run on the banks…..?

    Sunday 5th October, 2008 (Debtonation: The First World Debt Crisis)

    The decision tonight by Germany to guarantee 100% of all savings in German banks first flagged up by the BBC earlier this Sunday evening, but modified later, is a clear signal that there is panic afoot. A run on German banks must be imminent. Why? Because the only way to prevent a run on banks is to guarantee 100% of savings. The fact that Germany has done so, or hinted that she will do so, means that her government is taking urgent, unprecedented and unco-ordinated action, to prevent such a financial catastrophe occurring tomorrow morning. Others must now follow to prevent a systemic run on the global banking system. To avoid armageddon.

    … According to reuters, the new “Business Secretary Peter Mandelson criticised unilateral moves by individual countries to guarantee deposits….He said “The danger of this crisis is it may spark a new wave of economic nationalism, with each country looking for a ‘get out of jail free’ card.”

    He is, as always, naively misguided. Economic nationalism was always going to be the ‘counter-movement’ – to quote Karl Polanyi – to the inevitable financial crises sparked by the recklessness of unfettered capital flows, unregulated credit creation, and then the hugely destructive de-leveraging of that debt. Economic nationalism is not the action of a selfish and greedy child. It is the rational reaction of a very frightened country, trying to protect itself from the forces of ‘globalisation’.

  • Hypo-Super-Crash Triggers Derivative Beast Feast

    05-10-2008 (Paradise of Life News) The entire G7 banking system is now collapsing rapidly in all places. Germany, for example, made the exact same mistakes the US and UK made. This is because all of the G7 nations followed the same goofy banking liberalization rules that removed all controls, limits and other restrictions. On top of this, the entire system was leveraged via the amazing, long 0% interest regime run by G7 buddy banking partner, Japan. The creation of derivative variations that exploited gaps and flaws in the trading/lending systems has not only not eliminated risk, it make risk 100% destructive. And worse of all, astute people studying this problem knew this would happen several years ago!

  • Layman’s explanation of our situation:

    1. The current “Ponzi Pyramid of Death” monetary system is crumbling.

    2. Right now, virtually every single large bank, medium-sized bank, hedge fund, pension fund, mutual fund, money market fund, stock broker and insurance company has failed or is failing. All the phony paper they have been trading back and forth is virtually worthless.

    3. Somewhere between $10-$20 TRILLION (estimates are hard to make due to the opaque nature of the derivatives markets) in debt and derivatives “value” has been wiped off the books of the above-mentioned players.

    4. The players are failing left-and-tight. ALL of the biggest, oldest Wall Street banks, plus the largest insurance company plus the two largest mortgage companies (Fannie and Freddie), plus the entire money market, plus the largest S&L (WaMu) and the fouth-largest bank (Wachovia), all failed in the span of three weeks. The rest of the thousands of institutions worldwide are mortally wounded will be toppling over soon.

    5. Governments and central banks worldwide have already pumped approximately $5 trillion collectively to date to fight this systemic, sychronized, worldwide, complete, utter collapse. So far, their efforts have failed.

    6. At this point, the fight will continue to the death. During these next few weeks, months, and even years the “economic convulsions” between the “Ponzi Pyramid” debt collapse destruction-deflation and government and central bank reflation/monetization/nationalization efforts will rage, with the back-and-forth battles getting wilder and wilder, until:

    7. The entire world is plunged into final financial demise, with the people of all the nations suffering mightily. “Great Depression II” will ensue for the next five to ten years. — in Prudent Bear.

  • Timeline of “Fannie/Freddie Big Bang” leading to worldwide, systemic financial collapse (Prudent Bear)

    In order to help put into context the rapidly-moving events surrounding this systemic worldwide financial collapse, below is a timeline of the “Fannie/Freddie Big Bang” that touched off the derivatives implosion, which is why so many instituions failed simultaneously, worldwide.

    To wit:

    Timeline of “Fannie/Freddie Big Bang” CDS implosion, leading to current total, systemic, global financial collapse:

    1. September 7th, 2008: Treasury takes over the failed Fannie and Freddie and FHLBs.

    2. September 7th, 2008: All counterparties to the multiple tens-of-trillions of fiatscos of CDS positions are instantly thrown into chaos since many of these OTC private contracts are poorly documented and the gamblers are poorly capitalized and unable to pay up on the bets. (Many players immediately start failing that very week).

    3. September 8th, ISDA issues an emergency press release confirming that there are huge (but undisclosed) amounts of CDS trades outstanding on Fannie/Freddie debt. ISDA urges emergency conference call with Federal Reserve New York in attendance be undertaken immediately. The call takes place that very morning.

    4. September 8th to present: The failed gamblers scramble to construct a list of the failed trades.

    5. September 16th: The Fed, feds, and ISDA step in and try one last ditch attempt to make a market in all the destroyed derivatives positions during the emergency “ISDA Sunday Swap Meet”, which is a complete, abject, utter failure

    6. Immediately after this failed “Sunday Swap Meet”, the following players instantly are ruined (but not all topple over immediately) :

    a. Lehman Brothers
    b. Merrill Lynch
    c. AIG
    d. Morgan Stanley
    e. Goldman Sachs
    f. (Update): WaMu topples less than three weeks later
    g. (Update): Wachovia bit the dust exactly three weeks later

    And the Grand Total of just the top financial institution failures so far:

    1. Fannie Mae failed ($2.5 tril.)

    2. Freddie Mac failed ($2.5 tril.)

    3. FHLB system failed ($1.3 tril)

    5. Merril failed ($800 billion tril)

    4. Lehman failed ($700 tril)

    5. AIG failed ($500 bil. in CDS)

    6. Goldman Sachs effectively failed ($2 tril)

    7. Morgan Stanley effectively failed ($1.5 tril)

    8. WaMu failed ($300 billion)

    9 Wachovia failed ($800 billion)

    Sub Total: Approximately $13.1 trillion

    (And now the simultaneous collapse of virtually ALL of Europe’s biggest banks, followed by the unprecedented move to nationalize all the fallen financial freaks by the European governments. Please see:Grand Total ALL Reflation/Nationalization/Monetization Costs to Date,worldwide )

    Time-frame for this epic collapse of virtually every major financial institution in the U.S. AND now Europe:

    Less than four weeks,

    …which clearly is a record.

    Update: ISDA is supposedly holding an auction next week so that all the gamblers who were destroyed in their CDS bets can settle up and a new round of bankruptcies can ensue…wait strike that. Treasury will just make them all whole.

    However, that’s not all: also vaporized were virtually every:

    1. Hedge fund
    2. Pension fund
    3. Insurance fund
    4. Mutual fund
    5. Money Market funds, both in the U.S. and in all other major countries, worldwide.

    Sub Total: Who knows? Probably trillions more

    ALSO crushed, and even more dangerously so:

    1. Some percentage of the $62 trillion credit default swaps market

    2. Some percentage of the $650 trillion overall derivatives markets

    Sub Total: Who knows? I don’t even want to guess anymore.

OAM 452 05-10-2008 21:48 (última actualização: 06-10-2008, 00:39)

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