Crise Global 36

Que tal parar as privatizações e renacionalizar algumas empresas?


U.K. May Own 30 Percent of Big Banks in Bailout Plan

Oct. 9 (Bloomberg) — The British government may own as much as 30 percent of four of the country’s biggest banks as it doles out the 50 billion-pound ($87 billion) lifeline announced yesterday, according to analysts at Sanford C. Bernstein Ltd.

Governo islandês nacionalizou principal banco do país

08-10-2008. REYKJAVIK (AFP) — O governo da Islândia assumiu oficialmente o controle do terceiro maior banco do país, Glitnir, à beira da falência por falta de liquidez.

O governo islandês havia anunciado em 29 de setembro a nacionalização da instituição em 75%. A compra por 600 milhões de euros (818 milhões de dólares) foi uma das primeiras decisiones anunciadas por Reykjavik para evitar o colapso da economia do país, particularmente afetado pela crise financeira.

Depois do Glitnir, a Islândia decidiu na terça-feira nacionalizar o segundo maior banco do país, Landsbanki.

Além disso, o maior banco do país, Kaupthing, anunciou ter obtido um empréstimo de 500 milhões de euros (678 milhões de dólares) do Banco Central da Islândia.

U.S. May Take Ownership Stake in Banks
October 8, 2008, WASHINGTON (New York Times) — Having tried without success to unlock frozen credit markets, the Treasury Department is considering taking ownership stakes in many United States banks to try to restore confidence in the financial system, according to government officials.

Treasury officials say the just-passed $700 billion bailout bill gives them the authority to inject cash directly into banks that request it. Such a move would quickly strengthen banks’ balance sheets and, officials hope, persuade them to resume lending. In return, the law gives the Treasury the right to take ownership positions in banks, including healthy ones.

O colapso da confiança e a implosão do sistema de crédito mundial causados pelo estouro da bolha especulativa dos mercados financeiros estruturados à custa da expansão exponencial do endividamento das economias americana e europeias, entre outras — sob o patrocínio de um casino “mafioso” (1) chamado Derivados –, tem levado à pré-falência, ou à falência mesmo, algumas das principais instituições financeiras e bancárias mundiais.

De acordo com a regra não escrita, existente entre os senhores do mundo, há instituições e nomes demasiado grandes para falir. E como tal, há que salvá-los, dê por onde der, caso ocorra alguma calamidade imprevista. A estas operações de resgate, ou salvamento, os ingleses chamam Bailout, isto é, injecções de capital. No caso do colapso em curso da maquinaria financeira neoliberal, os custos destes aumentos maciços e imparáveis de capital nos grandes bancos e instituições financeiras (mas não nas empresas, nem nos orçamentos domésticos), estão na realidade a ser suportados pelos contribuintes, nomeadamente sob a forma de paragens cardíacas dos sistemas produtivos e de consumo, de falências industriais, comerciais, domésticas e individuais, e do aumento brutal do desemprego. Ou seja, enquanto os responsáveis do presente caos económico-financeiro mundial são objecto de gigantescas operações de resgate à conta da poupança pública forçada (impostos e património acumulado), o resto da realidade social é atirada para o fosso da depressão!

Sob ameaça de uma extinção catastrófica da massa monetária que actualmente resvala para o buraco negro em que se transformou o Mercado de Derivados, o pânico de uma corrida aos bancos para levantamento das poupanças depositadas, seja em dinheiro, seja sob a forma de investimentos em fundos de pensões, está neste momento a condicionar a acção política. Com medo da quebra dos grandes piratas, os governos prometem-lhes protecção. Mas serão capazes de cumprir tal promessa? Ou, como ontem se percebeu na Islândia, os próprios Estados correm o risco de serem engolidos pelo insaciável buraco negro de um acumular de dívidas “nocionais” na ordem dos 1.144.000.000.000.000 US Dólares? (2)

Perante este cenário sombrio tem-se ouvido falar de “nacionalização” de bancos, quer no Reino Unido e outros países europeus, quer na América! Mas na realidade, o que parece estar em causa é a imediata nacionalização dos prejuízos e uma administração pública temporária das instituições falidas, para mais tarde serem devolvidas a quem as destruiu. Não creio que estejam em curso verdadeiras penhoras de propriedade malbaratada, nem processos sérios contra os salteadores do capitalismo perdido. Nacionalizações autênticas, que eu saiba, não foram até ao momento levadas a cabo.

E no entanto, o Ocidente democrático e liberal, que agora revela tão escandalosamente o declínio efectivo da sua riqueza e capacidade competitiva, tem por principais rivais estratégicos — no plano da economia e das reservas acumuladas de capital, da demografia, da geografia e da capacidade militar — um conjunto de países cujo segredo parece residir numa combinação inesperada e original de Capitalismo puro e duro com formas mais evoluídas e democráticas de Capitalismo de Estado. Em países como a China, a Índia, a Rússia, a Arábia Saudita, os Emiratos Árabes Unidos, o Irão, o Iraque, as repúblicas do Cáspio, Líbia, Argélia, Brasil, Angola, Venezuela, Nigéria, e até o Japão, há segmentos estratégicos da economia e da finança cuja posse e comando efectivos traduzem uma noção actualizada de “bens nacionais”, cujo controlo deixou de poder estar ao alcance da “mão invisível” do mercado.

Parece assim oportuna uma discussão sobre o que é ou devem ser bens nacionais protegidos; o que tem sido e deve ser a missão administrativa do Estado no que se refere à protecção e uso dos recursos e investimentos estratégicos do país; e, por fim, se há ou não lugar e oportunidade para lançar um debate sério sobre a utilidade de reverter imediatamente os processos de privatização neoliberal em curso no nosso país, e mesmo discutir cenários de renacionalização de algumas empresas e sectores vitais da nossa economia.

O mote dado pelo PCP, que chegou tarde e pleno de ambiguidade a este debate (aqui antecipado há já algumas semanas), tal como o silêncio público oportunista do Bloco de Esquerda, devem fazer-nos pensar sobre a oportunidade e o potencial desta mesma discussão. Não creio que os termos da mesma possam, e muito menos devam, ser balizados pelo pensamento morto da “Esquerda” portuguesa. Se formos por aí, perderemos rapidamente o rumo.

É crucial evitar a ratoeira de uma discussão ideológica entre a “direita” que não temos e a “esquerda” que já foi, sobre o destino a dar aos recursos básicos do nosso país. Por aí chegaremos a lado nenhum.

Sob que condições conseguiremos evitar o declínio catastrófico do Capitalismo tal como o entendemos e vimos praticando na Europa e nos Estados Unidos desde meados do século passado? Será possível substituir a globalização neoliberal por uma globalização democrática sustentável? Haverá uma segunda oportunidade para os Estados Unidos e para a Europa? Ou seremos forçados a caminhar para uma terceira guerra mundial?

NOTAS

  1. O emprego do termo “mafioso” tem aqui um sentido preciso: refere-se ao facto de o mercado de Derivados ser na sua essência um sistema de protecção em cascata, gerador de valor fiduciário, mas onde o que se vende e compra é, descodificando todo o calão sofisticado que rodeia os seus inúmeros produtos (Sructured Investment Vehicles, Futures, Credit Default Swaps, Collateralized debt obligation, etc.), protecção!

    Esta espécie de Capitalismo esquizofrénico, onde a economia futura, tomada hoje como dívida e sobretudo como risco, supera em valor “nocional” a economia real da produção e da circulação de mercadorias e serviços, na forma de um sistema de apostas exponenciais no risco e na segurança, sugere em filigrana o esquema da economia mafiosa, toda ela assente na apropriação coerciva de mais-valias por via da venda violenta de protecção.

  2. The Invisible One Quadrillion Dollar Equation — Asymmetric Leverage and Systemic Risk
    London, UK – 28th September 2008, 19:31 GMT (mi2g / Asymetric Threats Contingency Alliance (ATCA))

    Dear ATCA Open and Philanthropia Friends

    [Please note that the views presented by individual contributors are not necessarily representative of the views of ATCA, which is neutral. ATCA conducts collective Socratic dialogue on global opportunities and threats.]

    According to various distinguished sources including the Bank for International Settlements (BIS) in Basel, Switzerland — the central bankers’ bank — the amount of outstanding derivatives worldwide as of December 2007 crossed USD 1.144 Quadrillion, ie, USD 1,144 Trillion. The main categories of the USD 1.144 Quadrillion derivatives market were the following:

    1. Listed credit derivatives stood at USD 548 trillion;
    2. The Over-The-Counter (OTC) derivatives stood in notional or face value at USD 596 trillion and included:

    a. Interest Rate Derivatives at about USD 393+ trillion;
    b. Credit Default Swaps at about USD 58+ trillion;
    c. Foreign Exchange Derivatives at about USD 56+ trillion;
    d. Commodity Derivatives at about USD 9 trillion;
    e. Equity Linked Derivatives at about USD 8.5 trillion; and
    f. Unallocated Derivatives at about USD 71+ trillion.

    Quadrillion? That is a number only super computing engineers and astronomers used to use, not economists and bankers! For example, the North star is “just” a couple of quadrillion miles away, ie, a few thousand trillion miles. The new “Roadrunner” supercomputer built by IBM for the US Department of Energy’s Los Alamos National Laboratory has achieved a peak performance of 1.026 Peta Flop per second — becoming the first supercomputer ever to reach this milestone. One Quadrillion Floating Point Operations (Flops) per second is 1 Peta Flop/s, ie, 1,000 Trillion Flops per second. It is estimated that all the data found on all the websites and stored on computers across the world totals more than One Exa byte of memory, ie, 1,000 Quadrillion bytes of data.

    Whilst outstanding derivatives are notional amounts until they are crystallised, actual exposure is measured by the net credit equivalent. This is normally a lower figure unless many variables plot a locus in the wrong direction simultaneously. This could be because of catastrophic unpredictable events, ie, “Black Swans”, such as cascades of bankruptcies and nationalisations, when the net exposure can balloon and become considerably larger or indeed because some extremely dislocating geo-political or geo-physical events take place simultaneously. Also, the notional value becomes real value when either counterparty to the OTC derivative goes bankrupt. This means that no large OTC derivative house can be allowed to go broke without falling into the arms of another. Whatever funds within reason are required to rescue failing international investment banks, deposit banks and financial entities ought to be provided on a case by case basis. This is the asymmetric nature of derivat!
    ives and
    here lies the potential for systemic risk to the global economic system and financial markets if nothing is done.

    Let us think about the invisible USD 1.144 quadrillion equation with black swan variables — ie, 1,144 trillion dollars in terms of outstanding derivatives, global Gross Domestic Product (GDP), real estate, world stock and bond markets coupled with unknown unknowns or “Black Swans”. What would be the relative positioning of USD 1.144 quadrillion for outstanding derivatives, ie, what is their scale:

    1. The entire GDP of the US is about USD 14 trillion.

    2. The entire US money supply is also about USD 15 trillion.

    3. The GDP of the entire world is USD 50 trillion. USD 1,144 trillion is 22 times the GDP of the whole world.

    4. The real estate of the entire world is valued at about USD 75 trillion.

    5. The world stock and bond markets are valued at about USD 100 trillion.

    6. The big banks alone own about USD 140 trillion in derivatives.

    7. Bear Stearns had USD 13+ trillion in derivatives and went bankrupt in March. Freddie Mac, Fannie Mae, Lehman Brothers and AIG have all ‘collapsed’ because of complex securities and derivatives exposures in September.

    8. The population of the whole planet is about 6 billion people. So the derivatives market alone represents about USD 190,000 per person on the planet.

    The Impact of Derivatives

    1. Derivatives are securities whose value depends on the underlying value of other basic securities and associated risks. Derivatives have exploded in use over the past two decades. We cannot even properly define many classes of derivatives because they are highly complex instruments and come in many shapes, sizes, colours and flavours and display different characteristics under different market conditions.

    2. Derivatives are unregulated, not traded on any public exchange, without universal standards, dealt with by private agreement, not transparent, have no open bid/ask market, are unguaranteed, have no central clearing house, and are just not really tangible.

    3. Derivatives include such well known instruments as futures and options which are actively traded on numerous exchanges as well as numerous over-the-counter instruments such as interest rate swaps, forward contracts in foreign exchange and interest rates, and various commodity and equity instruments.

    4. Everyone from the large financial institutions, governments, corporations, mutual and pension funds, to hedge funds, and large and small speculators, uses derivatives. However, they have never existed in history with the overarching, exorbitant scale that they now do.

    5. Derivatives are unravelling at a fast rate with the start of the “Great Unwind” of the global credit markets which began in July 2007 and particularly after the collapse of Freddie Mac and Fannie Mae in September this year.

    6. When derivatives unravel significantly the entire world economy would be at peril, given the relatively smaller scale of the world economy by comparison.

    7. The derivatives market collapse could make the housing and stock market collapses look incidental.

    Three Historical Examples

    1. The so-called rogue trader Nick Leeson who made a huge derivatives bet on the direction of the Japanese Nikkei index brought on the collapse of Barings Bank in 1995.

    2. The collapse of Long Term Capital Management (LTCM), a hedge fund that had a former derivatives and bond dealer from Salomon Brothers and two Nobel Prize winners in Economics as principals, collapsed because of huge leveraged bets in currencies and bonds in 1998.

    3. Finally, a lot of the problems of Enron in 2000 were brought on by leveraged derivatives and using derivatives to hide problems on the balance sheet.

    The Pitfall

    The single conceptual pitfall at the basis of the disorderly growth of the global derivatives market is the postulate of hedging and netting, which lies at the basis of each model and of the whole regulatory environment hyper structure. Perfect hedges and perfect netting require functioning markets. When one or more markets become dysfunctional, the whole deck of cards could collapse swiftly. To hope, as US Treasury Secretary Mr Henry Paulson does, that an accounting ruse such as transferring liabilities, however priced, from a private to a public agent will restore the functionality of markets implies a drastic jump in logic. Markets function only when:

    1. There is a price level at which demand meets supply; and more importantly when
    2. Both sides believe in each other’s capacity to deliver.

    Satisfying criterion 1. without satisfying criterion 2. which is essentially about trust, gets one nowhere in the long term, although in the short term, the markets may demonstrate momentary relief and euphoria.

    Conclusion

    In the context of the USD 700 billion rescue plan — still being finalised in Washington, DC — the following is worth considering step by step. Decision makers are rightly concerned about alleviating immediate pressure points in the global financial system, such as, the mortgage crisis, decline in consumer spending and the looming loss of confidence in financial institutions. However, whilst these problems are grave, they are acting as a catalyst to another more massive challenge which may have to be tackled across many nation states simultaneously. As money flows slow down sharply, confidence levels would decline across the globe, and trust would be broken asymmetrically, ie, the time taken to repair it would be much longer. Unless there is government action in concert, this could ignite a chain-reaction which would swiftly purge trillions and trillions of dollars in over-leveraged risky bets. Within the context of over-leverage, the biggest problem of all is to do with
    “Derivatives”, of which CDSs are a minor subset. Warren Buffett has said the derivatives neutron bomb has the potential to destroy the entire world economy, and is a “disaster waiting to happen.” He has also referred to derivatives as Weapons of Mass Destruction (WMD). Counting one dollar per second, it would take 32 million years to count to one Quadrillion. The numbers we are dealing with are absolutely astronomical and from the realms of super computing we have stepped into global economics. There is a sense of no sustainability and lack of longevity in the “Invisible One Quadrillion Dollar Equation” of the derivatives market especially with attendant Black Swan variables causing multiple implosions amongst financial institutions and counterparties! The only way out, albeit painful, is via discretionary case-by-case government intervention on an unprecedented scale. Securing the savings and assets of ordinary citizens ought to be the number one concern in directing such policy.

OAM 456 09-10-2008 19:00 (última actualização: 22:59)

One response to “Crise Global 36

  1. Recebi o comentário da Chantal Tremblay que a seguir transcrevo, depois de pequenas correcções idiomáticas😉 Arguto e picante como sempre, merece toda a nossa atenção. OAM1 – Antes de mais, a nota 2), no final do texto, está mal referenciada. De onde vem este texto, foi escrito por quem, temos que saber para decidir o que valem esses textos.[Já corrigi o lapso- OAM ;-)]Nesse mesmo texto diz-se que :“The PitfallThe single conceptual pitfall at the basis of the disorderly growth of the global derivatives market is the postulate of hedging and netting, which lies at the basis of each model and of the whole regulatory environment hyper structure. Perfect hedges and perfect netting require functioning markets.”Pois, o mercado de derivados é hoje muito mais global e maior, mas não é verdade que seja recente. Utilizavam-se “futures” e alguma forma de “derivatives” no tempo das Descobertas. Os financiadores das expedições de Álvares Cabral ou Diogo Cão, eram patrícios capitalistas, que na maioria dos casos não tinham a liquidez necessária para financiar a sua parte do empreendimento (era como comprar acções de “futuros”, 1/32 do valor da carga de retorno), e portanto financiavam-se junto dos “lenders” judeus. A grande diferença, é que os Judeus não são parvos, e não emprestavam o que não tinham, nem entravam com todo o capital disponível sózinhos. Um “lender” em Lisboa fazia um “consortium” com um primo em Córdova, outro em Modena, un terceiro em Antuérpia e um quarto em Paris. O que significa que o “hedging” (o risco) era distribuído por, ou tinha por trás, uma rede de segurança (“netting”). Agora, se o parvo do capitalista, por exemplo do Fernão Magalhães, vendesse um parte de sua “opção de futuro”, alargava o clube dos investidores; mas se entretanto contraísse um empréstimo baseado na sua parte, que já por si tinha sido financiada por um Judeu, então correria grandes riscos.Tudo isto tinha os seus riscos. Assim nasceu a LLoyds, “insurer of ships and cargo since 1688”! Bem antes do AIG. Assim nasceram os “underwriters”“Financial bankers, who would accept some of the risk on a given venture (< HREF="http://en.wikipedia.org/wiki/Five_for_One" REL="nofollow">historically a sea voyage with associated risks of shipwreck<>) in exchange for a < HREF="http://en.wikipedia.org/wiki/Insurance_premium" REL="nofollow">premium<>, would literally write their names under the risk information which was written on a Lloyd’s slip created for this purpose.”Noutras palavras: os primeiros fiadores de risco.Um pouco de história não faz mal a ninguém, e serve para lembrar como só os paises com um “market system” bem desenvolvido entraram na corrida das Descobertas. Tem-se falado muito sobre o mistério de Portugal, um país tão pequeno, ter conseguido a façanha de descorbir metade do “novo mundo” ou mais. Alguns parvos querem-nos fazer crer que Sagres era uma espécie de NASA à época, um centro de pesquisa e innovação. Talvez fosse, mas a inovação só emerge quando há capital para financiá-la. E o facto é que à época dos Descobrimentos havia mais capital em Lisboa do que na Espanha dos “hidalgos”. Portugal só se comparava então com a Holanda neste domínio, e mais tarde, com a região de St-Malo e o sistema de corsários, e depois ainda com os Ingleses da estirpe de Lord Nelson ou, mais tarde, da LLoyds e companhia.2 – Muitas pessoas não percebem quando tentamos explicar como é que o Quebec, ou se preferir a Nova França, sofreu um atraso económico de 2 ou mais séculos na sequência da conquista inglesa de 1763. Não nos mataram. Até nos deixaram rezar nas igrejas católicas, em francês, e mesmo regular a propriedade e outros actos da vida pelo Direito francês (dito Napoleánico, mas de facto romano). O problema foi que nos cortaram totalmente os acessos à Banca!!! Um francês, ou se se quiser, um burguês da Nova França, não tinha quaisquer condições para negociar um financiamento de risco com um banco inglês ou com a Lloyds. Idem para o comércio, etc. Mas o pior foi mesmo o não acesso à Banca…… E depois criticam o facto que os governos quererem salvar os Bancos……Pensem bem…!!!!!!3 – Por Falar em Bancos, o World Economic Forum acaba de publicar o seu ranking de Solidez (ou de risco) dos bancos no mundo, aqui estaThe top 10 soundest banking countries are as follows:* Canada (6.8), ou seja, o 1º* Sweden (6.7)* Luxembourg (6.7)* Australia (6.7)* Denmark (6.7)* Netherlands (6.7)* Belgium (6.6)* New Zealand (6.6)* Ireland (6.6)* Malta (6.6)** Portugal (35º)< HREF="http://www.weforum.org/documents/gcr0809/index.html" REL="nofollow">Check the index for Portugal, in this report<>.No item de “soundness of Banking system” Portugal “ranks 35 (over 134)” O relatório saiu ontem ou anteontem e a única coisa que os jornalistas (locais ) se lembraram de referênciar foi o facto de Portugal passar de 40º para 43º em termos de competitividade global, onde entre outras coisas se destaca a desvantagem clara do sistema de Leis laborais, mas esquecem por inteiro outros 2 factores onde Portugal perde muitos pontos: “Business sophistication” e “Innovation”. Esquecem-se ainda de falar de outras duas desvantagens: “inneficient Governement Bureaucracy” e “lack of financing” (“do I ever know!!!!”)Mas nas VANTAGENS competitivas, há coisas, como “Soundness of banks”, (eu comparava com o Canadá e achava pouco) onde o 35º lugar de Portugal contra o 84º dos Estados Unidos não está mal!Outras vantagens competitivas de Portugal são, “availability of latest technology” assim como “quality of roads”, “low cost of terrorism or organized crime protection” (provavelmente não estudaram o sector futebolístico😉Um ponto anedótico mas que explica muita muita coisa (os números são um “ranking” sobre 134):Quality of education — CANADA = 8; PORTUGAL = 73Quality od school Management — CANADA = 4; PORTUGAL = 38Expenses in Education — CANADA = 35; PORTUGAL = 22Palavras para quê?!!!!! A isto se chama fazer mais com menos, ou pelo contrário, fazer muito menos com muito mais!!!4 – A Islândia seguia directamente Portugal, na 36º para “Soundness of banks”…Deve ser por isso que anunciaram a nacionalização hoje à noite do maior dos 3 bancos daquele país, o Kaupping!A liquidez necessária para alavancar os 3 bancos era de $600 Billions (dá para ver onde vão os Americanos com um Plano de $700 Billions.)O Valor requerido na Islândia era só 9x o PIB nacional!!!!!!A Noruega empresta $800 millions aos Islandeses.A movimentação em torno dos recursos do Artico aumenta…. Vai ver como o Canadá será o próximo. Ainda não utilizamos nenhum fundo público para sustentar Bancos ou coisa do género. Mas hoje fala-se da possibilidade de investir uma soma pequena na Sociedade Nacional de Hipotecas imobiliárias.Chantal

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