Crise Global 37

Nada parece resultar!

O Plano Paulson fracassou
A descida concertada dos juros nos EUA, Europa e Japão fracassou
Wall Street continua em queda livre:

  • DOW (09-10-2008): -678,91
  • GM:-31%
  • Ford:-22%
  • XL Capital Ltd.: -53%
  • Exxon Mobil: -11,688%
  • Morgan Stanley: -26%

Ásia e Europa vão pelo mesmo caminho:

  • Tóquio (9-10-2008): -9,62%
  • Xangai (10-10-2008): -3,57%
  • NIKKEI (10-10-2008; 15:00): -881,06
  • Dj STOXX 50 (10-10-2008; 12:18): -183,77
  • PSI20 (10-10-2008 14:23): -8,45%

O G20 reúne extraordinariamente este Sábado depois de Bush ter telefonado anteontem mesmo a Lula da Silva (será que o famoso AMERO vem aí?) Entretanto, Washington declara-se disponível a negociar com os Talibãs do Afeganistão. É o desespero que a pouco e pouco toma conta do império. Nunca o mundo experimentou tamanho colapso financeiro. E o pior é que estamos ainda na fase preliminar do grande estouro.

A reunião do G20 é o primeiro sintoma sério de que uma nova globalização desponta no horizonte. Os Estados Unidos e a Europa parecem estar a perceber finalmente que não podem salvar-se do tsunami financeiro em curso sem reconhecer de uma vez por todas o Outro da globalização, i.e 4/5 da humanidade!

No imediato, e no que à crise financeira se refere, a contínua desvalorização das taxas de juro de referência dos bancos centrais não passa duma armadilha fatal, na medida em que leva à destruição pandémica das poupanças, sem por outro lado gerar a tão almejada liquidez que a economia e os Estados precisam desesperadamente para sobreviver. Enquanto não houver confiança, enquanto não se souber com clareza o que levou o mundo à actual parálise, enquanto não for lançado um bloqueio aos paraísos fiscais, persistirá a actual e escandalosa discrepância entre o preço nominal do dinheiro (3,75% na Zona Euro) e o seu preço real (13% e mais, dependendo se estamos a pagar empréstimos pessoais de emergência ou certos atrasos no pagamento dos cartões de crédito!)

No caso português, temo que os problemas de tesouraria das empresas e do Estado comecem a deteriorar-se muito rapidamente e que acabemos por ter um Natal desolador. A solidez das garantias bancárias que o governo Sócrates confirma de modo persistentemente ambíguo e demagógico, não sossega ninguém, sobretudo sabendo-se que o nível máximo de garantias dos nossos bancos estão 50% abaixo do valor prometido pelos bancos espanhóis, já sob protecção oficial de Zapatero e do Banco de Espanha. O fundo de garantia de depósitos do Banco de Portugal não foi estendido, ao contrário do que sucede noutros países europeus, a outro tipo de poupanças, como os PPRs e os seguros de saúde.

Em tais circunstâncias, não vejo como irá o governo impedir que dentro de semanas milhares de aforradores retirem o dinheiro dos bancos portugueses, seja por transferência para bancos alemães ou espanhóis sediados no nosso país, seja para aplicações em ouro e outras “commodities” de refúgio. O ouro fino está neste momento subavaliado por pressão dos governos e bancos centrais euro-americanos, mas a percepção crescente de que a economia virtual dos casinos cambiais caminha para um buraco negro (o buraco dos Derivados) levará inevitavelmente à sua reavaliação nos dias, semanas e meses mais próximos.

A boa notícia é que Portugal, onde a bolsa (PSI20) perdeu metade do seu valor ao longo dos últimos seis meses (1), tem reservas de ouro significativas (12,3 milhões de onças Troy, i.e. 382,572.764.64 toneladas), com um valor estimado de $10.505.430.000 (14-10-2008). Ocupa aliás a 11ª posição entre as reservas nacionais deste metal precioso. A má notícia é que o ouro português representa 85% das reservas externas (sendo os restantes 15% compostos por Direitos Especiais de Saque e moeda estrangeira), ou seja, desde os tempos de Salazar pouco ou nada fomos capazes de acumular. Portugal tem uma enorme dívida pública, patente no desequilíbrio da balança de pagamentos e no pesado défice comercial com o exterior. Para fazer face às dividas, a única contrapartida sólida para a obtenção de empréstimos é precisamente o ouro disponível que ainda temos. Resta saber que parte das 382,5 toneladas não foi ainda comprometida com empréstimos anteriores. O senhor Constâncio tem obrigação de esclarecer o país sobre este ponto crucial da nossa real situação financeira.

Uma última observação sobre o ouro: é muito provável que a pesquisa e produção deste metal volte a ter alguma importância nas actividades extractivas do país.

ÚLTIMA HORA

  • Banco Espírito Santo ajuda a empurrar Ibex-35 para perdas históricas

    Madrid, 10 Out (Lusa) — O Banco Espírito Santo está a ser hoje decisivo no comportamento dos principais stocks no Ibex-35, que continua em quedas acentuadas, e em duas horas e meia de negociação vendeu já títulos no valor de 170 milhões de euros.

    Comentário: Rui MVS, com a mordacidade habitual, adiantou: “Lá vai ter a CGD de vender na próxima 2ª Feira mais uns anéis.”
    A Angela Merckel mandou os pequeninos à fava. Sempre quero ver agora quem irá salvar a banca portuguesa quando passar da propaganda à realidade. Nem o Edu de Luanda tem cabedais para tanto!

  • S&P alerta para falências da General Motors, da Ford e da Chrysler
    Publicado a: 11:37, 10-outubro-2008 (Diário Económico)

    A agência de notação internacional Standard & Poor’s (S&P) alertou hoje para o facto das fabricantes automóveis norte-americanas General Motors, Ford e Chrysler poderem ser forçadas a declarar falência devido ao abrandamento económico global e à quebra das suas vendas nos Estados Unidos.

  • Japão: Seguradora Yamato entregou hoje o seu pedido de falência

    2008-10-10 11:00 (Diário Económico) A Yamato Life Insurance, uma das maiores instituições financeiras do Japão, pediu hoje aos tribunais a protecção dos seus credores, pois enfrenta sérios problemas de solvência, acumulando uma dívida de mais de 269,5 mil milhões de ienes (dois mil milhões de euros).

NOTAS

  1. Bolsa nacional perde perto de 20% em cinco dias na pior semana de sempre
    Nuno Carregueiro e Sara Antunes

    10-010-2008 11:58 (Jornal de Negócios) A bolsa portuguesa está hoje a descer mais de 6%, elevando a perda semanal para perto de 20% e o prejuízo no ano para mais de 50%. Esta está a ser a pior semana de sempre para o PSI-20, que acompanha o descalabro nas bolsas mundiais devido aos receios de uma recessão económica mundial e mais falências empresariais.

OAM 457 10-10-2008 03:15 (última actualização: 14-10-2008 11:30)

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