Portugal 55

Abraço fatal


BC europeu corta juros pelo terceiro mês consecutivo

2008-12-04 (BBC Brasil) O Banco Central Europeu (BCE) anunciou nesta quinta-feira um corte recorde na taxa básica de juros de 3,25% para 2,5% nos 15 países que usam o euro como moeda oficial. A redução foi a maior nos dez anos de história do Banco Central Europeu.


Sampaio e Mello : “Demiti-me por dificuldades internas do PSD”

12:03 | Quarta-feira, 3 de Dez de 2008 (Expresso)

“Tenho muita pena de deixar este trabalho a meio e fui fazendo diligências para ultrapassar alguns problemas mas não é fácil transformar culturas e instituições”, argumenta o professor, que tem no currículo uma colaboração com a equipa que preparou propostas económicas para a campanha presidencial de Barak Obama nos EUA e que reconhece haver em Portugal uma cultura muito diferente.

Afirmando “ter um enorme apreço pela honestidade da dr.ª Manuela Ferreira Leite”, António Sampaio e Mello diz que é “fundamental a oposição em Portugal conseguir, de forma fundamentada, desenvolver um trabalho alternativo” ao do Governo. Mas reconhece que, apesar de ter trabalhado “com pessoas fantásticas” encontrou pela frente, no PSD, “dificuldades” que tornaram impossível o trabalho “de exigência” que se propunha fazer.

Enquanto a recessão e a deflação se instalam a grande velocidade na Europa, o ano 2009 apresenta-se com cores cada vez mais sombrias para todos, excepto para os especuladores profissionais.

De momento, como tenho vindo a repetir, os juros do BCE caminham para zero, na esperança de que a inflação monetária empurre de novo as pessoas para o consumo, ao mesmo tempo que reduz a cinzas as poupanças de quem trabalhou e guardou para a velhice e para ajudar os seus.

Sucede, porém, que o dinheiro demasiado fácil (e sobretudo virtual) injectado pelos governos e bancos centrais, isto é, pelos contribuintes, no sistema financeiro, desaparece num ápice assim que lá chega. Vai, na sua maioria, parar aos 58 paraísos fiscais recenseados, a que nenhum governo se atreve declarar guerra. Barak Obama chegou a falar do tema, mas alguém lhe disse para meter imediatamente a viola no saco!

O buraco negro formado pelo mercado de Derivados, que concentra no seu interior 80% de toda a liquidez existente, e exige que as dívidas e apostas perdidas sejam pagas, já levou os Estados Unidos a comprometerem mais de 50% do respectivo PIB —leram bem, mais de metade de $13,78 biliões de dólares, ou seja, $7.760.000.000.000 (1)— na tentativa desesperada de salvar o sistema financeiro e a economia americanas de um completo colapso e falência. Os espectros do Zimbabué e da Islândia não andam assim tão longe de Wall Street. Entre outras causas, porque as saídas tradicionais para estes apertos —resultantes da ganância e leviandade extremas do Capitalismo decadente das democracias ocidentais— estão semifechadas. E forçar tais saídas, como sempre se fez, i.e. à bomba, teria como consequência inevitável uma proliferação incontrolável de grandes conflitos bélicos, da qual o arrogante Ocidente não se sairia tão bem como das outras vezes.

A fase deflacionária em curso dificilmente arrancará as endividadas economias europeias e americanas das trajectórias que já levam em direcção à falência e estagnação. O que poderemos ver lá para 2010, ou mesmo antes, é a inversão do actual ciclo deflacionário na direcção de um inesperado e súbito ciclo marcado pela hiperinflação. Se os Estados Unidos e a Europa continuarem a injectar rios de dinheiro falso nos mercados mundiais, uma possível consequência desta nova leva de expropriação da riqueza e poupança dos Segundo e Terceiro Mundos será a emergência de moedas regionais fortes na Ásia, no Médio Oriente e mesmo na América do Sul. A economia real está farta de receber papel mal impresso, pelo seu petróleo, pelo seu arroz, e pelos seus computadores. Ou seja, a maior ameaça ao perigoso jogo encetado pelas democracias ocidentais decorre duma mais do que provável interrupção ou abrandamento sério do comércio global. Se a tendência já exibida pelo Baltic Dry Index se prolongar por todo o ano de 2009, então teremos hiperinflação nos Estados Unidos e na Europa! O mercado acabará por ficar encharcado de liquidez, mas com pouco para vender ou comprar.

A ideia peregrina do papagaio Sócrates, segundo a qual o senhor Trichet acaba de dar carta branca à maioria socialista e a todos nós para que nos endividemos ainda mais, desta vez em nome do emprego e da necessidade de salvar bancos e multinacionais, é na realidade um boomerang muito perigoso. Quando este regressar da fantasia deflacionária e das taxas de juro negativas, mostrando as mandíbulas aterradoras da hiperinflação, será tarde demais para quem tiver acompanhado alegremente a irresponsabilidade da tríade de Macau. A prioridade máxima de cada um de nós é uma e uma só: LIVRARMO-NOS DAS DÍVIDAS quanto antes!

Cavaco Silva precisaria, nestas circunstâncias sinistras, de ter as mãos livres para agir. Só que os astros não lhe sorriem desta vez. A procissão fúnebre do Cavaquistão começou e é feia (2). Há, no entanto, um provérbio para cada situação. Neste caso, o mais apropriado é este: Em tempo de guerra não se limpam armas! Isto é, Cavaco tem três meses para libertar-se de quem se corrompeu à sua sombra, sem apelo nem agravo. Sacuda pois, Senhor Presidente, o abraço das lapas que desesperadamente se agarram ao seu braço. Ou assistirá a uma fuga sem precedentes dos intelectuais sérios do PSD para outras bandas, sejam eles economistas internacionalmente prestigiados, como António Sampaio e Mello, ou intelectuais políticos de gema, como Pacheco Pereira. Parece pouco, mas não é. Sem eles, V. Ex.ª afundar-se-à a pique num instante.

NOTAS

  1. U.S. Pledges Top $7.7 Trillion to Ease Frozen Credit

    By Mark Pittman and Bob Ivry

    Nov. 24 (Bloomberg) — The U.S. government is prepared to provide more than $7.76 trillion on behalf of American taxpayers after guaranteeing $306 billion of Citigroup Inc. debt yesterday. The pledges, amounting to half the value of everything produced in the nation last year, are intended to rescue the financial system after the credit markets seized up 15 months ago.

    The unprecedented pledge of funds includes $3.18 trillion already tapped by financial institutions in the biggest response to an economic emergency since the New Deal of the 1930s, according to data compiled by Bloomberg. The commitment dwarfs the plan approved by lawmakers, the Treasury Department’s $700 billion Troubled Asset Relief Program. Federal Reserve lending last week was 1,900 times the weekly average for the three years before the crisis.

    Outro dado revelador da situação americana é o crescimento imparável e empinado (ver gráficos) da sua dívida pública, que ultrapassa já os 10,66 biliões de dólares.

  2. Fui há duas semanas a Mafra visitar uma vez mais o belíssimo Jardim do Cerco, junto ao Convento onde vivi quatro anos inesquecíveis (1960-1964), e à Tapada onde pude explorar, como poucos, grandes espaços de liberdade e aventura. Depois do almoço fui visitar a vila, que entretanto crescera a um ritmo vertiginoso. Vieram-me as lágrimas aos olhos à medida que me deparava com a bestialidade imobiliária que praticamente assassinou um dos mais notáveis ícones do antigo império português. Ninguém cuidou de estabelecer um rígido cordão sanitário à volta do convento e da tapada, nem muito menos se lembrou de fazer um concurso mundial de desenho urbano e paisagístico para actualizar os planos municipais existentes, que em toda a sua prudência foram incapazes de resistir por si sós à voragem “democrática” de um regime autárquico entregue à especulação imobiliária mais sôfrega, à ignorância e cupidez crescentes dos eleitos, e à corrupção mais boçal. Dei-me então conta até que ponto aquele desastre urbano, que nenhum terramoto, nem guerra, conseguira, era o espelho mais brutal do Cavaquistão. Como foi possível? Como deixámos escavacar o país até este ponto? É claro que o homem que hoje habita em Belém não fez aquilo. É claro que todos acreditamos que não deve nada a ninguém, nem cedeu a tentações. Só que isto não chega, e talvez nem seja o essencial. O que Aníbal Cavaco Silva deixou os seus amigos e correlegionários fazer —espatifar meio país—, o que agora aparece em carne viva, na sequência da derrocada do nosso sistema financeiro, foi bem pior!

OAM 486 04-12-2008 20:16

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