Crise Global 60

O governo popular de Barak Obama

Continuo a receber regularmente mensagens e vídeos de Barak Obama (1), agora na sua qualidade de presidente dos Estados Unidos da América. Inscrevi-me, por curiosidade, no seu sítio web, quando começou a campanha para as presidenciais. A plataforma eleitoral continua, por incrível que pareça, mais viva do que nunca!

Evoluiu entretanto para um verdadeira rede social de massas, com fortes componentes tecnológicas, de comunicação interactiva e de formação de poder a partir das bases sociológicas que elegeram o actual presidente americano. Chama-se Organizing for America.

O modelo, ainda que mais elegante e tecnológico, é aparentemente o mesmo há muito seguido, entre outros, por Fidel Castro e Hugo Chávez! Mas será mesmo?

Vamos precisar de algum tempo para avaliar o potencial desta verdadeira guarda pretoriana no extraordinário jogo de cintura que o novo presidente americano terá que evidenciar para conseguir levar por diante o seu plano. A verdade é que a situação da América é desesperada. E não vai ser nada fácil lidar com a enorme corrupção que tomou conta de Washington juntando democratas e republicanos nas mesmas práticas de tráfico de influências e subserviência aos poderosos sectores da finança e indústria da maior potência militar do planeta. O nosso Bloco Central da Corrupção não faz mais do que copiar, em pequenino, tarde e a más horas, este modelo escandalosamente gasto.

Há quem diga que Obama traz uma verdadeira revolução escondida na sua bagagem. Uma revolução pacífica, mas uma revolução mundial… dirigida ao poder desconhecido da mente.

Uma já célebre fotografia, que exibe o actual presidente americano com uma gravata MT ao peito, parece apontar para algo comum em muitos políticos americanos: a necessidade de uma forte motivação “interior”. Quem não se lembra da peregrinação de Hillary Clinton a Fátima! No caso de Obama, tudo leva porém a crer que essa força interior reside na Meditação Transcendental — espécie de renascimento futurista das milenares visões védicas do mundo.

O facto de a sua campanha ter começado em Iowa, onde se situa a pequena cidade de Fairfield, sede da Maharishi University of Management e a escassos quilómetros da Maharishi Vedic City, uma cidade-modelo contemporânea desenhada segundo a sabedoria védica, mas incorporando as mais avançadas e inovadoras tecnologias de desenvolvimento sustentável, auto-organização, gestão e comunicação, prenuncia, a ser verdade, uma nova luz para entender a acção de Obama.

O facto de a MT ser tipicamente e em todo o mundo um movimento de quadros técnicos e empresariais da classe média, associado à evidência de a crise americana ser, em primeiro lugar, a maior crise de sempre da própria classe média —ameaçada de extinção pela lógica auto-destrutiva do Capitalismo— faz um especial sentido para o ângulo de visão sugerido pela visita do então candidato Barak Hussein Obama à cidade de Fairfield, onde posou para a fotografia, com o mayor da cidade, usando uma gravata MT.

Ainda que numa perspectiva de alarmismo de direita, muito a jeito das maquinações da FOX, a previsão de uma revolução nos Estados Unidos, como consequência de estar a evoluir rapidamente para o estatuto de uma nação não-desenvolvida (“undeveloped“), foi anunciada em 10 de Novembro de 2008 pelo homem que aparentemente previu a queda da União Soviética, a crise bolsista asiática de 1997, o descalabro do Subprime e a desvalorização sem precedentes da moeda americana. O mau agoiro vem de Gerald Celente, e vale a pena consultar esta referência: Celente Predicts Revolution, Food Riots, Tax Rebellions By 2012.

A recente histeria de Dick Cheney a propósito da política anti-terrorista de Barak Obama, afirmando que a mesma expõe os Estados Unidos “a atentados nucleares ou biológicos muito graves” (SIC), vai na mesma direcção.

Como se pode ler na newsletter do Bloco de Esquerda, há aliás mais gente, desta vez em quadrante radicalmente oposto, a pensar que estamos mesmo no início de uma verdadeira metamorfose:

Numa entrevista à revista inglesa Socialist Review, o marxista István Mészàros analisa a crise económica mundial e critica aqueles que apostam que ela será resolvida trazendo de volta as ideias keynesianas e a regulação. “É uma fantasia que uma solução neo-keynesiana e um novo Bretton Woods resolveriam qualquer dos problemas dos dias atuais”, defende Mészàros. Para ele, estamos vivendo a maior crise na história humana, em todos os sentidos.

Não temos escrito neste blogue sobre outra coisa nos últimos três anos. E é por isso que penso ser urgente atacar sem hesitação o Bloco Central da Corrupção, por forma a salvar o PS e o PSD, mas acima de tudo, regenerar a tempo o actual regime democrático, sem o que os desafios que temos pela frente correm sérios riscos de empurrar Portugal para mais uma ditadura, ainda que inicialmente disfarçada de mais democracia! Os artigos recentes de Bagão Feliz —A força da mentira— e de Mário Crespo —Está bem, façamos de conta—não podem ser mais esclarecedores, especialmente junto do grande público, da gravidade da situação em que nos encontramos. Ou a Justiça põe na prisão rapidamente quem lá merece estar, ou Cavaco Silva terá que assumir até ao fim as suas obrigações de Estado.

Entretanto, enquanto governo e parlamento se auto-diluem no charco que criaram, recomendo vivamente a Cavaco Silva e a alguns políticos atentos, como Paulo Rangel, Francisco Louçã, Medina Carreira, Bagão Félix e Campos e Cunha, que leiam atentamente o rol das medidas do programa de estímulos sucessivamente esquissado pelo Congresso, e depois aprovado pela Câmara dos Representantes dos EUA. Servirá, pelo menos, para que aumentemos a fasquia de exigência do Plano de Emergência que há muito reclamo para o nosso país (2).

Breaking Down The Stimulus Bill

06-02-2009 (CNBC) — A comparison of the $827 billion economic recovery plan drafted by Senate Democrats and moderate Republicans with a $820 billion version passed by the House. Additional debt costs would add about $350 billion or more over 10 years. Many provisions expire in two years.

NOTAS

  1. Esta chegou enquanto escrevia este postal:
    Organizing for America
    Antonio —

    Americans have organized Economic Recovery House Meetings in all 50 states — including 382 in California, 255 in Florida, 115 in Ohio, 199 in New York, 105 in Washington, and 149 in Texas.

    That’s more than 3,587 meetings in 1,579 cities and 429 congressional districts.

    This past weekend, meeting hosts and guests watched a video of Governor Tim Kaine answering your questions about the president’s recovery plan. Then they shared their own stories about how the crisis has affected them.

    Watch Governor Kaine’s video and share your economic crisis story.

    Watch the video

    The media is filled with numbers about the economic crisis. But the numbers do not tell the full story.

    The story of this crisis is in homes across the country — homes where a family member has lost a job, where parents are struggling to pay a mortgage, and where college tuition has slipped out of reach.

    That’s also where the story of our recovery begins — in communities where repairing roads and bridges, manufacturing green technologies, and rehabilitating our schools and hospitals will directly impact the lives of ordinary people and their families.

    President Obama’s recovery plan will help struggling families right now by saving or creating up to 4 million jobs. But it will also help strengthen our economy for the future by investing in crucial infrastructure projects in health care, education, and energy.

    Share your story about how this economic crisis is affecting you and your family and join your fellow Americans in supporting bold action to speed our recovery:

    http://my.barackobama.com/sharestories

    Thank you for organizing so much support at this crucial moment for our country,

    Mitch

    Mitch Stewart
    Director
    Organizing for America

  2. Escrito em Outubro de 2005
    Muito antes das datas previstas nos cenários pró-Ota (…) Portugal ver-se-à na contingência de ter que redesenhar dramaticamente as suas prioridades de desenvolvimento (…). A brutal crise energética chegará muito mais cedo do que se prevê. E antes dela (ainda na vigência do actual governo) chegará também um mais do que provável “crash” imobiliário. Sem precisar de consultar cartas astrológicas, um número crescente de especialistas vem advertindo os governos de todo o mundo para o que se poderá passar num planeta subitamente consciente do declínio acelerado e irreversível das suas duas principais fontes energéticas: o petróleo e o gás natural. Mitigar este cenário mais do que certo exigirá avultados investimentos públicos e privados, que serão tanto maiores quanto mais próximos estivermos do colapso energético global.

    A prioridade das prioridades, em Portugal, como em toda a Europa, é criar uma rede capilar de transportes rodoviários, ferroviários, marítimos e aéreos altamente sustentáveis, divergindo rapidamente da dependência exclusiva dos combustíveis fósseis. Os Estados deverão concentrar-se na construção muito dispendiosa destas infraestruturas (e no apoio à investigação científica e tecnológica apropriada), deixando aos privados o papel de explorar, em regime de concorrência vigiada, o correspondente material circulante: camiões, comboios, barcos e aviões. O transporte individual tal como o conhecemos hoje desaparecerá muito rapidamente, devido aos custos insuportáveis de veículos e combustíveis, mas também devido à insolvência de milhões famílias por essa Europa fora.

    A segunda prioridade inadiável é a autonomia alimentar local. Temos que reconstruir rapidamente as cinturas verdes das cidades com mais de 100 mil habitantes, tendo como objectivo inegociável a criação de capacidades básicas de auto-abastecimento alimentar.

    A terceira prioridade é parar imediatamente com a actividade imobiliária especulativa, interrompendo pura e simplesmente toda a actividade de construção civil desnecessária. Os recursos técnicos, logísticos e humanos até agora empregues nesta actividade inútil e tonta deverão ser desviados para a consecução das grandes obras de infra-estruturas prioritárias a serem lançadas imediatamente como vértice fundamental de uma estratégia de mitigação da aproximação do “crash” energético.

    A quarta prioridade é reorganizar radicalmente o actual aparelho de Estado, eliminando tudo o que for dispensável. Precisamos de um Estado de Emergência. Mais vale perceber isto agora, do que esperar por uma metamorfose repentina, anárquica, tumultuosa e violenta.

    A quinta prioridade é relançar a Democracia…

    in O António Maria, 28-10-2005

OAM 534 09-02-2009 19:07 (última actualização: 10-02-2009 01:07)

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