MT

“Diving within” with David Lynch

O meu irmão Emanuel é um mestre de Meditação Transcendental. Mas na verdade nunca me convenceu a fazer uma iniciação. Às vezes pergunto-me porquê… Por falta de tempo? Porque tenho a convicção de que a minha mente já é o meu paraíso na Terra, e por isso não preciso de mais estados alterados? Mas que diabo, não é meia hora de MT por dia, mais 1 hora de caminhada, que destruirão os meus compromissos. Tal como gosto de uma passa de bom haxixe, de deixar um vinho do Douro tomar conta do tempo e da conversa, ou mesmo, em certos momentos de cumplicidade, snifar um miligrama de coca — tudo, como sabemos, estratégias bem sucedidas de alterar os estados mentais — não vejo porque motivo evitei até hoje iniciar-me na MT. Talvez seja, por causa da palavra iniciação!

Há quem diga que só quem precisa acorre ao Yoga e à MT, pela mesma ansiedade que leva milhões de pessoas neste mundo às igrejas, aos psiquiatras e psicólogos, ao alcoolismo, à pornografia compulsiva e à tóxico-dependência. O objectivo é sempre o mesmo: acalmar uma força negativa que, num dado momento da nossa vida (espera-se que breve), tenta destruir-nos, ou cria uma inquietude insuportável. Eu gosto de pensar que não me encontro nesta situação desesperada. E como tal, não preciso de meditação!

Mas não é bem assim. Tenho mesmo um preconceito contra as barbas do Maharishi Mahesh Yogi, que um dia levou os Beatles a produzirem um dos seus mais surrealistas álbuns musicais — The Beatles (“The White Album”), levantou dúvidas sobre um possível avanço sexual seu sobre Mia Farrow, criou uma multinacional muito lucrativa de MT (sobretudo dirigida à classe média e quadros executivos) e acabaria por falecer sentado e de olhos abertos no dia 5 de Fevereiro de 2008.

Este preconceito é o mesmo que em geral tenho relativamente a todas as filosofias quietistas. Entendo-as, aprecio a sua beleza sublime, sou mesmo capaz de as adoptar em caso extremo, mas não as recomendo para o dia a dia! Num certo sentido, são contrárias à Dialéctica, pois no caso vertente —as religiões e filosofias védicas— vêm das altas montanhas do Himalaias (provavelmente do Nepal). E noutros casos são obra dos desertos!

Eu sou um típico descendente de fenícios e gregos — venho do mar e vou para o mar. Amo a variedade lexical, a prosódia e a dialéctica. Lembro-me sempre da crítica hegeliana ao Oriente, e da crítica baudelaireana ao haxixe (em nome do santo vinho). Que lhe hei-de fazer?

Há porém algo a que não devo resistir por muito mais tempo: saber como funciona a MT e que resultados garante na alteração temporária do meu estado mental. Em breve saberemos modelizar cientificamente este tipo de alterações, mas até lá, vou aproveitar um dia destes para experimentar a receita védica. Prometo contar-vos como foi.


OAM 546 02-03-2009 19:43

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