Portugal 88

BCP: falência ou nacionalização?

Acções do banco da tríade de Macau, como escrevia um amigo meu, ao preço da bica: 55 cêntimos!

Ferro Ribeiro (porta-voz de Stanley Ho): “Temos a melhor opinião do dr. Carlos Santos Ferreira e há que referir que nunca, em momento algum, fomos pressionados pelo Governo ou pelo Banco de Portugal para apoiar a sua candidatura à presidência do BCP”.

Há desmentidos que explicam tudo! Sabemos hoje que a OPA do BCP ao BPI (1) foi uma fuga em frente face aos problemas que ameaçavam a viabilidade a prazo do maior banco privado português. A operação não resultou, tendo o BCI contra-atacado com o reforço da sua importante posição accionista no BCP —de 7,238% para 8,51%— ao mesmo tempo que deixava no ar a possibilidade de comprar o BCP (2) Resultado: houve um alarme nacionalista sobre a possível passagem do centro de decisão financeira chamado BCP, de Lisboa para Barcelona, por via da presença forte que o La Caixa tem no BPI — quase 30% (3).

Eu próprio me perguntei se não seria uma acção virtuosa apoiar o populismo então fulgurante do comendador Berardo, verdadeira testa de ferro mediática do grupo de accionistas que saiu em defesa do BCP… mas com dinheiro da Caixa Geral de Depósitos!

A operação de salvamento foi cara (4) e os resultados, desastrosos para todos. Jardim Gonçalves deve estar a rebolar-se nos jardins de Colares!

Há ainda muito por saber. Mas o que parece é isto: a tentativa de assalto do BPI mostrou as fragilidades inesperadas do BCP. Para defender o BCP (com o pretexto de impedir a sua caída em mãos espanholas), a tríade de Macau, que domina o PS desde que António Guterres derrotou o clã de Mário Soares, viu no imbróglio gerado pela ousadia do novel presidente do BCP, Paulo Teixeira Pinto, uma oportunidade única (5) para se apoderar de uma ferramenta financeira de primeiro plano. Tocou a rebate e juntou testas de ferro e parceiros para a mudança da guarda: da Opus Dei para a tríade de Macau (6).

Tudo muito bonito se quem orquestrou a operação tivesse ouvido falar do Black Swan já em formação, mas ainda pouco visível, que viria a ser o colapso do incomensurável mercado de derivados que continua a engolir a economia global. As acções do BCP desvalorizaram, entre o ano 2000 e hoje, qualquer coisa como 89,7%. Hoje já não chega para beber uma italiana bem escaldada na esplanada do Tamariz!

Como diz uma amiga minha canadiana, perseguir os culpados —desporto que entretém muita gente por esse mundo fora—deixou de ser a tarefa mais produtiva de todas. O que urge mesmo é imaginação para reparar o desastre.

NOTAS

  1. 23-03-2007 – 23h47 — O Banco Comercial Português (BCP) apresentou esta noite o pedido de registo na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada sobre o Banco Português de Investimento (BPI).

    O projecto não contempla a revisão do preço, mantendo o valor nos 5,7 euros por acção, e admite manter a sua proposta no mercado, mesmo se não houver desblindagem dos estatutos da instituição opada.

    Nesse caso, passa a vigorar como única condição de sucesso da OPA a compra de pelo menos 82,5 por cento do capital do BPI, e não de 90 por cento como previsto. — Cristina Ferreira (Público).

  2. 26-07-2007 — O BPI reforçou, ao longo dos últimos dois dias, a sua posição no BCP de 7,238% para 8,51%, no ‘timing’ limite para poder votar com todas as acções na assembleia geral (AG) de 6 de Agosto. Este aumento da participação do BPI provocou uma onda de rumores no mercado, por não se conseguir perceber inteiramente o racional deste investimento para o BPI. O banco liderado por Fernando Ulrich já tinha com os seus 7,2% uma palavra decisiva na guerra de poder existente no BCP, sendo indiscutível que com 8,5% o seu poder é maior. Mas, na opinião dos analistas, esta não deverá ser a única razão que levou o BPI a comprar mais acções do seu rival. Os rumores de uma OPA, de negociações de uma aliança amigável entre o BPI e qualquer uma das facções em confronto no BCP, tendo em vista uma parceria futura entre os dois bancos, foram alguns dos cenários aventados. No entanto, não foi possível confirmar qualquer uma destas hipóteses. Sobre o tema, Ulrich limitou-se a dizer, em declarações exclusivas ao Diário Económico, que uma OPA está fora de questão e que não existem contactos com o fundador do BCP há mais de ano e meio. — Diário Económico.
  3. La Caixa já detém 30% do BPI (IOL Diário)

    04-02-2009 — O La Caixa, o accionista de referência do BPI, voltou a reforçar a sua posição na instituição financeira liderada por Fernando Ulrich e já detém 29,9% do banco.

    As acções foram compradas entre o dia 26 e o dia 30 de Janeiro, com preços a variar entre 1,49 e os 1,52 euros, revela em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

    (S&P coloca dívida do BES e BPI sob vigilância negativa)

    Com este reforço, o La Caixa passou a deter 169.294.328 títulos.

    Recorde-se que, o presidente do banco, já tinha salientada na apresentação de resultados, que este reforço do espanhol La Caixa no seu capital social, revelava «um voto de confiança».

    No entanto, Ulrich, na altura, rejeitou a hipótese de uma oferta pública de aquisição (OPA): «Não nos parece que seja esse o caminho que o La Caixa vai seguir».

  4. BCP gastou 451 milhões com OPA ao BPI

    O BCP gastou ao todo 451 milhões de euros com o BPI. Este montante inclui o valor gasto pela instituição de Santos Ferreira na Oferta Pública de Aquisição (OPA) e na tentativa de fusão com o banco liderado por Fernando Ulrich.

    Já as perdas relacionadas com posição de que detinha no BPI, cerca de 9,7%, traduziram-se num montante 348 milhões de euros, revelou o presidente do BCP, Santos Ferreira, em conferência de imprensa. — IOL Diário.

  5. Financiamento de 500 milhões a apoiantes de Santos Ferreira
    Joe Berardo e aliados compraram acções do BCP com crédito da Caixa

    04.01.2008 – 09h02 Cristina Ferreira, Paulo Ferreira (Público).

    Alguns accionistas do Banco Comercial Português (BCP) que apoiam a candidatura do ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos Carlos Santos Ferreira têm vindo a reforçar o seu investimento em acções daquela instituição privada com crédito concedido pelo próprio banco do Estado.

    O PÚBLICO apurou que Joe Berardo, a família Moniz da Maia (Sogema), Manuel Fino, Pedro Teixeira Duarte e José Goes Ferreira receberam crédito da CGD para comprarem acções do BCP, o que lhes tem permitido ter uma palavra a dizer nos destinos do maior banco português.

    Em causa estão operações de financiamento que, só no primeiro semestre de 2007, totalizaram mais de 500 milhões de euros, e serviram para adquirir o equivalente a cerca de cinco por cento do capital do BCP por um total de 22 accionistas, mediante recurso a financiamento da CGD.

    Desta fatia, cerca de quatro por cento do capital foram adquiridos pelo grupo de cinco accionistas principais referidos durante aquele período. Neste grupo encontram-se os primeiros proponentes de Carlos Santos Ferreira para a presidência do BCP – Berardo e Moniz da Maia.

    Estas operações, que são legais, foram autorizadas pelo Conselho Alargado de Crédito da Caixa formado por cinco administradores: Carlos Santos Ferreira, o então CEO, o seu vice, Maldonado Gonelha, Armando Vara, Celeste Cardona e Francisco Bandeira. Com excepção de Bandeira, que vai integrar a equipa da CGD encabeçada por Faria de Oliveira, todos os restantes já saíram ou vão sair da gestão do banco público. Armando Vara tinha o pelouro do crédito bancário.

  6. Maiores accionistas do BCP (em 3-4-2008):

    BPI (7,84%)
    Dutch Eureko (7,07%)
    Joe Berardo (7%)
    Teixeira Duarte (6,68%)
    Sonangol (4,98%)
    Sabadell (4,43%)

    Grupo de que impulsionou o assalto do BCP

    Joe Berardo (7%)
    Stanley Ho (Ferro Ribeiro)
    Sonangol (4,98%)
    Sabadell (4,43%)
    Teixeira Duarte (6,68%)
    Banco Privado Português (2,32%)
    Manuel Fino (Cimpor)
    Caixa Geral de Depósitos (2,93%)
    EDP (4,34%)
    Sogema (2,67%)

OAM 548 05-03-2009 14:24

One response to “Portugal 88

  1. Caro António,.Pode acrescentar à lista, uma coluna na secção de Economia do Público de hoje sobre a ligação BCP à Europa de Leste.

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