Mare nostrum

A caminho de um novo Tratado de Tordesilhas

CPLP: «Estratégia para o Mar» é hoje aprovada

Os ministros dos Negócios Estrangeiros e do Mar da CPLP vão aprovar hoje na Cidade da Praia a «Estratégia para o Mar» numa reunião parcialmente conjunta entre os chefes da diplomacia dos «oito» e os ministros do sector. — in Diário Digital (segunda-feira, 20 de Julho de 2009 | 06:10)

Tudo vai mal no governo Sócrates, menos a sua política externa. Luís Amado daria um bom futuro primeiro-ministro de Portugal. Quando a maré regressar ao PS, claro!

Os países da CPLP —Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe e Timor (mais a observadora Galiza)—, por razões que adiante resumimos, voltam a ser decisivos no jogo de equilíbrios mundial, podendo mesmo —ou melhor, devendo mesmo— preparar-se desde já para um forte papel de mediação diplomática e comercial no embate de titãs que se aproxima entre uma Ásia crescentemente protagonizada pela China, e o ainda dominante Ocidente euro-americano com os seus aliados, nomeadamente em África.

O interesse crescente da China e da Índia pelo Atlântico é óbvio e claramente explicável: sem uma navegação amigável por este oceano, não haverá energia, nem matérias primas, nem alimentos que cheguem para suportar as actuais taxas de crescimento daqueles dois gigantes emergentes. As importantes delegações, chinesa e indiana, que recentemente nos visitaram, sugerindo um papel mais activo de Portugal na cena internacional, são a prova provada do que venho escrevendo há mais de três anos (ler aqui) sobre este tema: vai ser preciso um novo Tratado de Tordesilhas para garantir a paz mundial e o ajustamento harmónico das placas tectónicas das geo-estratégias planetárias — actualmente em rota de colisão.

A passagem do Médio Oriente está infestada de conflitos militares (1) e até de “piratas” (2). As regiões de contacto terrestre entre a China e o resto do planeta —Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Paquistão, Índia, Birmânia (Myanmar)— estão a ser bloqueadas pelo Ocidente através da aliança judaico-cristã protagonizada pela NATO e por Israel, em nome, claro está, da luta contra o terrorismo fundamentalista. Primeiro foi a desestabilização do Tibete nas vésperas dos Jogos Olímpicos; agora é a “revolução” nacionalista em Xinjiang. A Turquia, que é um estado predominantemente islâmico, mas pró-Ocidental e que quer entrar na União Europeia, avisou a China de que não poderia tratar o Turquistão Chinês, i.e. a região autónoma chinesa de Xinjiang, palco recente de grandes conflitos étnicos e religiosos, como vem tratando da questão tibetana. Em suma, o cerco terrestre à China está em marcha!

Resta, pois, ao país dos pandas, uma de duas soluções: ou antecipar um conflito militar em larga escala (para o que não está preparado), ou criar uma grande armada comercial e militar, em nome das regras internacionais da livre-circulação marítima — que é o que vem fazendo, com sucesso. A visão interrompida, em 1433, de um súbdito de três imperadores chineses, o eunuco muçulmano e mítico almirante da então maior armada militar do planeta —Zheng He—, regressa agora como uma inevitabilidade, curiosamente, cinco séculos depois de Filipa de Lencastre ter estimulado os seus bem educados filhos a conquistar Ceuta e descer a costa ocidental de África, em busca de ouro e do lendário Preste João das Índias.

Os nossos grandes empresários escusam pois de teimaram na betonagem do país à custa da sangria fiscal e da destruição dos direitos sociais dos seus concidadãos. A China e a Índia, já para não mencionar o Brasil, Angola e Moçambique, precisam da vossa versatilidade, dos vossos conhecimentos técnicos, da vossa experiência de gestão e dos vossos capatazes, mas sobretudo, precisam do vosso idioma! Portugal, se calhar não morreu ainda. Teve um colapso. Desmaiou. Dêem-lhe umas bofetadas, para acordar!

NOTAS

  1. The Pentagon and its NATO allies have launched the largest combat offensive to date in their nearly eight-year war in South Asia – Operation Khanjar (Strike of the Sword) with 4,000 US Marines, attack helicopters and tanks and Operation Panchai Palang (Panther’s Claw) with several hundred British engaged in airborne assaults – in the Afghan province of Helmand.

    The American effort is the largest ground combat operation conducted by Washington in Asia since the Vietnam War.

    Other NATO and allied nations have also boosted or intend to increase their troop strength in Afghanistan, with German forces to exceed 4,000 for the first time, Romanian troops to top 1,000 and contingents to be augmented from dozens of other NATO member and partner states, including formerly neutral Finland and Sweden.

    The US, NATO, NATO’s Partnership for Peace and Contact Countries and other allied nations – states as diverse as Australia, New Zealand, Ireland, the United Arab Emirates and Macedonia – have some 90,000 troops in Afghanistan, all under the command of America’s General Stanley A. McChrystal, former head of the Joint Special Operations Command in Iraq and a counterinsurgency master hand. The Afghan-Pakistani war theater resembles the Vietnam War in more than one manner.

    The US troop contingent has nearly doubled since last year, more than quintupled in five years, and will be in the neighborhood of 70,000 soldiers by year’s end.

    Concurrent with the ongoing offensive the US has fired missiles from aerial drones into Pakistan in the two deadliest strikes of the type ever in that country, killing 65 and 50 people in two recent attacks.

    Large-scale government military operations on the Pakistani side of the border, coordinated with the Pentagon through its new Pakistan Afghanistan Coordination Cell and with NATO through the Trilateral Afghanistan-Pakistan-NATO Military Commission, have uprooted and displaced well in excess of two million civilians, the largest population dislocation in Pakistan since the 1947 partition of British India. — in “Military Escalation: From Afghanistan To the Caspian Sea and Central Asia Largest ground combat operation since the Vietnam War”, by Rick Rozoff, Global Research, July 10, 2009.

  2. Na realidade, os propagandeados “piratas” do Índico não passam duns pobres diabos esfarrapados, a quem não resta outro remédio que não seja pilhar quem passa ao largo das suas costas, normalmente navios atulhados de petróleo e outras mercadorias, depois de as suas águas e territórios terem sido e continuarem a ser literalmente pilhados pelos verdadeiros e grandes piratas da humanidade que somos nós, Ocidentais alegres e sempre cheios de razão, devoradores insaciáveis de recursos, que com a nossa tecnologia superior varremos, por exemplo, os bancos de peixe das costas da Somália.
    Somali pirates are in the news once again, capturing ten shipping vessels in the Indian Ocean this week. That is a total of 66 vessels on the year, with 16 still in the hands of pirates. This time there were no off-colored remarks about parrots and scallywags, treasure chests or Captain Jack Sparrow in the American media. This time an American was taken hostage. — in “To Deal With Pirates, Look To The Land” (Olive & Arrow).

  3. After the tragic events of July 5 in Xinjiang Uyghur Autonomous Region in China, it would be useful to look more closely into the actual role of the US Government’s ”independent“ NGO, the National Endowment for Democracy (NED). All indications are that the US Government, once more acting through its “private” Non-Governmental Organization, the NED, is massively intervening into the internal politics of China.

    The reasons for Washington’s intervention into Xinjiang affairs seems to have little to do with concerns over alleged human rights abuses by Beijing authorities against Uyghur people. It seems rather to have very much to do with the strategic geopolitical location of Xinjiang on the Eurasian landmass and its strategic importance for China’s future economic and energy cooperation with Russia, Kazakhastan and other Central Asia states of the Shanghai Cooperation Organization.

    The major organization internationally calling for protests in front of Chinese embassies around the world is the Washington, D.C.-based World Uyghur Congress (WUC). — in Global Research, July 11, 2009. — Washington is Playing a Deeper Game with China, by F. William Engdahl (Global Research).


OAM 605 20-07-2009 12:14

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