Portugal 116

Quanto maior for o Bloco de Esquerda, menor será o Bloco Central!

Depois de ouvir esta noite Francisco Louçã responder ao interrogatório de Judite de Sousa, fiquei com a impressão de que o discurso bloquista começa a ganhar uma modulação mais fina.

Os partidos do chamado “arco da governação” estão corrompidos até à medula, perderam a vergonha toda, mas —eis a novidade— já começaram e vão continuar a perder votos em catadupa. Daí que votar no Bloco de Esquerda, independentemente de acreditarmos a pés juntos no que dizem, ou no que dizem que vão fazer, seja o que eu chamo um voto inteligente.

Querem reverter e castigar a ladroeira que é a expansão do terminal de Alcântara? Querem impedir o Bloco Central de enterrar o país no Novo Aeroporto da Ota em Alcochete? Querem estancar as barragens assassinas da hiper-endividada EDP (do cabotino Mexia rosa-laranja)? Querem manter o aeroporto da Portela onde está? Querem mais regulação financeira, e um cerco mais apertado aos paraísos fiscais? Querem maior equilíbrio na distribuição da riqueza? Querem mais transparência e decência no exercício do poder? Querem ver o Ministério Público com as mãos livres para meter na prisão alguns dos mais notórios vigaristas do país? Pois então, votem em Francisco Louçã e no Bloco!

Só na resposta à eterna questão da NATO, Francisco Louçã coxeou. De facto, não há praticamente países europeus fora da NATO. As ausências da Suécia, da Suíça, da Sérvia e da Áustria no actual formato alargado da aliança, não chegam para manter uma posição rígida, sem dialéctica, nada diplomática sobre a principal aliança militar ocidental. Pode-se estar dentro da NATO sem cair imediatamente no belicismo.

No caso português, a simples ideia de uma saída precipitada da NATO é um delírio ideológico inconsequente. Daí que um pouco mais de subtileza e pragmatismo não fizesse nenhum mal aos excelentes horizontes eleitorais do Bloco de Esquerda.

Post scriptum: por falta de espaço na caixa de comentários, aqui fica a minha resposta à recomendação que me foi feita para ler o camarada Tomé.

O coronel Tomé, que segundo creio não renunciou ainda ao amadorismo maoísta que o levou durante o PREC até aos braços da UDP, e depois do Bloco, é o que em linguagem militar se chama um básico. Ou seja, pensa com as orelhas. No caso em apreço neste post —a saída ou não de Portugal da NATO—, sempre gostaria de saber que opinião tem o aposentado coronel sobre a magnífica Revolução Cultural Chinesa e o ido Camarada Mao Zedong. Antes de esclarecer estas dúvidas prévias, tenho muita dificuldade em levá-lo a sério.

Respondo pois ao José M. Sousa, e não ao condecorado com a Cruz de Guerra, coronel Mário Tomé, ex-dirigente da UDP e putativo autor da política de defesa do Bloco de Esquerda.

Aquilo que Mário Tomé defende no seu mais recente manifesto pode resumir-se nas suas próprias palavras:

Defesa Nacional, a mudança de paradigma, por Mário Tomé, coronel.
25-Fev-2009

(…)
3. Portugal, deve sair da NATO, bater-se pela extinção da NATO e, como membro de pleno direito da União Europeia, deve recusar a constituição de uma força armada europeia e propor o fim das bases militares estrangeiras na Europa, começando pelo fim da cedência da Base das Lajes aos EUA.

4. Em conformidade, a Defesa Nacional terá como eixo prioritário o desenvolvimento das atribuições e capacidades da actual Protecção Civil que poderá designar-se Defesa Civil.

… As FA’s portuguesas devem ser reestruturadas, redimensionadas e reequipadas de acordo com estes pressupostos gerais por forma a – a) assegurarem aos seus membros as condições de dignidade cívica e militar no respeito pelos direitos adquiridos,… — in Projecto de Programa Eleitoral do Bloco de Esquerda, Debate Público.

Ou seja, aquilo que a eminência militar do Bloco propõe ao país são basicamente três coisas:

1) o fim das Forças Armadas Portuguesas e a transformação das que existem numa força de Defesa Civil — i.e., uma espécie de dissolução das actuais Forças Armadas na GNR e nas várias polícias existentes. Ou seja, em vez de termos uma força militar de defesa estratégica do país, passaríamos a ter um corpo militarizado, pronto para apagar incêndios em tempo de paz, e, não vá o diabo tecê-las, suficientemente numeroso e armado para quaisquer necessidades maiores de reposição da ordem interna!

2) Retirada de Portugal da NATO, oposição à constituição de qualquer Força Militar Europeia e assumpção de uma postura de hostilidade ideológica militante face aos Estados Unidos.

3) Dar grande prioridade aos direitos económicos e sociais adquiridos depois do 25 de Abri; ou seja, todo um programa sindicalista, no lugar onde esperávamos ver uma política de defesa!

O edifício é no mínimo delirante.

A quem competirá no futuro defender o país de uma qualquer ameaça às suas fronteiras terrestres, e sobretudo marítimas? Com uma Zona Económica Exclusiva maior do que a superfície de Angola, qualquer coisa como 1,25% de toda área oceânica sob jurisdição de países (ver Wikipédia), como iremos defender tamanho território? Com a GNR?! Com a Protecção Civil?! Com a pequenez das nossas Forças Armadas, incluindo a pobre Marinha Portuguesa?

É pois óbvio que, a menos que desistamos do país, ou queiramos entregá-lo de mão beijada ao primeiro pirata que der à costa, estamos condenados a procurar alianças militares defensivas, no quadro das quais haja lugar para a efectiva manutenção dos limites territoriais de Portugal. Eu não conheço, de momento, nenhuma alternativa ao quadro de alianças existente entre os Estados Unidos e a Europa desde o fim da última guerra mundial — para semelhante fim.

Os Estados Unidos, a Inglaterra, a Espanha e Portugal têm-se portado muito mal ultimamente? Longe de mim negá-lo. Mas para corrigir os tiros mal dados e as ilegalidades, do que precisamos é de crítica e diplomacia paciente, sem perda de objectivos. Do que não precisamos é de deitar fora o bebé com a água da banho.

O pacifismo por ingenuidade é infelizmente tão fatal como o célebre “derrotismo revolucionário” inventado por Lenine quando precisou de aliviar a pressão alemã durante a Primeira Guerra Mundial, a fim de levar por diante a Revolução Bolchevique.

O pacifismo militante não é nada do que o básico Tomé, ou o Francisco Louçã, ou o Luís Fazenda imaginam no mar de ignorância profunda e dogmatismo serôdio por onde continuam a navegar. Este calcanhar de Aquiles ainda lhes poderá custar a progressão eleitoral.

OAM 608 23-07-2009 22:38

21 responses to “Portugal 116

  1. Com todo o respeito: acho que este texto é mais fraco que alguma vez já li neste blog.

    Votar num partido de protesto que tem já um tamanho suficiente para gerar a possibilidade de participar num governo é duma ingenuidade atroz. O Brasil fez isso quando deu crédito ao PT e caiu numa imbecilidade política de dar dó. Anos atrás seria impossível sequer imaginar o Lula defender o Sarney das irregularidades que ora o acusam.

    Embora não concorde com a maior parte das propostas, tenho de admitir que BE tem pessoas inteligentes em sua direção, o problema é sua pureza ideológica que não condiz com o variedade de pensamentos da sociedade como um todo e ainda por cima as caras que o representam são sempre as mesmas, o que revela uma certa centralidade e dirigismo.

    Continue com este espaço inteligente. Meus parabens!

  2. Nunca tinha pensado no Francisco Louçã, um indefectível socialista trotsquista, como o Lula português! Mas é uma comparação oportuna e muito perspicaz! Vou retê-la para posteriores reflexões sobre o verdadeiro caso de estudo que é a ascensão de boa parte dos protagonistas da esquerda comunista e extrema esquerda portuguesa —oriundos todos eles do período pré-revolucionário que se seguiu à queda da ditadura Salazarista— aos círculos, nomeadamente governamentais, do poder.

    Durão Barroso (ex-MRPP/ maoísta), Jorge Coelho (ex-UDP/ maoísta), Ana Gomes (ex-MRPP), Saldanha Sanches e Maria José Morgado (ex-MRPP), Fernando Rosas (ex-MRPP), Luís Fazenda (ex-UDP), Miguel Portas (ex-PCP), José Magalhães (ex-PCP), Mário Lino (ex-PCP), Pina Moura (ex-PCP), Zita Seabra (ex-PCP), Augusto Santos Silva (ex-trotsquista), ou Francisco Louçã (trotsquista!), são todos eminentes protagonistas da democracia portuguesa actual. Que se passa? Um caso típico de atraso cultural e pobreza manifesta num país chamado Portugal? Ou apenas resquícios de uma metamorfose comprimida no tempo, que parecendo apontar para uma estabilização democrática tipicamente europeia ocidental, pode inesperadamente sofrer uma regressão aos paradigmas do mais inflamado populismo? Se o país implodir economicamente, haverá ou não lugar para novas formas de populismo? Há um estudo rigoroso recente que prova o óbvio ascenso do populismo de direita na civilizada Europa —Twenty-First Century Populism, by Daniele Albertazzi and Duncan McDonnell. Será que em Portugal assistiremos a um movimento de sinal contrário?

    A questão do voto inteligente prende-se apenas, no caso português, com a ideia de que é crucial quebrar a espinha dorsal do Bloco Central da Corrupção (PS-PSD-CDS), sob pena de caminharmos para uma instabilidade constitucional muito séria.

    É preciso notar que o fenómeno da corrupção e das cumplicidades com a corrupção infecta actualmente todo o edifício do poder — do Governo ao Parlamento (onde se fazem leis à medida dos lóbis económico-financeiros instalados), passando pela própria Presidência da República!

    Se o Bloco de Esquerda chegar nas próximas eleições legislativas aos 11%, ou mesmo aos 15% (!), haverá seguramente uma implosão do Bloco Central, mas não necessariamente um colapso dos dois maiores partidos actuais. Agora se deixarmos apodrecer a situação, o PS pode mesmo desaparecer subitamente, como aconteceu ao PS italianos no rescaldo da Operação Mãos Limpas.

    Quanto ao PSD, caso não se atalhe a situação a tempo —renovando o xadrês político-partidário na direcção de um maior equilíbrio de forças representativas de interesses democráticos legítimos— a tendência é para a sua balcanização: PSD Lisboa, PSD Porto, PSD Madeira e PSD Açores.

    A ideia do voto inteligente é pois construtiva e táctica. O fim das patacas que vêm do céu forçará necessariamente os portugueses a uma revisão profunda das suas percepções identitárias e sociológicas.

  3. Várias questões António,

    A defesa da saida da Nato é mais um indicador da imaturidade do Bloco dos Adolescentes. Este bloco tem a tendência para se dedicar a estas causas fracturantes e não para resolver os problemas em concreto das pessoas. É sobretudo um partido urbano e lisboeta e não reflecte as necessidades verdadeiras dos portugueses. A votar à esquerda, prefiro o PCP.

    Alem da balcanização do PSD a direita regionalista vai ter o seu bloco. Aposto que Manuel Monteiro vai ser eleito por Braga pelo PND e provavelmente um candidato surpresa pelo Porto. O PSD vai deixar de ser federador da direita do extra-lisboa. Eu votei Rangel e não votarei MFLeite, nem PS, nem Paulo Portas, obviamente.

    A implosão do regime inicia-se em Setembro. A ingovernabilidade das maiorias relativas, novos partidos na AR, o caos económico, vão levar a um populismo e depois a um autoritarismo. Ambos irão alimentar-se das fontes/causas dos problemas sentidas pelos portugueses: As «máfias» que orbitam a administração central de Lisboa.

    Há uns meses escrevia: O FMI já cá está. O Norte salvou-se. Esta crise vem impedir o «business as usual» da história económica e geográfica das décadas recentes de Portugal: Operadores privados currompem o Estado Central para este, via impostos, susbsídios UE ou endividamento, conceder negociatas privadas e benefícios eleitorais a uma única região do pais que suspostamente manterá os governos eternamente no poder: Lisboa.

    Cavaco no final dos anos 80: Portugal é um pais pequeno para ter um desenvolvimento multi-polar. Por isso devemos apostar tudo na única região que tem capacidade de se internacionalizar: Lisboa.

    Hoje descobri que há sapatos nortenhos à venda na Amazon. Afinal a internacionalização de Lisboa não funcionou…

  4. Caro José,

    Gostei da declaração: votei no Paulo Rangel, mas não votarei na Manuela Ferreira. O meu pequeno inquérito sobre as eleições (vale o que vale!) revela precisamente estas duas características essenciais do voto inteligente: critério e estratégia.

    Comungo consigo, plenamente, a ideia de que faz falta um contrapeso político-partidário a sério no Norte do país. Ou seja, um partido regional, e não apenas sensibilidades cor-de-rosas e cor-de-laranjas com pronúncias tripeiras. Não espere, porém, que os de Lisboa (incluindo as dezenas de milhar de nortenhos que cá vivem) façam o que só in situ pode ser realizado.

    Obrigado pelos seus sempre estimulantes comentários😉

  5. “Nunca tinha pensado no Francisco Louçã, um indefectível socialista trotsquista, como o Lula português”

    A personagem é a mesma: um sebastião, homem simples e diferente dos poderosos que a população sente como um dos seus ainda que na prática pertença e conviva com a mesma elite que tanto agride nos discursos. A caracterização apenas é diferente porque o nível de instrução e conhecimentos médios do cidadão médio português é significativamente mais alto do que o brasileiro. Lá é o operário e aqui o professor.

    O PCP tentou copiar a opereta brasileira mas foi muito fiel ao guião original mas não adaptou e apresentou como figura principal o Jerônimo, representando uma categoria em extinção em Portugal: seu “produto” é velho e antiquado tal qual uma mercearia, ao contrário do shopping center BE.

    Eu percebi seu raciocínio mas não tenho opinião acerca das reais consequências dum crescimento do BE.

    Cumprimentos,

  6. PS: reais consequências para o PS e o PSD.

  7. Caro António,
    .
    Não veja neste comentário uma provocação barata, a minha interrogação é sincera.
    .
    Será que podemos fazer um paralelismo entre a dissolução e implosão desta terceira república com a situação da república de Weimar?
    .
    Será que a sua opção por Francisco Louçã, pelas razões que aponta, não foi a mesma que levou muita gente de bem a optar por Adolfo Hitler?
    .
    Perante o descalabro do bloco central a tentação de votar em quem promete varrer com todos os corruptos e aparece como uma espécie de Sebastião é grande.
    .
    Cumprimentos

  8. Achei um piadão aos comentários anteriores. Cada um mais inteligente que o anterior.

    Um dos génios: «A defesa da saída da Nato é mais um indicador da imaturidade do Bloco dos Adolescentes»

    Será que esta alimária já se deu ao trabalho de pensar o que é a NATO? Não tem dois dedos de testa para entender que a NATO é uma agência americana, como a CIA, a NSA, ou as dezenas de outras onde os contribuintes do Tio Sam enterram metade dos seus impostos?

  9. Ó Diogo, você anda sempre a poluir as caixa de comentários dos blogues alheis, não é ? Veja lá se sabe ler o que está escrito.

    Você acha que a preocupação média de um português quando acorda de manhã é Portugal sair da Nato ?

    Onde tem a sua cabeça ? Desça À terra, ok ?

    PS: Partilho da visão negativa que este Diogo tem sobre as componentes ocultas e conspirativas da Nato.

  10. Um dilema é isto mesmo: nenhum regime pode ser considerado democrático se permite a permanência de ladrões, corruptos e mentirosos descarados à frente dos principais órgãos de soberania de um país; por outro, se os principais partidos estão corroídos pela corrupção até à medula, não resta outra alternativa que não seja reformá-los drasticamente ou afastá-los do poder, sempre pela via democrática — a qual pode incluir, como é sabido, várias formas de protesto popular, golpe de Estado e mesmo insurreição.

    Uma solução desesperada, ou extrema, comporta riscos. Um deles é certamente o do reaparecimento do populismo exacerbado, de direita, de esquerda, ou de ambas as cores. De facto, em Portugal, face à sua crise interna estrutural, que será em breve muitíssimo agravada pela crise mundial, corremos simultaneamente o risco de vermos emergir formas de populismo de sinal contrário, que se degladiarão, numa primeira fase, nos palcos eleitorais, e depois, na rua…

    Eu creio, no entanto, que uma subida do BE para o intervalo 11-15% levará, tanto no PS como no PSD, à precipitação de processos de regeneração interna. Por ora, o peso da inércia e dos interesses estabelecidos bloqueia a desejável renovação destes dois partidos. Mas perante um ascenso espectacular do Bloco, a crise larvar que actualmente faz definhar ideologicamente os dois principais partidos portugueses, levá-los~à a uma de duas situações: ou mudam, ou se desintegram!

  11. Uma nota de estilo para o debate:

    — peço a todos que moderem a adjectivação e que nos concentremos no debate, que é interessante; discutamos ideias, em vez de esgrimir adjectivos, por favor!

    Por exemplo: a NATO não é apenas um instrumento dos EUA. Desenganem-se! É um instrumento também do Reino Unido, da França, da Itália, da Dinamarca… e de Portugal! Não sabe bem? Pois não! Mas é assim… E portanto, devemos abandonar, por uma questão de método, a simplificação demagógica das coisas que não gostamos. Na minha opinião, sou a favor de uma posição crítica, muito crítica e vigilante, sobre a NATO, mas não defendo, nem a dissolução da NATO, nem muito menos a saída de Portugal da NATO. Neste ponto, creio que o trotsquista Francisco Louça tem muito que aprender com o seu Deus: León Trotsky. Sei do que falo…

  12. António: «a NATO não é apenas um instrumento dos EUA. Desenganem-se! É um instrumento também do Reino Unido, da França, da Itália, da Dinamarca… e de Portugal!»

    Onde é que você foi buscar isto?

  13. Diogo:

    o ponto da discussão é este: Francisco Louçã declarou na sua última entrevista à Judite de Sousa (RTP1) que Portugal deveria sair da NATO, à semelhança de outros estados europeus, que por sinal seriam (sic) os “mais desenvolvidos da Europa”. Pergunto: quais são esses estados?

    Por outro lado, pergunto-me até que ponto a manutenção de uma posição meramente ideológica, que vem dos passados maoísta e trotsquista (revisionista) dos actuais dirigentes da Bloco, serve ou prejudica o crescimento potencial deste partido.

    Os dados sobre a NATO são os que se seguem, e pela sua dimensão, acho que não podem ser abordados ou tratados publicamente pelo “coordenador” número 1 de uma força partidária eleitoral, de ânimo leve, e muito menos com laivos de infantilismo esquerdista requentado:

    Membrs fundadores (1949):

    Tratado de Bruxelas (1948), aliança do pós-guerra que viria a dar lugar à NATO

    Belgium
    France
    Luxembourg
    the Netherlands

    Tratado do Atlântico Norte (1949)

    Belgium
    France
    Luxembourg
    the Netherlands
    United Kingdom,
    United States
    Canada
    Portugal
    Italy
    Norway
    Denmark
    Iceland.

    Lista completa actual (2009)

    Albania
    Belgium
    Bulgaria
    Canada
    Croatia
    Czech Rep
    Denmark
    Estonia
    France
    Germany
    Greece
    Hungary
    Iceland
    Italy
    Latvia
    Lithuania
    Luxembourg
    Netherlands
    Norway
    Poland
    Portugal
    Romania
    Slovakia
    Slovenia
    Spain
    Turkey
    United Kingdom
    United States

    Países associados (partner countries)

    Armenia
    Austria
    Azerbaijan
    Belarus
    Bosnia and Herzegovina
    Finland
    the former Yugoslav Republic of Macedonia
    Georgia
    Ireland
    Kazakhstan
    Kyrghyz Republic
    Malta
    The Republic of Moldova
    Montenegro
    Russia
    Serbia
    Sweden
    Switzerland
    Tajikistan
    Turkmenistan
    Ukraine
    Uzbekistan

  14. Não estou a ver onde é que Francisco Louçã coxeou em relação à Nato. Mais uma vez, a jornalista veio com a eterna questão da NATO, que ficariamos isolados se saíssemos, etc., a que Louçã retorquiu que não, tendo sido a jornalista a admitir que haveria seis países da Europa Ocidental que não eram membros, e não são! Louçã disse que são dos mais desenvolvidos e são: Finlândia, Suécia, Áustria, Irlanda, Suiça e Malta.

    Uma coisa é ser-se membro, outra é ser-se parceiro:

    http://en.wikipedia.org/wiki/NATO#Cooperation_with_non-member_states

    »The Partnership for Peace (PfP) programme was established in 1994 and is based on individual bilateral relations between each partner country and NATO: each country may choose the extent of its participation»

    Esta diferença pode ser muito significativa!

    Aliás, a argumentação de Louçã para não sermos é perfeitamente legítima e adequada, tendo em conta os fracassos das intervenções militares que temos visto e as dimensões relativas dos orçamentos militares e da cooperação para o desenvolvimento. Esta contribuiria certamente de forma mais duradoura para a paz.

  15. Outra coisa seria participar em verdadeiras operações de paz.

    Aliás, este texto de Mário Tomé (coronel) está cheio de bom senso. Tal como este

    Aqueles que julgam que estas posições são ingénuas é que têm uma pobre compreensão da complexidade do mundo actual. Pensam que ela pode ser lidada apenas e sobretudo pela força. Já está mais que visto que não pode.

  16. «A quem competirá no futuro defender o país de uma qualquer ameaça às suas fronteiras terrestres, e sobretudo marítimas? Com uma Zona Económica Exclusiva maior do que a superfície de Angola, qualquer coisa como 1,25% de toda área oceânica sob jurisdição de países (ver Wikipédia), como iremos defender tamanho território? Com a GNR?! »

    Tenha paciência António Cerveira Pinto, mas a sua posição é tão delirante como outra qualquer. O cenário que põe é remoto, nunca aconteceu depois das Invasões Napoleónicas, excluindo as ex-colónias. Agora,para a defesa dos nossos recursos,para o combate ao tráfico de droga e à imigração ilegal, para o combate à poluição marítimam, aí sim são bem sabidas as deficiências em equipamento e pessoal capaz. Porventura , precisávamos sim de uma Guarda Costeira com algo de semelhante à dos EUA, dada a dimensão das nossas águas.

    PS Francamente, quanto ao que o Coronel Mário Tomé pensa da Revolução Cultural Chinesa, não vejo que interesse possa ter para o caso. Aliás, teria que fazer as mesmas perguntas a muita gente, a qu e enumerou em resposta a um comentaŕio.

  17. Ao contrário do que pensa, José, caminhamos para uma conjuntura muito instável e perigosa em termos mundiais. O pior que nos poderia acontecer seria cairmos num novo PREC, desta vez sem nada para dar em troca…

    Em 74-75 não houve nenhuma descolonização, mas tão só uma capitulação e uma entrega precipitada de parcelas imensas do então território português a alguns protagonistas do levantamento anti-colonial. Os povos africanos tinham direito à sua independência? Tinham. Mas não na forma que acabou por vingar: duas grandes e mortíferas guerras civis, que ainda não acabaram (Guiné-Bissau) e poderão reacender-se a qualquer momento (Angola), bem como a instalação nas antigas colónias portuguesas de cleptocracias descaradas, onde o crime de Estado sempre compensa.

    A responsabilidade deste desastre político, económico, social e humanitário, que continua, é em grande medida nossa. Não basta pois escovar a realidade com a boa consciência revolucionária — como os baby boomers lusitanos e a minha geração fizeram durante o PREC. Eu fui parte activa deste monumental fiasco, e tenho por isso a consciência pesada. Não me vanglorio em nome das “causas justas”, como persistem em fazer os dogmáticos, os oportunistas e os idiotas.

    Por isso, caro José, não creia que o tema da Defesa Nacional possa ser tratado com a leviandade do Bloco de Esquerda. Enquanto o senhor Fazenda e o senhor Louçã não esclarecerem o país se ainda defendem, ou não, a ditadura do proletariado, não confiarei inteiramente na sua bondade democrática. Posso dar-lhes o voto nestas Legislativas, por decisão meramente táctica, para forçar uma mudança drástica de rumo no PS, mas para mais nada.

  18. Caro António

    Eu tenho a perfeita noção de que os tempos são instáveis, e sê-lo-ão cada vez mais. Não me parece que se defenda o fim das Forças Armadas. Agora, que é um facto que a NATO, longe de ser defensiva, tornou-se agressiva e provocadora, nomeadamente com a Rússia, isso parece-me indesmentível. Pensar, nos tempos que correm, que as verdadeiras ameaças (muitas delas difusas – AC, ambiente, pandemias, etc.) – ameaças à própria sobrevivência humana – podem ser resolvidas quase exclusivamente pela força (porque, convenhamos, dinheiro não falta para o armamento e a sua indústria, mas falta em tudo o resto – transferência de tecnologia, objectivos do Milénio, etc. ) é de uma – aqui sim, ao contrário das aparências – tremenda e infeliz ingenuidade.
    O exemplo do Afeganistão, mais uma vez, é evidência crescente disso. Numa situação de caos, a disciplina das FA´s é muito importante. Mas estas devem servir para criar condições de paz e desenvolvimento e não para o contrário.

  19. Caro José,

    Estou de acordo consigo na condenação do belicismo, venha de onde vier. Mas a verdade é que a diplomacia da paz, na difícil transição que se aproxima, não pode estar descalça militarmente.

    Veja, por exemplo, o problema dos paíss que dependem excessivamente dos seus recursos naturais (de pura extracção), ou da exploração intensiva dos solos, ou ainda da sobre-exploração das pessoas —Rússia, Angola, Nigéria, Venezuela, Brasil, Chile, etc…

    Estes países precisam de vender caro os respectivos recursos, mas a economia capitalista mundial, e sobretudo os chamados países desenvolvidos, ou os sectores ricos dos países pobres, basearam e baseiam as respectivas economias no consumo de produtos energética e financeiramente intensivos, no pressuposto do acesso/captura de recursos (energia, matérias primas e trabalho humano) a baixo custo.

    Acontece k estamos a caminho dum colapso energético e ambiental de larguíssimas proporções.

    E neste contexto de curto-médio-longo prazo a gestão dos conflitos inevitáveis k decorrerão desta colisão explosiva de interesses, é o maior desafio k a humanidade tem pela frente. E o k eu digo é k este desafio não poderá ser resolvido, nem através de uma confrontação mundial, nem através de meros derrotismos revolucionários (k julgo estarem ainda inscritos no código genético do dogmatismo trotquista do senhor Louçã).

  20. Pois é António,

    você nota bem ao perceber que estamos ainda perante um Bloco de Adolescentes. Temos que esperar mais alguns anos para podemos confiar a 100%. Para já, é apenas um dos instrumentos disponíveis para renovar o PSD e PS ou de forma mais extrema, colapsar a 3ª república. Os outros instrumentos é votar em partidos regionalistas, ou extrema direita, que irão ser as surpresas de 27 de Setembro, para além da derrota humilhante do PS e subida do BE.

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