Alta Velocidade 5

Hoje querem implodir os estádios do Euro, amanhã será a vez do aeromoscas de Beja e do elefante branco da Ota em Alcochete

Comboios

Cavaco que se prepare para o que o Rei de Espanha lhe vai dizer sobre o AVE Madrid-Lisboa. Vai ouvir das boas!

Obrigar o comboio de Alta Velocidade Madrid-Lisboa a transferir mercadorias para comboios de bitola ibérica (1) no Poceirão é como impor a Espanha uma portagem extraordinária no fluxo de mercadorias de e para os portos de Setúbal, Lisboa e Sines, ao mesmo tempo que se mata à nascença a Plataforma Logística do Caia (Elvas-Badajoz). O resultado pode ser este: a Espanha desiste de ligar a sua rede de Alta Velocidade/Velocidade Elevada a Portugal, por óbvia inviabilidade económica, apostando tudo nos seus próprios portos atlânticos: a Norte, Vigo, Corunha, Ferrol, Bilbau, e a Sul, Cádis e Huelva.

Aviões

O fiasco, aqui anunciado até à exaustão, do aeromoscas de Beja, que nunca mais inaugura…, é o mesmo fantasma que paira sobre o aeroporto da Ota em Alcochete. Despertem!!

Construir o aeroporto da Ota em Alcochete com a TAP falida é o mesmo que fazer estádios de futebol para equipas que depois falem… Hoje querem destruir os estádios de Leiria, Aveiro e Faro. Amanhã, se a Mota-Engil e o BES conseguirem —como tudo leva a crer— levar por diante a loucura da Ota em Alcochete, a Terceira Travessia Chelas-Barreiro e o encerramento do aeroporto da Portela, cá estaremos para admirar o grande fiasco da governação “socialista” — que ficará conhecida por ter parido estádios de futebol que afundam municípios e dois grandes desertos aeroportuários: o de Beja e o da Ota em Alcochete.

84% do tráfego no aeroporto de Portela tem origem no perímetro da União Europeia, cujo modelo de exploração tem vindo a evoluir para as chamadas companhias Low Cost. Não há pois alternativa à falência da TAP (o petróleo voltou a subir!) e à sua eventual substituição por uma nova companhia profundamente remodelada e necessariamente com menos 50% ou mesmo 2/3 da sua actual força de trabalho.

A miragem de uma fusão com a TAG e com a TAM, ou seja, a miragem de uma acção de salvamento in extremis da inviável TAP, com petro-euros angolanos e brasileiros, não passa disso mesmo: duma miragem gaúcha, que o lóbi da especulação financeira e do betão —verdadeiros sanguessugas da poupança nacional— aproveita para fazer avançar os dossiês e os decretos-lei que mais lhe convêm.

Dentro em breve as Low Cost terão comido literalmente o mercado europeu à TAP (i.e. 84% do mercado efectivamente disponível). Por outro lado, os voos intercontinentais estão em queda e o respectivo modelo de exploração evoluirá muito rapidamente — assim que o Dreamliner da Boeing entre em operação (2010-2012) — para ligações ponto-a-ponto, à semelhança das estratégias Low Cost. Ou seja, Lisboa não poderá ter se não um aeroporto cada vez mais orientado para as ligações ponto-a-ponto e para os voos Low Cost. O resto, isto é, as companhias de bandeira gordas e arregimentadas às nomenclaturas político-partidárias, bem como os famosos “hubs”, morreram! O funeral segue dentro de meses…

Eu se fosse o Stanley Ho abandonava de vez a Alta de Lisboa e começava a pensar em licitar quanto antes o lombo da TAP, i.e. o seu qualificado pessoal de voo. O fruto está a cair de maduro!

NOTAS

  1. Algo que o novo ministro da obras do Bloco Central do Betão (MOPTC) —António Mendonça—ainda não sabe o que é! Ver tb. bitola europeia ou bitola internacional.

OAM 641 23-10-2009 14:30

2 responses to “Alta Velocidade 5

  1. Viva António.

    De facto está-se agora a tentar justificar a “Ota em Alcochete” através da dita “fusão” da TAP com a TAAG+TAM.

    O dinheiro que desde há um ano tem faltado à esTAP(ê) tem sido disponibilizado “gentilmente” pelo EDU, tendo por garantia (certamente)os fantásticos terrenos da Portela. Aqueles de quem ainda não se sabe (nem saberá – tipo Freepor) (d)o dono.

    E é assim, sem que a TAM esteja metida no processo, está-se a fazer acreditar a “malta” que a “Ota em Alcochete” vai ser um HUB dos PALOPs, onde a TAM e TAAG irão conviver “.

    Apenas convêm salientar que a TAM opera entre vários aeroportos brasileiros, por exemplo, para a Europa, com preços muito mais baixos do que a TAP, ou seja, a TAP é a LowCost da TAM, não se sabendo por exemplo a nível comercial onde pára a TAP.

    Por outro lado, e isso já o foi escrito pela blogosfera, uma empresa “compra” ou associa-se a outra mediante uma de duas condições:

    – Ou uma delas dispõe de uma tecnologia que interessa à outra, ou;

    – Tem uma parcela de mercado que interessa à outra.

    Do acima, a não ser a TAAG, não me parece que a TAM tenha interesse em ficar com a TAP.

    Por outro lado, a TAM tem uma dimensão bem maior do que a TAP, não havendo em primeira mão vantagens em se associar com a TAP para o mercado europeu. Possivelmente a TAM pratica “filantropia” pela “Ota em Alcochete”.

    Do lado de lá da fronteira, a Ibéria(+BA) concertou com a GOL (Low fare brazileira) a distribição / recolha de clientes para os voos da Ibéria (+BA), ou seja, a Ibéria está a cimentar peso critico junto da América do Sul. Enfim, duas perspectivas diferentes – TAP e Ibéria, muito possivelmente a TAP é que tem razão, ou pelo menos querem fazer-nos acreditar que sim.

    Não muito longe desta situação, atente-se à atitude do gestor de serviço da TAM ao fazer o tremendo elogio ao “Gaúcho” da TAP, dizendo que o Gaúcho é um excelente gestor. Coisa que para bem entendedor quer sigunificar que o gaúcho não deixou boa imagem na VARIG. Como se sabe a VARIG, “Kaput”.

    E é assim, tenta-se justificar sob todas as formas a opinião pública a construção do aeroporto internacional da Ota em Alcochete, o qual vai ser certamente, um HUB para os PALOP’s.

    Como vem referido nos diários do regime de forma “progressiva”, tivemos por ordem cronológica:

    – GroundForce;
    – TAM;
    – PGA.

    Ou seja, empresas, grandes apostas do Gaúcho as quais se manifestaram falhadas.

    No meio disto tudo, foi pena não se ter comprado a VARIG, pois o estoiro era ainda maior.

    Nesta fase, falhadas que foram as projecções de um tremendo crescimento nos mercados, pretende-se alienar, estando em curso uma campanha para tal.

    A

    Rui

  2. Talvez a solução final venha mesmo a cair na “fusão” entre a British Airways, a Ibéria e a TAP… Já que uma companhia luso-angolana-brasileira parece cada vez mais improvável…

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