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Isso é uma forma de celebrar os 500 milhoes de utilizadores do Facebook

Parabens Antonio por ter regressado ao Antonio Maria, depois de sua catastrófica comunicação anterior….Como sempre fostes um precursor, não é surpresa que tenhas optado por regressar ao Blogger, no momento exacto do anúncio do “half billion users” do Facebook, o qual esta acompanhado dum aviso de desinteresse crescente pela rede social em questão.
As análises mais profundas às quais nos tem acustumado não se padecem muito com o Facebook, é melhor deixa-lo para os anúncios espanpanente do CR7. Vou contribuir na medida do possivél, e enquanto os outros leitores não se chatearem demasiado com o meu Portugnol abrasileirado:)

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Portugal 176

A armadilha de Cavaco

Passos Coelho deve dar sinais claros de que a sua agenda não está sincronizada com a do actual presidente da república, até que este perceba que o melhor mesmo é desistir da recandidatura.

Cavaco felicita Passos Coelho e diz que Portugal precisa de estabilidade

Segundo o Presidente, o país deve ter “muito cuidado” para não contribuir para que os mercados internacionais julguem mal o programa português porque assim as famílias e as empresas terão ainda de pagar “juros mais elevados”. — in Público.

Os militantes e simpatizantes do PSD têm uma costela de sadomasoquismo e outra de estupidez. Só assim se pode explicar a sua fidelidade canina a Aníbal Cavaco Silva. Para o actual presidente da república o PSD tem sido apenas uma caixa de Kleenex cujos lenços —i.e. dirigentes— usa e deita fora com displicência, para sua óbvia e estrita conveniência. Daí ter feito tudo para impedir a eleição de Passos Coelho —um velho inimigo (que eu, na minha ignorância da história do PSD ignorava)—, incluindo a cunha que seguramente meteu a Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite para que estes empurrassem Paulo Rangel para a arena eleitoral contra o recém eleito presidente do PSD. O objectivo seria, no mínimo, impedir uma vitória expressiva da Pedro Passos Coelho. Mas o tiro saiu pela culatra. E o morto, desta vez, foi (ou será) Cavaco Silva.

Repararam como o homem de Boliqueime se pôs em bicos de pés no dia seguinte à vitória, por uns clarificadores 62%, de Passos Coelho? E viram como o comentador-mor Marcelo começou já a perfilar-se como redentor candidato laranja para defrontar Fernando Nobre e Manuel Alegre?

O argumento de Cavaco Silva sobre a estabilidade política é pacóvio. Agita o espectro da subida dos juros maus que vêm de fora (se não estivermos muito caladinhos), como se não fosse a banca portuguesa que anda por aí há mais de dois anos a executar hipotecas e a cobrar juros usurários —chegam aos 24,9% na CGD! Alguém lhe ouviu uma palavra sequer em defesa dos mais fracos?
Cavaco ignora ou faz por ignorar uma realidade simples: os nossos credores estão-se nas tintas para o barulho que fazemos ou deixamos de fazer. O que eles querem saber, e medem com os seus próprios instrumentos de avaliação, é se vamos continuar o bacanal da despesa pública improdutiva, ou não; se os escandalosos orçamentos da Assembleia da República, do Conselho de Ministros e da Presidência da Republica vão sofrer cortes decentes, ou não; se a corrupção galopante vai ser travada, ou não; se os tribunais e a burocracia vão ser postos nos eixos, ou não. Em suma, se o lugar do Estado na sociedade vai reduzir-se a proporções razoáveis, ou se o Leviatã vai continuar a engordar como uma serpente-sanguessuga insaciável até rebentar de gula.

O espantalho que um Cavaco Silva subitamente enamorado pela prudência de José Sócrates agita entre dentes e sorrisos amarelos não passa, na realidade, duma tentativa desesperada para se fazer ao caminho da reeleição presidencial. Acontece, porém, que o senhor decepcionou completamente o seu eleitorado ao longo deste seu primeiro e esperemos que último mandato. E por conseguinte, por mim, a manobra não pega!

Lipsky Says Debt Challenges Face Advanced Economies

March 21 (Bloomberg) — Advanced economies face “acute” challenges in tackling high public debt, and unwinding existing stimulus measures will not come close to bringing deficits back to prudent levels, said John Lipsky, first deputy managing director of the International Monetary Fund.

All G7 countries, except Canada and Germany, will have debt-to-GDP ratios close to or exceeding 100 percent by 2014, Lipsky said in a speech  today at the China Development Forum in Beijing. Already this year, the average ratio in advanced economies is expected to reach the levels seen in 1950, after World War II, he said. The government debt ratio in some emerging market nations had also reached a “worrisome level.” 

O problema do nosso endividamento é semelhante ao da Grécia, Espanha, Itália, Irlanda, Islândia, Reino Unido, França, Japão, Rússia, etc. Todos chegaram já, ou ultrapassaram, ou vão chegar em breve, e ultrapassar, níveis de dívida pública superior aos respectivos produtos internos brutos. Ou seja, a gravidade do problema ultrapassa-nos e muito. Para já, a Irlanda e a Grécia são, e em breve nós e a Espanha seremos, os Porquinhos-da-Índia de uma experiência nunca tentada: esvaziar o monumental endividamento soberano sincronizado de boa parte dos países outrora ricos do planeta.

A receita abastardada de Keynes não funciona no circuito aberto da globalização. E é fácil de entender porquê. Toda a liquidez injectada numa economia para estimular o consumo, que por sua vez faça retomar a produção, só pode funcionar na condição de que o mercado onde tal esquema é ensaiado cumpra a condição de ser um mercado homogéneo em matéria de moeda e preços.  De contrário, a liquidez injectada no mercado esvai-se nas importações de produtos e serviços mais baratos que o mercado concorrencial aberto internacional é capaz de oferecer. Foi isto que se passou nos Estados Unidos a partir das presidências de Reagan e Clinton — ao abrirem as fronteiras ao México e sobretudo à China. E é isto que também viria a suceder à Alemanha quando financiou as suas exportações para o espaço comunitário através da criação de uma moeda forte generosamente oferecida sob a forma de subsídios ao desenvolvimento (leia-se ao consumo), mas que acabaria por resultar num maná traiçoeiro para os países menos desenvolvidos da União, que assim se foram sobre-endividando muito para além do sustentável. Esta deriva, já de si arriscada, desembocou num desastre financeiro cuja gravidade foi largamente potenciada pela entrada entusiasta da União Europeia no barco neoliberal da globalização e da desregulamentação financeira.

A globalização acabaria por ser dominada por fenómenos poderosos mas mantidos invisíveis durante mais de uma década. Um deles foi a lenta mas finalmente maciça exportação das indústrias produtivas (siderurgia, automóvel, informática, telecomunicações, audiovisuais, etc.) dos Estados Unidos e posteriormente da Europa para o continente asiático (Coreia do Sul, Formosa e sobretudo China). Outro é a desmaterialização galopante da moeda americana e a sua consequente desvalorização. Finalmente, e não menos importante, é a especulação financeira sem limites, a qual tem permitido expandir para níveis inimagináveis o crédito mundial disponível — nomeadamente através do pouco estudado esquema FOREX conhecido por currency carry-trade (de que o Japão foi, até 2007-2008, o principal protagonista global), e ainda dos seguros em cascata das operações de crédito recorrendo a derivados financeiros cada vez mais complexos e fora do radar regulador e fiscalizador das entidades de supervisão económica, financeira e monetária.

Ou seja, para além dos fundos comunitários que os países pobres da União receberam de Bruxelas, existiu uma disponibilidade sem precedentes de liquidez financeira suplementar às empresas, pessoas e governos, oriunda da especulação financeira e cambial. Quando a China descobriu que estava a financiar as importações americanas muito para além do poder de compra efectivo daquele país, ou a Alemanha percebeu que andava a vender BMWs e Mercedes a países europeus falidos —ocorrência provocada pela exposição súbita das imparidades financeiras que explodiam por todo o lado depois de a torneira do yen carry-trade ter sido fechada (pelos chineses!)— o colapso sistémico da globalização capitalista teve o seu início. E está longe de terminar!

É por tudo isto que as ditas grandes obras públicas têm um importância estratégica decisiva na actual situação do país, e poderão ter graves consequência para a paz social portuguesa, caso não sejam objecto de uma reavaliação imediata e radical. Como disse e bem Bagão Félix, no Plano Inclinado (SIC-N) desta semana, o novo aeroporto de Alcochete, as novas autoestradas previstas, linhas de comboio mal planeadas, barragens assassinas, etc., se forem realizados, tal implicará mais e muito mais endividamento público. E uma tal loucura —que é sobretudo uma cedência dos políticos corruptos que temos à aristocracia financeira e às endividadas empresas de construção civil e energéticas— traduzir-se-à na destruição do actual estado social. Se vier a acontecer, o PS de Mário Soares será o grande responsável pela óbvia destruição anunciada da democracia que ajudou a fundar.

Cavaco Silva tem-se revelado um presidente inútil perante um primeiro-ministro intolerável em qualquer democracia decente. As próximas semanas mostrarão se a eleição de Pedro Passos Coelho para líder do PSD tem ou não virtualidades para evitar o desastre para onde estamos a caminhar muito rapidamente.

POST SCRIPTUM (28-03-2010 13:19) — Estará o Presidente da República doente?

Recebi um SMS alertando-me para possíveis problemas de ordem neurológica que estarão afectando a saúde do presidente da república. A este aviso, que por enquanto não passa de hipótese, junta-se uma estranha sugestão do candidato presidencial Fernando Nobre para submeter os candidatos aos altos cargos públicos do Estado a exames médicos preventivos — tal como acontece nos Estados Unidos da América e em muito outros países. Estará Cavaco Silva doente? A especulação e o rumor estão instalados. Conviria pois que o presidente esclarecesse os cidadãos sobre esta dúvida antes que se torne alarme público. A própria análise política precisa de saber o que realmente se passa com a saúde da principal figura do Estado, sob pena de especular em cima de falhas graves de informação.

OAM 676—28 Mar 2010 3:21 (última actualização 13:29)

Portugal 171

A declaração de Andorra
Cavaco falou de Atlantismo, não sei se repararam…

Greece’s problems are indeed Germany’s problems. Germany’s problems are indeed the United States’ problems. And the United States’ problems are indeed the world’s problems.  — in Immanuel Wallerstein, “Greek Mess, Euromess, Western Nations Mess, World Mess?”

Given the increased strength of western Europe and Japan in the early 1970s, the United States offered them promotion to the status of junior partner. France and Germany opted to proceed further to an independent world role in 2003. And Japan, in its national election in 2009 and its mayoral election in Okinawa in 2010, seems to be opting for it now. Brazil, given its increased strength, was offered junior partnership only in 2009. It seems to be insisting on an independent world role almost immediately. — in Immanuel Wallerstein, “The United States Misreads Brazil’s World Policy”

Quem me lê com alguma regularidade já estará habituado às minhas mudanças de humor crítico. Por exemplo, acabei de criticar asperamente o presidente da república pelo seu titubeio em volta do tema do novo aeroporto de Lisboa, que se prevê venha um dia a ser construído em Alcochete.  Eu defendo, como muita gente neste país, algumas ideias simples sobre esta matéria, tendo nomeadamente presentes as actuais circunstâncias económico-financeiras do país (endividamento extremo e estrutural) e a crise sistémica do Capitalismo que continua a varrer o planeta, sem sinais de acalmia. Tal como as réplicas do grande terramoto que atingiu o Chile no passado dia 27 de Fevereiro continuam a destruir e a aterrorizar aquele país (1), também as falências do Lehman Brothers e do Royal Bank of Scotland não só não deixaram de reverberar em todo o sector da especulação imobiliária, como abriram caminho ao colapso iminente de vários países, por causa das suas insustentáveis dívidas soberanas. É nesta conjuntura dramática, que há muito aqui venho caracterizando como consequência previsível das deslocações aceleradas das placas tectónicas do poder económico mundial, que uma opinião ponderada sobre o nosso sistema de mobilidade e transportes deve ser equacionado. Infelizmente, o debate sobre este assunto tem-se tornado ensurdecedor, e aparece inevitavelmente contaminado por questões laterais que, apesar da sua importância, não deveriam impedir a percepção clara do que está efectivamente em jogo.

Comecemos pela posição que aqui temos vindo insistentemente a defender, sintetizando para tal o trabalho persistente e sistemático levado a cabo generosamente por um bom número de cidadãos sem interesses materiais na matéria.

  1. Há um compromisso de Estado com Espanha para construir a linha de Alta Velocidade ferroviária entre Lisboa e Madrid, a qual ligará a capital portuguesa às principais cidades espanholas e ao resto da Europa antes de 2014. Esta decisão deverá ser respeitada. Por outro lado, é crucial que a ligação sirva para a circulação de comboios de passageiros e de mercadorias. Mais: esta linha deveria terminar, numa primeira fase, na estação de Pinhal Novo, por forma a permitir uma de duas soluções: o transbordo dos passageiros vindos de Espanha para os comboios da Fertagus, ou então permitir ao LAVE (Linha de Alta Velocidade) fazer a pausa necessária para adaptar os eixos das rodas à bitola ibérica, e assim atravessar a Ponte 25 de Abril em direcção ao Campo Grande (onde deveria situar-se a futura Estação Central de Comboios de Lisboa). Finalmente, desta mesma linha deveria sair um ramal (em bitola europeia, claro!) dirigido a Sines e passando por Setúbal, com o objectivo de satisfazer um dos principais componentes estratégicos e de rentabilidade desta ligação.
  2. No que respeita ao resto da rede de Alta Velocidade/Velocidade Elevada prevista, a mesma deveria sofrer um compasso de espera de 3-4 anos, revendo-se o plano em duas direcções: restringir a velocidade média para 220 Km/h, do que decorreriam custos de construção, manutenção e uso economicamente sustentáveis; projectar todas as futuras linha de bitola europeia para circulação simultânea de comboios de passageiros e de mercadorias.
  3. Manter a aeroporto da Portela em funcionamento, independentemente da construção de um Novo Aeroporto de Lisboa. Esta é uma decisão de realismo económico e uma medida de precaução. Se um terramoto, seguido muito provavelmente de maremoto, atingir Lisboa com intensidades semelhantes às dos que têm atingido o Chile desde 1960, é bem possível que as pontes até Santarém colapsem ou fiquem temporariamente intransitáveis, tornando assim muito complicadas as operações nacionais e internacionais de socorro às vítimas.
  4. A decisão de construção do NAL de Alcochete deve ser ponderada com muito cuidado (2), não deve depender nem do fecho da Portela, nem da privatização da ANA (duas ideias muito estúpidas e  fraudulentas), deve ser equacionada na perspectiva de uma parceira público privada rigorosamente vigiada —sem encargos futuros para os contribuintes—, e deve contar à partida com parcerias estratégicas com o Brasil, Angola, Moçambique, China, Rússia e Japão.
  5. A construção/consolidação de uma linha de portos competitivos ao longo da costa portuguesa é uma prioridade estratégica, tal como é também a criação complementar de um cluster marítimo de indústrias, comércio e investigação e desenvolvimento (I&D) — aquilo que, se não erro, é uma ideia próxima da “economia do mar” de que fala Hernâni Lopes.

É neste contexto que devemos agora interpretar a aparente guinada de Cavaco Silva em relação ao estuporado “TGV”, e a insidiosa declaração estratégica que proferiu em Andorra.

Cavaco diz que TGV não é determinante para Portugal

O presidente da República considera que a alta velocidade ferroviária pode ter «algum efeito» mas não é determinante para definir a posição de Portugal, considerando que o país é central em relação ao mundo, e não periférico.

«Somos um porta para África, para a América Latina, para a América do Norte. Estamos no centro do mundo global. Chegar mais cedo a Barcelona ou Madrid pode ter algum efeito mas esta é uma questão da geografia no mundo global, não algo que seja determinado por mais ou menos velocidade na chegada a um ponto europeu», afirmou Cavaco Silva.

Para Cavaco Silva «não menos importantes» que o TGV «são as ligações marítimas que podemos e devemos estabelecer com Angola, com Moçambique, com o Brasil, com a América do Norte».

«Isso é que mostra bem a nossa centralidade. Se olharmos apenas para a Europa, podemos ver-nos como periféricos. Se olharmos para África, para toda a América Latina, para os Estados Unidos, vamos ver-nos como um centro», afirmou. — in Sol.

Não citei, mas Cavaco disse ainda, desta vez em Barcelona, capital da Catalunha, que a Espanha deve deixar-se de proteccionismos relativamente a Portugal. Ou seja, se o não fizer, dificilmente se compreenderá que Portugal venha a dar prioridade à pressa do Palacio de la Moncloa em estender a sua rede de Alta Velocidade ferroviária a Lisboa e… Sines. Foi Zapatero que disse que a Rede do AVE é o melhor instrumento para a unidade da Espanha!

A Alemanha e a França distanciam-se da ruína estratégica dos Estados Unidos, ocupando-se com intensidade redobrada da Eurolândia, dos Balcãs, do Leste Europeu e da Rússia e, claro está, da Ásia. Ao contrário do Reino Unido, preso geneticamente aos Estados Unidos, e de uma Espanha recentemente convertida às novas qualidades estratégicas do mar Atlântico (mas que conta ainda com razoável número de anti-corpos na América Latina), Portugal só tem uma escapatória: as mesmas rotas que há seiscentos anos impedem a sua submissão a Castela!

Só por aqui vejo a relevância potencial de se construir um aeroporto intercontinental (para os Airbus A-380, Boeing 787, e para os futuros cargueiros aéreos desenhados e desenvolvidos pela China e pelo Brasil) na cidade-região de Lisboa. Este cenário depende, porém, de um factor altamente crítico: o preço futuro do petróleo.

Seja como for, o importante é registar a extrema importância das declarações de Cavaco Silva na Catalunha —onde decorrem os movimentos democráticos mais avançados de secessão da Espanha—, e em Andorra, onde existe uma importante comunidade de emigrantes portugueses.

Na linha do que Manuela Ferreira Leite anteriormente esclareceu, o actual presidente da república, com o qual certamente concorda Durão Barroso, decidiu esclarecer o país, e os espanhóis, que os interesses estratégicos do nosso país não são necessariamente os mesmos de Madrid.

Perante isto, teremos todos que rever a discussão sobre o estuporado TGV. E quanto à pergunta da Time, leio-a assim: a Europa não desapareceu, deixou apenas de ser o aliado sim-sim do império americano!

NOTAS

  1. Ao longo deste domingo, e até ao momento em que escrevo este comentário, registaram-se já sete abalos no Chile, entre M4.6 e M5.5.
  2. Nem toda blogosfera imersa nesta discussão partilha a defesa que tenho feito da incidência estratégica positiva que um aeroporto transcontinental poderá ter no difícil processo de adapatação de Portugal à mudança tectónica dos poderes comerciais e futuramente políticos e militares do planeta.

OAM 696 —08 Mar 2010 0:43

    Portugal 151

    Enquanto a TAP agoniza, as Low Cost florescem!

    “Em todas as 31 rotas que a easyJet disponibiliza em Portugal, transportámos em 2009 mais de 3 milhões de passageiros. Esperamos naturalmente aumentar este número em 2010 bem como o número de ligações a partir dos 4 aeroportos portugueses onde operamos, Lisboa, Porto, Faro e Funchal.” — Beatriz Fernández (easyJet), in LowCost Portugal (6 Jan 2010).

    Na realidade, as Low Cost estão a ser uma benção económica para o país: trazem negócio às cidades e regiões e permitem um contacto muito mais estreito e regular da diáspora portuguesa com o seu “terroir”. Ou muito me engano, ou são mesmos os emigrantes portugueses a causa do grande sucesso das Low Cost em Portugal —e a garantia da sua sustentabilidade a prazo. Só por isto, o gaúcho da TAP deveria ser despachado de volta ao Brasil e o inenarrável Mário Lino chamado a responder por tanta inépcia durante o seu desgraçado consulado ministerial.

    Este vai-e-vem dos nossos emigrantes, que são muitos e cada vez mais europeus, apresenta externalidades positivas cuja importância seria bom avaliar convenientemente: diminuição da pegada ecológica por viajante/emigrante, menos mortalidade nas estradas, menos consumo de combustíveis, mais movimentos pendulares (ponto-a-ponto) mas com percursos de menor duração e menos tempo morto, maior percepção do estado do país por parte de quem se viu obrigado a emigrar devido à incompetência e corrupção da nossa democracia, etc…

    O modelo das companhias de bandeira —caro, subsídio-dependente, endogâmico, conservador, endividado— está definitivamente esgotado. As falidas British Airways (cujo buraco no respectivo fundo de pensões poderá vir a inviabilizar a anunciada fusão com a Ibéria), Air Japan, ou TAP, são disto mesmo esclarecedores exemplos, a não seguir e a corrigir imediata e drasticamente. Os peritos, mas os peritos mesmo, que tomem cartas no assunto e aconselhem convenientemente os medíocres políticos que supostamente nos governam.

    Uma medida de poupança imediata seria obrigar os nossos deputados, eurodeputados, aparachiques partidários e todos os altos funcionários da nossa gordurosa burocracia a trocar os descontos da TAP (que pagamos com impostos!) pelas companhias Low Cost. Façam as contas!

    Vamos observar minuciosamente a encenação que a nomenclatura partidária se prepara para confeccionar em volta do próximo Orçamento de Estado. Eduardo Catroga deu ontem uma excelente entrevista ao José Gomes Ferreira (SIC-N), que bem pode servir de mote ao observatório cívico que a blogosfera deve desde já montar sobre a Operação Orçamento de Estado 2010.

    OAM 671 07-01-2010 11:24

    Portugal 121

    Regresso a Tormes


    Pousada da Juventude de Vilarinho das Furnas, Campo do Gerês.
    Foto OAM (Moto U9).

    “Eu possuo preciosamente um amigo (o seu nome é Jacinto), que nasceu num palácio, com quarenta contos de renda em pingues terras de pão, azeite e gado.

    … Eu, três vezes, com energia, ataquei aquele caldo: foi Jacinto que rapou a sopeira. Mas já, arredando a broa, arredando a vela, o bom Zé Brás pousara na mesa uma travessa vidrada, que transbordava de arroz com favas. ora, apesar de a fava (que os Gregos chamavam «ciboria») pertencer às épocas superiores da civilização, e promover tanto a sapiência que havia em Sício, na Galácia, um templo dedicado a Minerva Ciboriana – Jacinto sempre detestara favas. Tentou todavia uma garfada tímida. De novo os seus olhos, alargados pelo assombro, procuraram os meus. Outra garfada, outra concentração… E eis que o meu dificílimo amigo exclama: «Está ótimo!» Eram os picantes ares da serra? Era a arte deliciosa daquelas mulheres que em baixo remexiam as panelas, cantando o Vira, meu bem? Não sei: mas os louvores de Jacinto a cada travessa foram ganhando em amplidão e firmeza. E diante do frango louro, assado no espeto de pau, terminou por bradar: «Está divino!» — Eça de Queiroz, in Civilização. (PDF)

    Ao contrário do que o nome indica, as Pousadas da Juventude não são apenas para os adoradores imberbes do telemóvel. Sobretudo as de quatro e cinco estrelas (sim, há umas mais iguais que outras!) são cada vez mais assediadas por jovens de espírito como eu, que levam já um quarto de século em cada perna, ou mais, e também não dispensam, mas sem estarem propriamente agarrados, o iPhone, a magnífico Flip e o absolutamente indispensável TomTom, este último, depois de lhe substituirmos as terríveis vozes portuguesas, por prestações tão geniais como as de Homer Simpson, John Cleese ou Dennis Hopper. Sobretudo num momento em que o horizonte parece irremediavelmente tempestuoso, aproveitar o melhor que a tecnologia tem, para revisitar o que de adorável existe no atraso do meu país, no conforto e deleite de algumas das excelentes pousadas que a voragem neoliberal não teve tempo de privatizar, é um privilégio ímpar.

    Se as pousadas de Foz Côa e Ponte de Lima deixam algo a desejar no desenho, na robustez e na climatização inconveniente, em grande medida por causa dos levianos arquitectos que as desenharam, e dos irresponsáveis empreiteiros que as construíram, outro tanto não sucede ao recém-recuperado complexo de Vilarinho das Furnas (no espectacular Chão do Gerês), ou às novas pousadas de Alijó e de Melgaço (um luxo, jovens!)

    Deixar Lisboa por uns dias e respirar o que o nosso atraso felizmente poupou à voragem da modernidade é um dos mais tonificantes antídotos que posso tomar para depois suportar a guerra civil das palavras onde me meti desde que lancei este já longo “António Maria”.

    Desta vez, o prazer organizado pela minha adorável mulher, na companhia da minha idolatrada filha (que acaba de somar à sua raíz lisboeta a nacionalidade espanhola!), passou por terras inesquecíveis de boas, como Ponte de Lima (ah grande Queijo Limiano!), Castro Laboreiro, Monção e Melgaço. Nestas duas últimas admiráveis vilas bebi os melhores Alvarinhos do mundo inteiro (e há-os bem bons na Galiza, na Califórnia, Argentina, Austrália e Nova Zelândia). São surpreendentes e divinos os Alvarinhos Soalheiros de Melgaço, como sólidos são os Alvarinhos de Rebouça e o Quinta da Pedra, de Monção. Até o Torre de Menagem, um vinho verde branco da casa Quintas de Melgaço, e o bem amanhado tinto verde da Adega Cooperativa de Monção (difícil de encontrar em Lisboa, como os demais citados…), deixaram saudades do irresistível cabrito do monte que o restaurante Adega Regional Sabino, situado em Melgaço, sacrifica diariamente e diariamente assa, com a simplicidade que tema tão sagrado exige, para êxtase gastronómico de quem não se passou ainda definitivamente para a dieta “veg”.

    No regresso, visitámos a anémica, embora muito incensada Pousada de Terras do Bouro —um projecto tão pretensioso quanto pífio de Eduardo Souto de Moura. Jantámos mais tarde uma inigualável posta arouquesa n’O Meu Gatinho, em Cinfães do Douro, por dever de homenagem à terra do meu avô paterno e de uma longa linhagem de aventureiros e bons vivants. Finalmente Braga, terra da minha mulher, e Porto, antes de tomar a A1 pela madrugada fora. Na cidade dos curas e do Bacalhau à Zé do Pipo, encontrámos uma esplanada-jardim civilizada, digna dos melhores recantos da Europa do Norte, na célebre Casa dos Coimbras. O Bar dos Coimbras é um projecto dos arquitectos Amadeu Magalhães e Guilherme Sequeira, de visita e usufruto obrigatórios. Experimentem o delicioso chá de Mate gelado e perfumado com hortelã — uma salvação laica em terra de batinas, numa tarde de ananases — como diria o Eça.

    Hoje, antes de começar esta crónica de regresso de férias, passei pelo mercado bio do Príncipe Real. A capital também tem coisas amáveis, inteligentes e boas. Antes de passar pelo celeiro em busca de algas e óleo de abóbora (próstata oblige!), entrei na igreja jesuíta de São Roque, ao Largo da Misericórdia. Lágrimas de amor e raiva escorreram sem travão possível sob a cortina escura dos meus óculos de Sol.

    A jihad literária recomeça amanhã!

    OAM 616 30-08-2009 20:41

    Republica Electronica

    A blogosfera pode ter objectivos

    Portugal está a desfazer-se, corroído pelo cancro de uma partidocracia corrupta e incapaz de se reformar.

    Temos três eleições pela frente e um governo — que deverá demitir-se assim que termine o seu mandato, sem mais delongas nem oportunismos eleitorais, venham eles de São Bento ou de Belém!

    Neste momento, entalados entre os grandes corruptos do PS e os grandes corruptos do PSD — que capitaneiam o Bloco Central da Corrupção —, ouvem-se em cada dia que passa os apelos à renovação dos votos matrimoniais do ruinoso Bloco Central. São apelos desesperados, disseminados pelos canais mediáticos convencionais (jornais e televisões) — há muito ocupados pelas máquinas de propaganda dos principais partidos com assento parlamentar.

    Ora o que é preciso é depurar urgentemente e sem rodeios os partidos mais corrompidos da nossa democracia: PS, PSD e CDS-PP. Ora o que é preciso é criar novos partidos e potenciar o crescimento criativo do Bloco de Esquerda. Em suma, proceder a uma reestruturação do moribundo espectro partidário que temos.

    Creio que a blogosfera está em condições de propiciar uma poderosa ajuda neste sentido.

    A ideia é simples: sob a designação República Electrónica (onde cabem naturalmente os simpáticos e muito activos monárquicos que conheço) devemos por os blogues a falar entre si, por forma a podermos lançar campanhas coordenadas de informação, contra-propaganda e mobilização das consciências (e dos votos!).

    O Blog List do António Maria, que acabo de introduzir, destina-se a isto mesmo. Quem quiser sugerir nomes de blogues que façam sentido neste ringue de activismo electrónico, não hesite! Será bem-vindo 😉

    NÃO HÁ TEMPO A PERDER!

    OAM 541 25-02-2009 10:00

    Crise Global 4

    Jardim Gonçalves, por Luis Rocha
    Jardim Gonçalves, por Luis Rocha

    Saldos BCP!

    27-09-2007. “O banco belga-holandês Fortis está vender 140 milhões de acções do BCP, o que corresponde a 3,9% do capital. Após concretizar a venda, o parceiro dos seguros do BCP sai do capital da instituição liderada por Filipe Pinhal. O Fortis está a proceder à alienação através de um livro de ordens acelerado que está aberto desde segunda-feira, segundo apurou — Jornal de Negócios online

    O governo Sócrates assobia para o ar, em vez de explicar aos portugueses o que já é uma evidência: o mundo acaba de mergulhar numa profundíssima crise financeira de consequências imprevisíveis. A economia é a vítima que se segue. Recomendação: converta o seu dinheiro virtual em algo palpável, útil e duradouro!

    27-09-2007 20:32. Razão tem o Sr. Carlos Tavares, da CMVM, quando desmente os optimistas de serviço (Ministro das Finanças e Governador do Banco de Portugal), ao alertar: “Não podemos presumir que Portugal não é afectado pela crise, nem que não há risco de contágio por não haver exposição directa.” (in Público 27-09-2007)

    O António Maria há mais de seis meses que vem alertando, do alto da sua ignorância, para a profundidade sistémica da crise em curso. A derrocada portuguesa começou com o encerramento do Fundo BPI Renda Trimestral, continuou com a queda catastrófica do valor em bolsa do BCP, assiste hoje à venda massiva de acções BCP por parte do Fortis, e vai piorar nos próximos dias e meses. O petróleo acaba de bater mais máximo absoluto (82,93 USD) e o Euro está às portas dos 1,42 USD.

    Como temos vindo a recomendar há meses, venda todo o papel virtual que comprou sem saber o que fazia, e se tem liquidez disponível, guarde-a parcialmente debaixo do colchão e invista algum do pilim na amortização de hipotecas pendentes (sobretudo as relativas a bens essenciais, como a casa ou viaturas de trabalho), compre algum ouro legítimo (cuidado com as falsificações!), quintas e quintinnhas produtivas, de preferência perto de vilas e cidades. Os apartamentos e casas próximos de interfaces de transportes também são uma boa aposta para quem dispõe de liquidez. Escape dos bancos e sobretudo dos fundos de investimento. Quanto antes!!

    Nunca mais ouvi falar do comendador Berardo. Lá esperto é ele!

    OAM 248