Aeroportos 42

Michael O'Leary, patrão da Ryanair
Michael O’Leary, patrão da Ryanair

Ryanair acusa ANA de atrapalhar “Sá Carneiro”

Presstur 20-11-2007 (12h30). O CEO da Ryanair, Michael O’Leary, afirmou hoje no Porto que a low cost quer abrir uma base no aeroporto da segunda maior cidade do País, mas que os custos “são muitos altos” e falta “as autoridades de Lisboa” terem uma “atitude mais comercial”.

Com a abertura dessa base, argumentou, a Ryanair poderia triplicar o número de passageiros de e para o Porto, passando de um milhão para três milhões.
“As autoridades em Lisboa estão a condicionar esse aumento”, acusou O’Leary, depois de dizer que “têm que ter uma atitude mais comercial e dar ao Porto a liberdade para dar as mesmas condições que os aeroportos espanhóis”.

Há muito que sabemos que os planos do dromedário do MOPTC é privatizar a ANA (Aeroportos e Navegação Aérea), um monopólio de Estado, fazendo deste monopólio público um monopólio privado, para depois o oferecer, de mão beijada, ao consórcio bancário-betoneiro que vier a ganhar o concurso internacional para a construção do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL). Como se esta enormidade fosse insuficiente, o dromedário do MOPTC prepara-se ainda para leiloar os terrenos da Portela (que são de Lisboa!) com a intenção de entregar a massa resultante ao mesmo consórcio. Para culminar tamanho esbulho patrimonial, e à semelhança da tramóia esgalhada para as Estradas de Portugal, a criatura do cachimbo também deve ter preparado uma concessão de 90 anos ao consórcio bandido candidato à destruição do sistema de transportes do país. Pergunta: se o que é bom para o Porto e norte de Portugal é mau para a ANA, em que ficamos? Quem tem precedência? O país e a economia, ou a vigarice de Estado?

Seria bom que José Sócrates aproveitasse a visita-relâmpago de Hugo Chávez a São Bento, para meditar um pouco sobre o que acontece aos países onde os líderes se confundem com a escumalha. Os sinais de impaciência na Europa (Dinamarca, França, Espanha…) multiplicam-se. Por todas as razões e mais algumas temos que impedir o esvaimento dos Estados às mãos do gangsterismo financeiro. A economia não está para brincadeiras, e duvido que as democracias europeias aturem por muito mais tempo a incompetência, imbecilidade e fragilidade moral das suas cada vez mais cínicas, decadentes e corruptas elites. Para já, senhor Sócrates, prepare-se para perder as próximas eleições!


POST SCRIPTUM

Vozes do Norte contestam obstáculos da ANA à Ryanair

“O aeroporto do Porto arrisca perder a oportunidade de conseguir atrair, nos próximos sete anos, quatro milhões de passageiros da Ryanair. Tudo porque a ANA (empresa que faz a gestão dos aeroportos) não se tem mostrado receptiva a fazer algumas cedências que permitam a criação de uma base daquela companhia aérea de baixo custo no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. A possibilidade de o Norte estar a ‘desperdiçar’ uma oportunidade de desenvolvimento está a indignar políticos e empresários. O PSD/Porto vai pedir esclarecimentos ao Ministério das Obras Públicas ‘por suspeita de favorecimento do aeroporto de Lisboa'”. — JN, 23-11-2007

Comentário: O Porto tem que se afirmar decididamente como a capital do Noroeste Peninsular, para assim ajudar a fortalecer a cada vez mais estratégica frente atlântica da Península Ibérica (Sines-Setúbal-Lisboa-Figueira da Foz-Aveiro-Porto-Vigo-Corunha). O facto de a Low Cost interessada em contribuir para esta dinâmica ser de nacionalidade Irlandesa é mais um argumento a favor de um protagonismo que só o Porto deve assumir, e que os lóbis saloios (há anos que vivem entre a Quinta da Marinha e Sintra) deveriam acolher de braços abertos, se não estivessem, neste preciso momento, prisioneiros duma cáfila bancário-betoneira e da tríade macaense.

Que o senhor Juan Carlos de Bourbon e o governo de Madrid não estejam nada interessados num maior protagonismo do aeroporto Sá Carneiro, e em geral do Porto, entende-se. E até percebo que a sua diplomacia (muito desastrada ultimamente) pressione Lisboa com o papão dos nacionalismos ibéricos, como sempre fizeram, e vêm repetindo ultimamente, ecoando “sound bytes” de escritores com grande tendência para apostas historicamente desastrosas. Mas que haja indecisos e imbecis, em Belém e no Terreiro do Paço, que não estejam a ver o filme, já me parece uma desgraça. Seja como for, para já, cumpre às elites Nortenhas saírem dos seus Ferraris de uma vez por todas e dizerem claramente o que querem, como querem e o que estão dispostos a fazer para obterem o bem do país. Falem claro, e serão ouvidos!

O futuro não passa mais pela construção civil, mas pelos portos, pelo mar, pela ferrovia, pela agricultura biológica de alto rendimento, por indústrias de conhecimento estrategicamente especializadas, pelo turismo residencial de luxo e por transformar Lisboa e Porto em duas grandes metrópoles viradas para um novo cosmopolitismo sustentável. É toda uma aventura pela frente, no mar encapelado da transição energética em curso. P’ra frente é que é o caminho! — OAM

A insofismável ANA: taxas estão na média europeia…

Lisboa, 21 Nov (Lusa) – “O presidente do Aeroporto de Lisboa negou hoje que as taxa aeroportuárias praticadas pela gestora aeroportuária ANA impeçam a expansão da companhia aérea de baixo custo Ryanair, sublinhando que os valores cobrados ‘estão dentro da média’ europeia.”

Comentário (recuperado de RMVS): o problema não está na média europeia, mas nos preços praticados pelos aeroportos espanhóis: 1/3 dos preços aplicados pela ANA!

O monopólio lusitano que ameaça rebentar com a estratégia aeroportuária mais favorável a Portugal, empurrando as Bases Low Cost, nomeadamente da Ryanair, para Vigo, Badajós e Jerez de la Frontera, não age pela sua própria cabeça, que não tem. Assim sendo, se o pior acontecer, será antes do Verão de 2008. Se o pior acontecer, será insuficiente despedir os imbecis da ANA e a criatura do cachimbo. Se o pior acontecer, é José Sócrates que deverá levar um ajustado coice eleitoral!

O futuro da aviação europeia chama-se Low Cost, sendo que o conceito aeroportuário deste novo modelo de negócio e de transporte, não é o famoso embuste da OTA, nem as Cidades Aeroportuárias do ex-ministro consultor Augusto Mateus, mas as chamadas Bases Low Cost, ou seja, aeroportos de dimensão suficiente, frequentemente secundários, sem desnecessárias infraestruturas de apoio e com taxas muito competitivas, não necessariamente próximos das grandes cidades, inseridos em boas redes de transportes rodo e sobretudo ferroviárias. Quer dizer, o contrário da única coisa que o corrupto lóbi bancário-betoneiro sabe fazer. Quer dizer, o contrário daquilo que o Banco Central Europeu acaba de recomendar à Eslovénia: não sigam Portugal! Sigam a Irlanda!!

Como diz Manuel Alegre, o país está a regressar à Idade Média em matéria de transportes e circulação cidadã. E eu insisto: o actual sistema partidário faliu. Tornou-se num monstro ineficiente, corrupto, imbecil, abrupto e traiçoeiro. É preciso refundar urgentemente a Política Democrática no Mundo, na Europa e em Portugal. — OAM


O centralismo da ANA

“Este conflito entre Michael O’Leary e a ANA só acontece porque a ANA é uma empresa pública monopolista tutelada pelo poder central. Acumula todos os factores que podem reduzir significativamente a capacidade de uma empresa para servir decentemente os seus clientes. Se não fosse monopolista, faria tudo para conseguir um contrato com a Ryanair antes dos concorrentes. Se não fosse uma empresa pública, estaria preocupada em rentabilizar o mais rapidamente possível um aeroporto sub-utilizado. Se em vez de ser tutelada pelo Governo central fosse tutelada por um governo regional, seria forçada a por esse governo a promover os interesses económicos da região que o aeroporto deveria servir. Como a ANA é tutelada pelo Estado central, reflecte uma visão centralista do país. Está mais preocupada com os interesses estratégicos da TAP e com a viabilização do futuro grande aeroporto de Lisboa do que com os seus próprios lucros ou com o desenvolvimento das regiões onde se localizam os seus aeroportos.” — João Miranda, DN, 24-11-2007.

Comentário: Até que enfim que o jornalismo cada vez mais amarelo que temos começa a revelar opiniões diversas da Propaganda das agências, paga pelo Governo com o dinheiro dos contribuintes! João Miranda escreveu um texto certeiro sobre a pouca vergonha da ANA. Vale a pena lê-lo na íntegra.
O grande problema das empresas públicas e demais organismos tutelados pelo Estado é que têm vindo a ser paulatinamente entregues a imbecis geneticamente modificados na piscina endogâmica do Bloco Central. Resultado: estão a conduzir o país à ruína e à perda de autonomia face, nomeadamente, a Espanha. Mas como vai haver menos deputados a voar entre Lisboa e Bruxelas, cada vemos empresas públicas para estuporar, e a Dívida Pública está fora de controlo, os “Boys&Girls” do PS, do PSD e do PP (mas também do PCP e do BE) vão começar a andar à chapada todos os dias. É só esperar pela opereta de faca e alguidar que aí vem! — OAM

OAM 280, 20-11-2007, 02:45

2 responses to “Aeroportos 42

  1. «Quem tem precedência? O país e a economia, ou a vigarice de Estado?»A vigarice não é do Estado. A vigarice é dos tipos que puseram os seus funcionários políticos (Sócrates, Lino, Teixeira e quejandos) nas cadeiras do Governo.

  2. Questão linguística interessante…“Vigarice de Estado” é o efeito de um acto lesivo dos direitos, interesses ou património de um povo, realizado formalmente em nome desse mesmo povo! O Estado é uma máquina convencional cujos comandos estão nas mãos de governos, presidentes e reis, que podem ou não abusar dos poderes que lhes foram confiados. Quando abusam, e em nome do Estado, vão indevidamente ao bolso dos cidadãos contribuintes, estamos perante uma “vigarice de Estado”, em sentido figurado, claro!Os vigaristas nem sequer são apenas os gajos corruptos e os imbecis que por alguma razão vão parar aos gabinetes ministeriais, etc. Há, na realidade, um sistema articulados de interesses que captura, em determinados momentos, o Estado, pondo-o a funcionar a seu favor e contra os interesses da cidadania.É esta noção de “sistema” que me parece importante destacar e que, no fundo, pretendi sublinhar com a expressão “vigarice de Estado”.1 ab

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